Na manhã de 10 de setembro de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino revogou a suspensão do diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, medida que havia sido imposta pelo ministro André Mendonça. A decisão foi anunciada durante o programa VEJA em Foco, transmitido ao vivo pela TV aberta, e imediatamente provocou intenso debate no meio jurídico e político.
Contexto da decisão judicial
Andrei Rodrigues havia sido afastado do cargo após um relatório da Polícia Federal apontar irregularidades que poderiam comprometer investigações sensíveis. O ministro André Mendonça, então responsável pela condução do caso, determinou o afastamento como medida preventiva, alegando necessidade de preservar a integridade das investigações.
Entretanto, poucos dias depois, o ministro Flávio Dino interveio e suspendeu a ordem de afastamento, permitindo que Rodrigues retornasse ao cargo. A justificativa de Dino foi baseada em argumentos de legalidade processual, embora não tenha detalhado os fundamentos específicos que levaram à reversão.
Essa reviravolta criou um clima de incerteza, pois a decisão de Dino entrou em conflito direto com a postura adotada por Mendonça, gerando dúvidas sobre a hierarquia das decisões dentro do STF.
Reação de Eduardo Ribeiro
Em entrevista ao programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, Eduardo Ribeiro, presidente do Partido Novo, classificou a medida de Dino como “absolutamente teratológica” e “completamente absurda”. Segundo Ribeiro, a decisão provocou perplexidade no meio jurídico, que ficou “estupefato” diante da aparente contradição entre ministros da mais alta corte do país.
Ribeiro enfatizou que a decisão de Mendonça era necessária, pois Andrei Rodrigues deveria ser investigado e, portanto, permanecer no cargo seria incompatível com o princípio da imparcialidade. “Foi uma decisão muito corajosa do ministro André Mendonça em afastar o Andrei Rodrigues do cargo da PF. Até porque o Andrei precisa ser investigado”, declarou.
O presidente do Novo também destacou a gravidade do relatório da Polícia Federal mencionado no programa, afirmando que o cargo de diretor‑geral exige afastamento durante qualquer apuração que envolva investigações ou instrumentos de inteligência.
Ao analisar a postura de Flávio Dino, Ribeiro apontou que o ministro interferiu em decisão já tomada por um colega, criando um precedente perigoso para a estabilidade institucional. “O mundo jurídico ficou estupefato hoje com essa decisão do Flávio Dino, que recoloca o Andrei no cargo”, disse.
Desdobramentos no STF e no Senado
Ribeiro avaliou que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tentou conter a “bagunça” ao assumir a condução dos desdobramentos do caso. Segundo o dirigente do Novo, Fachin não declarou que Mendonça estivesse errado, mas transferiu a responsabilidade para si, numa tentativa de centralizar a gestão da crise.
Ele citou a fala de Fachin: “Olha, virou bagunça. Então eu estou puxando toda a responsabilidade aqui para mim”. Para Ribeiro, essa postura evidencia a falta de consenso entre os ministros e aumenta a tensão institucional.
Além do conflito entre ministros, o presidente do Partido Novo alertou para a postura do Senado Federal. Ele criticou a concentração de poder nas mãos do presidente do Senado, que, segundo Ribeiro, não deveria ter autoridade para bloquear decisões sobre pedidos de impeachment de ministros do STF.
Ribeiro ressaltou que o Senado precisa exercer seu papel de controle e debate, sem se tornar um obstáculo ao processo de responsabilização dos agentes públicos.
Perspectivas e estratégias do Partido Novo
O Partido Novo já mobiliza uma série de ações jurídicas e legislativas para enfrentar a crise. De acordo com Ribeiro, quase 20 iniciativas estão em andamento, incluindo recursos, requerimentos e propostas de alterações normativas que visam fortalecer a independência da Polícia Federal.
Entre as prioridades do partido está o arquivamento do inquérito das Fake News, que, segundo Ribeiro, “não tem a menor condição de continuar existindo”. O Novo pretende entrar com pedido formal para que o inquérito seja encerrado, argumentando falta de fundamentos legais.
Para ilustrar as frentes de atuação, segue a lista das principais medidas em curso:
- Recurso contra a decisão de Flávio Dino no STF.
- Pedido de arquivamento do inquérito das Fake News.
- Propostas de reforma do Estatuto da Polícia Federal.
- Iniciativa para limitar poderes do presidente do Senado em processos de impeachment.
- Aliança com senadores de outras legendas alinhados à agenda de transparência.
Ribeiro também destacou que o partido pretende ampliar sua presença no Congresso, apoiando candidatos ao Senado em estados estratégicos que compartilhem da mesma visão de combate à corrupção e fortalecimento institucional.
Por fim, o presidente do Novo sinalizou que a próxima sessão do STF será decisiva para definir os rumos dos casos envolvendo a Corte e a Polícia Federal. Ele reforçou a necessidade de decisões claras e fundamentadas, que evitem retrocessos e assegurem a credibilidade do Poder Judiciário.








