Uma carga de 900 quilos de castanhas portuguesas, originária da Itália, foi retida no Aeroporto Internacional de Guarulhos na manhã de 20 de outubro. A retenção ocorreu após a identificação de sinais de uma praga considerada ausente no território nacional. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgou a ocorrência na terça‑feira, destacando a importância da medida para a proteção da agricultura brasileira.
Identificação da ameaça
A vigilância foi realizada pelos agentes da Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro), órgão responsável por fiscalizar a entrada de produtos agropecuários no país. Durante a inspeção de rotina, foram observadas pequenas larvas na casca das castanhas, despertando suspeita de infestação.
As larvas foram preliminarmente associadas à espécie Cydia splendana, conhecida por perfurar a casca dos frutos e consumir seu interior durante a fase de maturação. Essa espécie ataca principalmente o castanheiro, mas também pode infestar carvalhos, avelaneiras e nogueiras, ampliando seu potencial de dano.
Para confirmar a identidade, amostras foram enviadas a um laboratório de referência credenciado pelo Mapa. O diagnóstico fitossanitário é essencial para definir a ação correta e evitar decisões precipitadas que possam impactar o comércio internacional.
Impactos econômicos e ambientais
A presença da Cydia splendana no Brasil poderia gerar prejuízos significativos aos produtores de castanhas e de outras espécies vulneráveis. A infestação precoce reduz o peso e a qualidade dos frutos, comprometendo a produtividade e a rentabilidade das plantações.
Além das perdas diretas, o controle da praga exigiria investimentos em medidas químicas e biológicas, elevando os custos de produção. O uso de inseticidas específicos pode gerar impactos ambientais indesejados, como contaminação do solo e da água.
Um outro ponto crítico é o risco de restrições comerciais. Caso a praga se estabeleça, países importadores podem impor medidas sanitárias mais rigorosas, reduzindo a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros no mercado externo.
- Queda de produtividade de castanheiros.
- Aumento dos custos de manejo fitossanitário.
- Possíveis barreiras tarifárias em exportações agrícolas.
- Impactos na biodiversidade local.
Esses fatores reforçam a necessidade de uma resposta rápida e baseada em ciência, evitando que uma única ocorrência se transforme em uma crise de longo prazo.
Ações do Ministério da Agricultura
Com base no diagnóstico preliminar, o Ministério determinou a fumigação emergencial da carga com brometo de metila. O tratamento foi realizado no dia 16 de outubro, seguindo protocolos de segurança e eficácia reconhecidos internacionalmente.
Após a aplicação, a carga ficará sob observação até que novos laudos confirmem a erradicação total da praga. Dependendo do resultado, a mercadoria poderá ser devolvida ao país de origem ou destruída, conforme as normas sanitárias vigentes.
O Mapa também reforçou a importância da colaboração entre Vigiagro, laboratórios de referência e os próprios importadores, para garantir que futuras remessas sejam analisadas com a mesma rigorosidade. A cooperação internacional é fundamental para o compartilhamento de informações sobre pragas emergentes.
Como medida preventiva, o Ministério recomenda que produtores e importadores adotem boas práticas de manejo, como inspeções periódicas, uso de embalagens certificadas e tratamento preventivo quando necessário. Essas ações reduzem a probabilidade de introdução de organismos nocivos.
Em resumo, a retenção da carga de castanhas em Guarulhos demonstra a eficácia do sistema de vigilância agropecuária brasileiro. Ao identificar rapidamente a presença suspeita de Cydia splendana, as autoridades evitaram potenciais danos econômicos e ambientais, protegendo a agricultura nacional e a reputação do país no comércio internacional.








