Na noite de sexta-feira, 23 de outubro de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participaram do último debate televisionado pela TV Globo antes da votação do segundo turno das eleições presidenciais, marcada para domingo, 25 de outubro. O confronto ocorreu no estúdio da emissora, em Rio de Janeiro, e foi transmitido ao vivo para todo o país.
Contexto do debate e sua importância
O debate da Globo tem tradição de ser o principal palco de confronto entre os candidatos à presidência, reunindo milhões de telespectadores e influenciando a opinião pública nas horas que antecedem a eleição. Esta edição foi particularmente tensa, pois representou a última oportunidade de cada candidato apresentar suas propostas e atacar o adversário antes da decisão final dos eleitores.
Dividido em quatro blocos temáticos, o programa abordou temas econômicos, educacionais, de segurança e questões de direitos humanos. O terceiro bloco, analisado aqui, concentrou‑se nas discussões sobre endividamento das famílias, ensino integral, apostas online e a retomada de territórios dominados por facções criminosas.
Endividamento e políticas econômicas
Flávio Bolsonaro iniciou o segmento questionando Lula sobre a situação do endividamento das famílias brasileiras, acusando o presidente de prometer “picanha” e entregar “abóbora” aos cidadãos. O senador sugeriu que a inflação e o alto custo de vida deixaram a população sem condições de honrar seus compromissos financeiros.
Lula respondeu que a questão é “muito séria” e destacou os programas “Desenrola” lançados por sua gestão, que visam renegociar dívidas e facilitar o acesso ao crédito. O presidente ainda informou que enviou ao Congresso uma medida provisória para realizar um leilão de até R$ 150 bilhões, destinado à compra de dívidas bancárias e à redução do passivo das famílias.
- Programa Desenrola: renegociação de dívidas com juros menores;
- MP para leilão de R$ 150 bi: compra de títulos bancários;
- Objetivo: aliviar o endividamento e estimular o consumo.
Ambos os candidatos usaram o tema para reforçar suas linhas de ataque: Flávio acusou o governo de “prometer mais do que pode entregar”, enquanto Lula enfatizou a necessidade de intervenções estruturais para proteger o poder de compra dos brasileiros.
Ensino integral e o debate sobre apostas online
Lula, então, voltou o foco para a educação, perguntando a Flávio Bolsonaro sobre a implementação do ensino integral nas escolas públicas. O senador tentou mudar de assunto, chamando o presidente de “pai das bets”, numa alusão às apostas esportivas que proliferaram no país nos últimos anos.
Em resposta, Lula destacou que as apostas online foram regulamentadas durante o governo de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, e que a liberalização desse mercado trouxe riscos sociais, sobretudo para jovens e famílias de baixa renda. O presidente reforçou que a educação integral deve ser acompanhada de políticas de prevenção contra jogos de azar.
O senador, por sua vez, defendeu a necessidade de ampliar o acesso ao ensino integral como forma de combater a evasão escolar, mas evitou detalhar propostas concretas, limitando‑se a mencionar a importância de parcerias entre escolas e iniciativa privada.
Segurança pública, retomada de territórios e a tragédia de Ana Clara
No último ponto do bloco, a conversa girou em torno da retomada de territórios dominados por facções criminosas e da violência nas prisões. Flávio Bolsonaro questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos, sugerindo que a política de “relaxamento” favorece o aumento da criminalidade.
Lula, ao responder, trouxe à tona a morte de Ana Clara, menina de cinco anos que foi morta a tiros em um confronto entre facções. O presidente criticou a atuação de Flávio Bolsonaro como advogado de defesa do policial acusado de envolvimento no caso, acusando-o de proteger agentes que violam direitos humanos.
Flávio, por sua vez, afirmou que o território é “dominado por facções” e, ao mencionar “Ana Clara”, referiu‑se à mãe da vítima, Cristiane Silva, numa tentativa de desviar o foco da discussão. O candidato reforçou que a retomada de áreas controladas por criminosos exige ações coordenadas entre forças federais e estaduais.
- Retirada de facções: operação conjunta das polícias Federal, Civil e Militar;
- Política de saídas temporárias: revisão de critérios de elegibilidade;
- Responsabilização de agentes: investigação de casos de abuso e violência.
O terceiro bloco encerrou‑se com um clima de tensão, evidenciando as divergências profundas entre os candidatos sobre como enfrentar a crise econômica, melhorar a educação e garantir a segurança dos cidadãos.








