Na noite de sexta‑feira, 23 de outubro de 2026, no estúdio da TV Globo, presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro participaram do primeiro bloco de um debate eleitoral que antecede o segundo turno da disputa presidencial. O programa reuniu perguntas sobre as diferentes regiões do país e serviu como palco para a troca de propostas e críticas entre os candidatos.
Infraestrutura e obras em foco
Flávio Bolsonaro iniciou a rodada de perguntas ao apontar que o Brasil seria um “cemitério de obras”. Ele citou um relatório do Tribunal de Contas da União que indicaria cerca de 11,5 mil projetos paralisados, exigindo respostas imediatas.
Lula rebateu afirmando que herdou aproximadamente 6 mil obras inacabadas do governo anterior e que seu mandato já investiu mais em infraestrutura do que qualquer outro na história nacional. O presidente destacou a conclusão de obras como a BR‑319, a Transnordestina, a Fiol e a Fico.
O senador, por sua vez, prometeu, se eleito, “rasgar o Brasil de ferrovias”, concluir a Transnordestina e construir um corredor que ligue o Centro‑Oeste ao oeste do Paraná e a Santa Catarina, facilitando o escoamento da produção agrícola.
- Concluir a Transnordestina;
- Implantar corredor Centro‑Oeste‑Sul;
- Reativar obras paralisadas do TCU.
Lula comparou Flávio a um estudante que decorou o conteúdo para o vestibular, mas não aprendeu o conceito, sugerindo que o candidato ainda não tem a experiência necessária para gerir grandes projetos.
Salário mínimo, tarifa zero e carga tributária
Na sequência, Lula questionou o senador sobre a correção do salário mínimo na região Sudeste, especialmente em São Paulo. Flávio atribuiu a perda de poder de compra ao endividamento das famílias e aos juros elevados.
O presidente respondeu que os governos do PT sempre reajustaram o salário mínimo acima da inflação, evitando que o valor caísse para cerca de R$ 900, como teria acontecido sob a gestão de Jair Bolsonaro e Michel Temer.
Além disso, Lula indagou sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus aos finais de semana. Flávio se mostrou favorável, mas criticou a carga tributária brasileira e o novo imposto sobre consumo, o IVA, previsto na reforma tributária.
Em tom irônico, Flávio chamou Lula de “9 dedos”, dizendo que “não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em R$ 1.621 se você dá com uma mão e tira com os nove dedos”. O senador garantiu que, caso vença, elevará o salário mínimo acima da inflação.
Agronegócio, exportações e relações internacionais
Voltando o foco para o agronegócio, Flávio acusou o presidente de “tratar mal” o setor, questionando as políticas adotadas pelo governo. Lula respondeu que o Brasil ampliou as exportações, abriu 700 novos mercados e aumentou as vendas em 57 países, resultando em um superávit comercial de quase R$ 85 bilhões.
O presidente também criticou a postura de Flávio em relação a Donald Trump, lembrando das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros e reforçando a necessidade de diversificar os parceiros comerciais.
Flávio, por outro lado, destacou que os produtores rurais enfrentam dificuldades para obter financiamento, citando juros reais que chegam a quase 20% ao ano e uma burocracia excessiva.
Ele prometeu garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra, além de impedir o contingenciamento dessas verbas e assegurar apoio financeiro ao agronegócio.
- Abertura de 700 novos mercados;
- Superávit comercial de R$ 85 bilhões;
- Proposta de recursos para seguro rural e Plano Safra.
Ao final do bloco, ambos os candidatos reafirmaram suas posições: Lula enfatizou a continuidade das políticas de investimento e proteção social, enquanto Flávio reforçou a necessidade de acelerar obras, reduzir a carga tributária e apoiar o produtor rural.
O debate, transmitido ao vivo para todo o país, serviu como último grande confronto antes do segundo turno, oferecendo ao eleitorado uma visão detalhada das propostas de cada candidato em áreas estratégicas para o futuro do Brasil.








