Uma rede de criminosos tem explorado o TikTok para divulgar a venda de conteúdo de abuso sexual infantil, direcionando interessados ao Telegram, onde os materiais são negociados e pagos, muitas vezes via PIX. A prática foi revelada em reportagem do G1 em setembro de 2023, com investigações que identificaram dezenas de links e grupos que operam no Brasil.
Como os criminosos utilizam o TikTok para atrair compradores
Os vídeos publicados no TikTok raramente mostram o material ilícito; eles apresentam cenas aparentemente inocentes ou até mesmo conteúdo totalmente desvinculado do crime. Nos comentários, porém, os usuários encontram instruções que apontam para links externos, geralmente contendo a palavra “invite” seguida de um código alfanumérico.
Ao clicar no link, a pessoa é redirecionada para uma página de convite do Telegram, onde precisa inserir o código para acessar um grupo ou canal privado. Esses grupos funcionam como vitrines digitais, exibindo prévias curtas do material antes da compra.
Os criminosos contam ainda com bots que automatizam a entrega de informações e orientam os compradores sobre como proceder com o pagamento. Essa estratégia permite que o TikTok sirva apenas como porta de entrada, enquanto a negociação real ocorre em ambientes mais fechados.
A dinâmica de venda no Telegram e o uso do PIX
No Telegram, os vendedores oferecem pacotes de vídeos e fotos que variam de poucos gigabytes a coleções extensas. Os preços começam em R$ 10 e podem chegar a R$ 150, dependendo da quantidade e da suposta gravidade do conteúdo.
- Pacote de 3 GB: R$ 10
- Pacote de 15 GB: R$ 35
- Acesso vitalício ao grupo: R$ 20
- Pacotes em dólares: US$ 11,99 (≈ R$ 62) e US$ 25 (≈ R$ 130)
Os métodos de pagamento incluem criptomoedas como Bitcoin e Ether, mas o PIX tem se destacado pela rapidez e anonimato relativo. Muitos criminosos utilizam contas de terceiros – chamadas de contas “laranjas” – ou até contas vinculadas às próprias vítimas para receber os valores.
Antes da finalização da compra, o vendedor costuma enviar um vídeo autodestrutivo que desaparece após a primeira visualização, servindo como amostra. Em seguida, fornece a chave PIX ao comprador; após a confirmação do pagamento, os arquivos são enviados diretamente na conversa do Telegram.
Reação das plataformas e medidas de combate
O Telegram afirma que proíbe a divulgação de conteúdo de abuso sexual infantil e que, em 2023, removeu mais de 300 mil grupos e canais relacionados ao crime. Ainda assim, a plataforma continua sendo usada como canal de negociação devido à sua estrutura de grupos privados e bots.
O TikTok, por sua vez, alega remover rapidamente as postagens denunciadas e banir as contas envolvidas, utilizando tecnologia avançada de monitoramento. As notas oficiais das empresas foram incluídas ao final da reportagem original.
Especialistas em segurança digital ressaltam que o uso do PIX demonstra a confiança dos criminosos na rapidez do sistema bancário brasileiro, mas também evidencia a necessidade de aprimorar mecanismos de bloqueio e rastreamento de transações suspeitas.
As autoridades da Polícia Federal investigam a rede, buscando identificar os responsáveis e desarticular os grupos. A colaboração de usuários que denunciam conteúdo suspeito é considerada essencial para interromper a cadeia de exploração.








