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Comissão da ONU denuncia Israel por extermínio na Cisjordânia e genocídio em Gaza

A Comissão Internacional Independente de Investigação da Organização das Nações Unidas divulgou, nesta segunda‑feira, 26 de outubro de 2025, um relatório que acusa Israel de praticar extermínio na Cisjordânia e genocídio em Gaza. O documento foi apresentado à Assembleia Geral da ONU e detalha supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos nos territórios ocupados. As acusações abrangem atos de violência física, psicológica e sexual contra a população palestina.

Acusações de crimes de guerra e crimes contra a humanidade

O relatório aponta que, desde o início da ofensiva israelense em outubro de 2023, as forças de segurança israelenses e colonos têm realizado assassinatos, tortura, estupro e outras formas de violência sexual contra civis palestinos na Cisjordânia. Segundo a comissão, esses atos são motivados por nacionalidade, raça, etnia, gênero e idade, configurando um padrão discriminatório sistemático.

Além dos abusos físicos, o estudo destaca o impacto psicológico devastador causado por detenções arbitrárias, demolições de casas e deslocamento forçado. O presidente da comissão, Srinivasan Muralidhar, descreveu a estratégia como “uma campanha coordenada para exterminar e deslocar palestinos, impondo condições de vida insuportáveis”.

  • Extermínio de civis palestinos
  • Perseguição baseada em identidade étnica
  • Tortura e maus‑tratos em centros de detenção
  • Estupro e violência sexual
  • Destruição deliberada de moradias

A comissão também manteve, desde setembro de 2025, a classificação dos ataques israelenses à Faixa de Gaza como genocídio. Essa classificação foi feita pela primeira vez em sua história, reforçando a gravidade das alegações contra o Estado de Israel.

Reação de Israel e da comunidade internacional

Israel rejeitou categoricamente as acusações, qualificando o relatório como parte de uma campanha de desinformação destinada a demonizar o país. O embaixador israelense em Genebra afirmou que a comissão busca apresentar Israel como criminoso, sem considerar o contexto de segurança que o Estado enfrenta.

Vários países membros da ONU ainda não emitiram declarações oficiais, mas a discussão tem gerado intensos debates nas sessões da Assembleia Geral. Organizações de direitos humanos, como Anistia Internacional e Human Rights Watch, pediram uma investigação independente e a aplicação de sanções contra os responsáveis.

Ao mesmo tempo, alguns governos têm se mostrado cautelosos, temendo que uma condenação formal possa prejudicar os processos de paz em andamento. Contudo, a pressão da sociedade civil e das mídias internacionais tem aumentado, exigindo respostas mais concretas das autoridades israelenses.

Impactos humanitários e demandas da comissão

Os números apresentados no relatório são alarmantes. Desde o início do cessar‑fogo anunciado em outubro de 2025, o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, registrou 1.462 mortes palestinas, sem distinção entre civis e combatentes. O total de vítimas desde o início da guerra ultrapassa 74.200 mortos, segundo dados das Nações Unidas.

Além das mortes, milhares de palestinos foram feridos, deslocados internamente ou forçados a buscar refúgio em países vizinhos. O relatório aponta que a Autoridade Palestina também comete violência estatal contra palestinos que expressam opiniões divergentes, incluindo jornalistas e defensores dos direitos humanos.

Para enfrentar a situação, a comissão apresentou um conjunto de exigências claras:

  1. Encerramento imediato da ocupação ilegal da Cisjordânia.
  2. Desocupação de todos os assentamentos e remoção dos colonos.
  3. Investigação independente, imparcial e eficaz de todos os casos de assassinatos e abusos.
  4. Reparação financeira e assistência às vítimas e suas famílias.
  5. Garantia de liberdade de imprensa e proteção a defensores dos direitos humanos.

Os autores do relatório enfatizam que, sem a adoção dessas medidas, a situação humanitária continuará a se deteriorar, alimentando um ciclo de violência que pode se estender por décadas. Eles concluem que a responsabilização dos perpetradores é essencial para restaurar a confiança da população palestina nas instituições internacionais.

Em síntese, o documento da Comissão Internacional Independente de Investigação da ONU representa um marco na documentação de supostos crimes cometidos em territórios palestinos. Enquanto Israel nega as acusações, a comunidade internacional permanece atenta, avaliando os próximos passos para garantir justiça, proteção dos direitos humanos e, possivelmente, um novo impulso para as negociações de paz.

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