Parlamentares democratas dos comitês de inteligência do Congresso dos Estados Unidos declararam, nesta quarta‑feira (21 de setembro), que a Rússia está conduzindo uma campanha de desinformação contra candidatos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. As informações foram apresentadas em reunião com o diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, e indicam que a estratégia russa segue padrões já observados em 2016, 2020 e 2024.
Ameaça russa nas midterms
Os senadores Mark Warner e Jim Himes relataram que a Rússia utiliza anúncios falsos criados com inteligência artificial para atingir figuras proeminentes do Partido Democrata. Entre os alvos citados estão o candidato ao Senado pelo Texas, James Talarico, e o senador da Geórgia, Jon Ossoff, que busca a reeleição.
Embora os parlamentares não tenham revelado detalhes específicos por motivo de confidencialidade, eles enfatizaram que o modus operandi inclui a criação de conteúdo visual e textual que parece autêntico, mas que contém informações enganosas sobre políticas, posicionamentos e até mesmo supostos escândalos pessoais.
Essa estratégia de desinformação visa não apenas confundir eleitores indecisos, mas também desestabilizar a confiança nas instituições eleitorais, criando dúvidas sobre a legitimidade dos resultados.
- Uso de deepfakes para gerar vídeos falsos de candidatos.
- Distribuição de posts patrocinados em redes sociais com mensagens polarizadoras.
- Criação de sites satélite que imitam veículos de mídia confiáveis.
Reações dos EUA e da China
A Casa Branca e o Gabinete do Diretor de Inteligência Nacional ainda não responderam a solicitações de comentário, enquanto a embaixada russa também se manteve em silêncio, reiterando negações anteriores de interferência nas eleições americanas.
O deputado Jim Himes destacou que, embora a Rússia seja o foco imediato, não há motivos para descartar a possibilidade de a China estar conduzindo esforços semelhantes. A Embaixada da China em Washington classificou a afirmação de Himes como “acusações falsas e difamação grave”.
Essas declarações refletem a crescente preocupação das autoridades de segurança dos EUA com a influência estrangeira nas urnas, especialmente considerando o histórico de alegações de interferência cibernética e desinformação.
Impactos políticos e perspectivas
Analistas apontam que a campanha de desinformação pode influenciar a percepção dos eleitores sobre candidatos-chave, potencialmente alterando o resultado em distritos competitivos. As pesquisas da Reuters/Ipsos mostram que os democratas lideram os republicanos em preferência genérica para o Congresso, mas a margem ainda pode ser reduzida por narrativas falsas.
Além disso, há temores de que o presidente Donald Trump, já crítico de processos eleitorais, possa contestar os resultados das midterms, alegando supostos ataques cibernéticos estrangeiros. Essa possibilidade aumenta a urgência de medidas de segurança e de transparência nas urnas.
Especialistas recomendam que partidos e campanhas adotem estratégias de verificação de fatos, reforcem a comunicação direta com eleitores e invistam em treinamento para identificar deepfakes e conteúdo manipulado.
Por fim, a comunidade internacional observa atentamente o desenrolar das eleições americanas, pois qualquer indício de sucesso de campanhas de desinformação pode inspirar outros atores estatais a replicar táticas semelhantes em futuras disputas democráticas ao redor do mundo.








