Na reta final da disputa presidencial de 2026, a deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) apresentou um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, popularmente conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula.
A iniciativa surge cinco dias antes do segundo turno, quando a corrida eleitoral atinge seu ponto mais crítico e as tensões entre os blocos parlamentares se intensificam.
Contexto político e a proposta de CPMI
A proposta de Coronel Fernanda surgiu após a divulgação de alegações feitas pela empresária Roberta Luchsinger à CNN, que apontam para supostos atos de tráfico de influência, corrupção e favorecimento indevido envolvendo membros da família presidencial.
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, a parlamentar explicou que o requerimento já conta com apoio suficiente no Senado, mas ainda precisa da adesão de deputados federais para ser aprovado.
Segundo a deputada, o objetivo da CPMI é “averiguar, investigar as denúncias que a Roberta fez à CNN. Foram graves”, ressaltando a necessidade de apurar possíveis conflitos de interesse.
Desdobramentos da coleta de assinaturas
Até o momento da entrevista, o pedido já havia reunido o apoio de 92 deputados federais, número ainda abaixo das 171 assinaturas necessárias para avançar.
No Senado, a proposta conta com 34 assinaturas, superando o quórum mínimo de 27 senadores exigido para iniciar a tramitação.
A seguir, a relação resumida das assinaturas obtidas:
- Deputados federais: 92 de 171 necessários
- Senadores: 34 de 27 necessários
Coronel Fernanda enfatizou que a coleta continua e que a bancada governista tem participado de forma tímida, com apenas cinco ou seis parlamentares de esquerda ou da base de apoio ao presidente assinando o documento.
Ela descreveu a escassa participação governista como “cortina de fumaça”, sugerindo que a falta de engajamento pode ser uma estratégia para desviar a atenção das investigações em curso.
Reações e implicações para o segundo turno
Quando questionada sobre o próximo passo, a deputada afirmou que, após alcançar o número exigido de assinaturas, procurará o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre, para solicitar a instalação da CPMI.
Ela destacou que a efetivação da comissão dependerá da aprovação formal do requerimento e da disposição do presidente do Senado em conduzir o processo.
Além disso, Coronel Fernanda criticou a postura de alguns membros da base governista, acusando-os de dificultar o trabalho da CPMI do INSS e de proteger pessoas próximas ao presidente.
“Nós temos a obrigação de investigar, doa a quem doer”, declarou a parlamentar, reforçando seu compromisso com a transparência, independentemente das consequências políticas.
Em outra linha de questionamento, a entrevistadora trouxe à tona uma proposta do PT que teria reunido 100 assinaturas para criar uma CPMI sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, envolvendo Flávio Bolsonaro.
Coronel Fernanda afirmou não ter conhecimento da iniciativa e que não foi procurada para discutir o assunto, mantendo a postura de neutralidade em relação ao caso.
Ao ser indagada se assinaria o requerimento caso a proposta avançasse, a deputada evitou um compromisso explícito, mas defendeu publicamente Jair e Flávio Bolsonaro, afirmando que não tem receio de investigações que atinjam membros do seu próprio espectro político.
O cenário político, portanto, permanece altamente polarizado, com a CPMI proposta como mais um campo de batalha entre os blocos de esquerda e direita, especialmente nas vésperas do segundo turno.
Analistas apontam que a iniciativa pode influenciar a percepção dos eleitores sobre a integridade dos candidatos, ao mesmo tempo em que coloca em evidência a fragilidade das alianças dentro do próprio governo.
Para os apoiadores de Lula, a CPMI pode ser vista como uma tentativa de desestabilizar a campanha presidencial, enquanto para a oposição, representa uma oportunidade de evidenciar possíveis irregularidades.
O debate também trouxe à tona a questão da eficácia das comissões parlamentares de inquérito no cenário brasileiro, que historicamente enfrentam obstáculos para concluir investigações de forma independente.
Especialistas em direito constitucional ressaltam que, para que a CPMI seja efetiva, é fundamental garantir autonomia, acesso a documentos e proteção aos depoentes, evitando pressões políticas que possam comprometer o resultado final.
Enquanto isso, a população acompanha de perto as movimentações no Congresso, já que a credibilidade das instituições pode ser decisiva para a escolha dos eleitores no segundo turno.
Em resumo, a proposta de Coronel Fernanda destaca a complexa intersecção entre política, investigação e estratégia eleitoral, refletindo o clima de tensão que marca o último estágio da disputa presidencial de 2026.








