O texto constitucional dos Estados Unidos estabelece que Donald Trump não poderá ser candidato à Presidência nas eleições de 2028, após concluir seu segundo mandato. A proibição decorre da 22ª Emenda, que limita o número máximo de mandatos a dois. A decisão tem repercussão nacional e internacional, especialmente após os resultados das eleições de meio de mandato realizadas em 2026.
A 22ª Emenda e o limite de mandatos
A 22ª Emenda foi ratificada em 1951, após a longa presidência de Franklin D. Roosevelt, que exerceu quatro mandatos consecutivos. O texto da emenda determina que nenhum indivíduo pode ser eleito presidente mais de duas vezes, ou servir mais de dez anos no cargo, mesmo que tenha assumido a posição em meio a um mandato anterior.
Essa restrição visa evitar a concentração de poder em uma única pessoa e preservar o princípio democrático de alternância no poder executivo. Desde então, a emenda tem sido aplicada de forma consistente, sem exceções significativas.
No caso de Donald Trump, ele venceu as eleições de 2016 e, novamente, em 2024, completando assim o limite máximo de dois mandatos eletivos. Qualquer tentativa de disputar a eleição de 2028 seria considerada inconstitucional, sujeita a contestação judicial e a possíveis sanções.
Tentativas de Trump de driblar a restrição constitucional
Mesmo ciente da limitação imposta pela Constituição, Trump manifestou repetidamente a intenção de retornar ao Palácio Branco. Em entrevista à CNBC, no início de 2025, ele afirmou que buscaria um “terceiro mandato”, sugerindo que poderia encontrar uma brecha legal ou política para contornar a emenda.
Entretanto, alguns meses depois, em agosto de 2025, o próprio presidente recuou, alegando que provavelmente não se apresentaria novamente por causa da proibição constitucional. Essa mudança de discurso gerou dúvidas sobre suas reais ambições e sobre a estratégia do Partido Republicano.
Analistas políticos especulam que Trump poderia tentar influenciar a corrida presidencial indiretamente, apoiando um candidato alinhado com sua agenda ou promovendo reformas constitucionais que permitam a exceção da regra de mandatos.
- Propor uma emenda à Constituição que altere o número de mandatos permitidos.
- Buscar apoio de líderes estaduais para criar uma candidatura “substituta”.
- Utilizar sua base de eleitores para pressionar o Congresso a reconsiderar a interpretação da 22ª Emenda.
Até o momento, nenhuma dessas estratégias ganhou força suficiente para mudar a realidade jurídica estabelecida. O Supremo Tribunal dos EUA ainda não se pronunciou sobre a possibilidade de exceções à emenda, mantendo a posição de que o texto é claro e vinculativo.
Impacto das eleições de meio de mandato no cenário político
As eleições de meio de mandato, realizadas em 3 de novembro de 2026, trouxeram uma virada histórica nas duas casas do Congresso. O Partido Democrata conquistou a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, encerrando o controle que os republicanos exerciam desde 2020.
Na Câmara, dos 435 assentos, os democratas obtiveram 235, superando a marca dos 218 necessários para a maioria absoluta. No Senado, 55 dos 100 cadeiras foram ocupadas por democratas, garantindo o controle da maioria.
Esses resultados alteram drasticamente o equilíbrio de poder em Washington, limitando a capacidade de Trump de avançar sua agenda legislativa sem negociar com a maioria opositora.
Especialistas apontam que a nova composição do Congresso pode influenciar diretamente a discussão sobre reformas eleitorais e até sobre possíveis alterações na Constituição. No entanto, a maioria dos legisladores democratas tem se mostrado cautelosa em propor mudanças que poderiam ser vistas como favorecimento a um candidato específico.
Além das implicações institucionais, a vitória democrática também tem reflexos na opinião pública. Pesquisas recentes indicam que a maioria dos eleitores considera a limitação de mandatos como um pilar fundamental da democracia americana.
O cenário pós-midterms também traz desafios para o Partido Republicano, que agora precisa redefinir sua estratégia de liderança e reconquistar a confiança dos eleitores em um ambiente dominado por uma oposição forte.
Para os apoiadores de Trump, a impossibilidade de concorrer novamente em 2028 representa um ponto de inflexão. Muitos questionam se o futuro do movimento Trumpista dependerá da capacidade de influenciar candidatos alternativos ou de transformar a base partidária em uma força independente.
Em resumo, a combinação da restrição constitucional e da mudança de maioria no Congresso cria um panorama complexo para a política dos EUA nos próximos anos, exigindo adaptações tanto de líderes quanto de eleitores.








