O déficit das contas públicas dos Estados Unidos chegou a US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro, segundo dados divulgados nesta sexta‑feira (16) pelo Departamento do Tesouro. O aumento representa US$ 217 bilhões a mais em relação ao período anterior e marca o maior déficit registrado em cinco anos.
Causas do aumento do déficit
Vários fatores convergiram para elevar o desequilíbrio fiscal. Primeiro, os gastos do governo atingiram US$ 7,40 trilhões, um recorde que supera em 6% o total do ano fiscal anterior. Esse salto reflete investimentos em defesa, infraestrutura e programas sociais ampliados.
Em segundo lugar, o serviço da dívida pública se tornou a terceira maior despesa do orçamento, com custos de juros e encargos somando US$ 1,36 trilhão, 12% acima do ano passado. O aumento da taxa de juros e o crescimento da dívida total, que ultrapassou US$ 40 trilhões, intensificaram esse peso.
Um terceiro elemento importante foi a queda na arrecadação líquida de tarifas de importação. Após a decisão da Suprema Corte que anulou grande parte das tarifas impostas no primeiro mandato de Trump, o governo precisou reembolsar importadores em US$ 145 bilhões, reduzindo a receita de tarifas em US$ 22 bilhões.
Impactos no orçamento federal
Mesmo com as receitas alcançando um recorde de US$ 5,40 trilhões – alta de 3% em relação a 2025 – o ritmo de crescimento das despesas superou o da arrecadação, ampliando o déficit. O resultado corresponde a 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB), acima dos 5,8% registrados no ano fiscal anterior.
Os principais itens de despesa que pressionam o orçamento são:
- Previdência Social: o maior gasto do governo, responsável por pagamentos a aposentados e beneficiários.
- Programas de saúde Medicare e Medicaid: combinados, ocupam a segunda maior fatia de despesas.
- Serviço da dívida pública: agora a terceira maior categoria, refletindo o custo do endividamento.
Além desses, os investimentos em defesa e segurança nacional continuam elevados, impulsionados por tensões geopolíticas e a necessidade de modernização das forças armadas.
Comparação histórica e perspectivas
Embora o déficit de US$ 1,99 trilhão seja o maior em cinco anos, ele ainda fica abaixo do pico de US$ 2,77 trilhões registrado em 2021, quando o governo federal ampliou gastos para mitigar os efeitos da pandemia de Covid‑19. Ainda assim, o número de 2026 se posiciona como o terceiro maior déficit anual da história dos Estados Unidos.
No último mês do ano fiscal, setembro, o governo registrou um déficit de US$ 27 bilhões, revertendo o superávit de US$ 198 bilhões observado no mesmo período de 2025. Essa mudança evidencia a volatilidade das contas públicas em resposta a decisões de política fiscal e judicial.
Especialistas apontam que, se a tendência de aumento dos juros e da dívida persistir, o serviço da dívida pode ultrapassar outras categorias de gasto, exigindo ajustes estruturais no orçamento. Por outro lado, a possibilidade de reformas tributárias ou cortes em programas de alto custo pode conter a escalada do déficit nos próximos anos.
O presidente Donald Trump, que está em seu segundo mandato, tem defendido políticas que visam reduzir a carga tributária para empresas, ao mesmo tempo em que aumenta o investimento em infraestrutura. Essa combinação de medidas fiscais pode gerar efeitos mistos sobre o balanço das contas públicas, dependendo da evolução da economia global e da resposta dos mercados financeiros.
Em síntese, o aumento do déficit em 2026 reflete um cenário complexo, onde gastos recordes, custos elevados de financiamento da dívida e ajustes nas tarifas de importação se somam a um contexto político que busca equilibrar crescimento econômico e responsabilidade fiscal.








