A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) anunciou, nesta terça‑feira, a decisão de retirar os segundos bissextos dos relógios mundiais a partir de 2025. A medida visa impedir falhas de sincronização em infraestruturas críticas que dependem da precisão de data e hora.
Impacto nos sistemas digitais
Os segundos bissextos são inseridos ocasionalmente para alinhar o Tempo Universal Coordenado (UTC) com a rotação irregular da Terra. Quando a diferença entre UTC e o tempo de rotação (UT1) cresce, um segundo extra é adicionado ao relógio oficial.
Nos últimos anos, a velocidade de rotação do planeta tem se acelerado, levantando a possibilidade de um segundo bissexto negativo, que removeria um segundo do calendário. Essa hipótese é considerada de alto risco porque pode gerar anomalias em redes elétricas, servidores, bancos de dados e dispositivos de Internet das Coisas (IoT).
Nem todos os equipamentos são projetados para lidar com essa correção de um segundo. Alguns sistemas recebem atualizações raras, enquanto outros foram desenvolvidos sem levar em conta a eventual remoção ou inserção de um segundo.
- Redes elétricas que sincronizam geradores e subestações;
- Data centers que dependem de timestamps precisos;
- Plataformas de negociação financeira que exigem registro exato de transações;
- Dispositivos IoT, como sensores industriais e casas inteligentes.
Grandes empresas de tecnologia já adotam soluções proprietárias para suavizar a inclusão de segundos bissextos, mas essas práticas ainda não são padronizadas. Cada serviço pode tratar a correção de forma diferente, aumentando a complexidade para desenvolvedores que precisam garantir compatibilidade universal.
Como a CGPM propõe o UTC Contínuo
A nova proposta da CGPM, chamada UTC Contínuo, substitui a necessidade de ajustes frequentes por uma tolerância maior entre UTC e UT1. Em vez de inserir ou remover um segundo a cada poucos anos, o modelo permite que a diferença chegue a até 3.600 segundos – o equivalente a uma hora – antes de exigir uma nova correção.
Com essa margem ampliada, a frequência de intervenções no horário usado por computadores e redes será drasticamente reduzida. A implementação está prevista para iniciar já no próximo ano, dando tempo suficiente para que fabricantes e provedores de serviço adaptem seus sistemas.
Ao eliminar a necessidade de programar alterações de um segundo, a CGPM simplifica o desenvolvimento de softwares. Os programadores não precisarão mais criar rotinas específicas para lidar com a inserção ou remoção de um único segundo, o que diminui a margem de erro e o custo de manutenção.
Reações da indústria e próximos passos
Empresas de tecnologia, operadoras de telecomunicações e provedores de nuvem receberam a decisão com otimismo cauteloso. Muitos afirmam que a redução de intervenções pontuais trará maior estabilidade para serviços críticos, mas ressaltam a necessidade de atualizar protocolos de sincronização para acomodar a nova tolerância.
Organizações de segurança cibernética alertam que a mudança também pode criar novos vetores de ataque se a diferença entre UTC e UT1 não for monitorada adequadamente. Elas recomendam a implementação de sistemas de vigilância que alertem quando a margem de 3.600 segundos estiver se aproximando.
Os governos, por sua vez, iniciarão processos de revisão regulatória para garantir que a legislação de infraestrutura crítica esteja alinhada ao UTC Contínuo. Espera‑se que agências de energia, transportes e finanças publiquem orientações específicas nos próximos meses.
Em resumo, a eliminação dos segundos bissextos representa um esforço coordenado para modernizar a gestão do tempo em um mundo cada vez mais conectado. A decisão da CGPM busca equilibrar a necessidade de precisão com a realidade de sistemas que não foram projetados para lidar com ajustes de um segundo, reduzindo riscos e custos operacionais.








