A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES‑SP) está intensificando o monitoramento das cadeias de transmissão do sarampo no estado, com foco na interrupção da circulação viral nos municípios afetados. O acompanhamento ocorre em 2026, com dados atualizados até julho, e abrange a capital e cidades da região metropolitana.
Monitoramento das cadeias de transmissão
O processo de vigilância combina critérios epidemiológicos com exames laboratoriais realizados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) e pela Fiocruz. Esses laboratórios fazem o sequenciamento genético do vírus, permitindo identificar a origem de cada caso e mapear o trajeto percorrido.
Com base nesses dados, a SES‑SP classifica as cadeias como ativas, em redução ou encerradas. Para declarar o fim de uma cadeia, são exigidas 12 semanas consecutivas sem novos casos associados ao último paciente confirmado.
O último balanço mostrou que a cobertura da primeira dose da vacina subiu de 86,56% em abril para 93,24% em julho, refletindo o impacto positivo das campanhas de vacinação em massa.
Além do aumento da cobertura, a redução da circulação viral foi observada em várias regiões, sobretudo onde a vacinação foi reforçada após a identificação de casos suspeitos.
O monitoramento também inclui a busca ativa de contatos, visitas domiciliares e orientações específicas para unidades de saúde que atendem áreas com maior risco de transmissão.
Perfil dos casos confirmados
Até o momento, São Paulo registrou 41 casos confirmados de sarampo em 2026, distribuídos entre a capital (37), São Bernardo do Campo (2), Guarulhos (1) e Santo André (1). Não houve óbitos.
Dos 41 pacientes, 31 não possuíam histórico vacinal completo ou sequer tinham registro de vacinação, evidenciando a vulnerabilidade de grupos não imunizados.
A faixa etária mais afetada corresponde a crianças menores de dois anos, que concentram cerca de 61% dos diagnósticos. Essa população é a mais suscetível a complicações graves.
A Organização Pan‑Americana da Saúde (OPAS) classifica a situação como transmissão limitada e sob controle, mantendo o status de eliminação da transmissão endêmica no Brasil.
Os casos foram identificados por meio de exames laboratoriais que confirmaram a presença do vírus, além da investigação de contatos próximos que ajudou a delimitar as cadeias de transmissão.
Estratégias de vacinação e recomendações
A imunização contra o sarampo está disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de todos os 645 municípios paulistas. Em quatro cidades com registros ativos – São Paulo, Guarulhos, São Bernardo do Campo e Santo André – recomenda‑se a aplicação da Dose Zero para bebês de 6 a 11 meses e 29 dias.
A Dose Zero não substitui as doses de rotina, mas protege contra infecções precoces, especialmente em áreas onde há circulação do vírus.
- Crianças: 1ª dose aos 12 meses e 2ª dose aos 15 meses.
- Pessoas de 15 a 29 anos: duas doses comprovadas, com intervalo mínimo de 30 dias.
- Pessoas de 30 a 59 anos: pelo menos uma dose comprovada.
- Trabalhadores da saúde: duas doses comprovadas, independentemente da idade.
- Dose Zero (6 a 11 meses e 29 dias): indicada para moradores das quatro cidades citadas ou para bloqueio vacinal após contato com casos suspeitos/confirmados.
O calendário vacinal completo pode ser consultado no portal oficial “Vacina 100 Dúvidas”, que reúne informações sobre segurança, efeitos colaterais e dúvidas frequentes.
Além da vacinação, a SES‑SP reforça a importância da notificação imediata de sintomas, como febre alta, erupção cutânea e manchas vermelhas, para que o diagnóstico seja rápido e o tratamento adequado seja iniciado.
Como a população pode colaborar
Os cidadãos são convidados a manter a caderneta de vacinação em dia e a apresentá‑la nas consultas de rotina. Caso não encontrem o registro, a secretaria orienta a buscar a atualização junto à UBS mais próxima.
É fundamental que pais e responsáveis levem as crianças à vacinação mesmo que não apresentem sintomas, pois a imunização coletiva reduz drasticamente a probabilidade de novos surtos.
Em caso de suspeita de sarampo – febre, erupção cutânea e manchas vermelhas – a orientação é buscar imediatamente atendimento médico e informar a unidade de saúde sobre possíveis contatos recentes.
As redes sociais oficiais da SES‑SP e do Ministério da Saúde divulgam alertas em tempo real, facilitando a disseminação de informações corretas e combatendo rumores e fake news.
Por fim, a participação ativa da comunidade em campanhas de vacinação, combinada com o monitoramento rigoroso das autoridades sanitárias, cria um ambiente mais seguro e impede a retomada de cadeias de transmissão do sarampo em São Paulo.








