Nesta sexta‑feira, 9 de outubro, a propaganda eleitoral retornou aos horários de rádio e televisão para o segundo turno da eleição presidencial no Brasil. Os candidatos Flávio Bolsonaro, do PL, e Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, iniciam a fase decisiva da disputa, cada um com estratégias distintas voltadas ao eleitorado.
Estratégia de Flávio Bolsonaro: foco no cotidiano
O senador do PL pretende concentrar a mensagem nas necessidades imediatas das famílias brasileiras, como redução de dívidas, segurança alimentar e acesso a serviços públicos. A campanha acredita que o discurso sobre problemas do dia a dia foi o principal responsável pelo aumento de apoio entre o primeiro e o segundo turno.
Entre as propostas apresentadas, destacam‑se medidas para aliviar o endividamento das famílias, ampliação de linhas de crédito com juros menores e incentivo ao microempreendedorismo. O candidato também pretende reforçar a narrativa de que o governo anterior, liderado por Jair Bolsonaro, já iniciou políticas de aumento de benefícios sociais, como o auxílio‑familia.
- Redução do endividamento: renegociação de dívidas bancárias com prazo estendido.
- Benefícios sociais: manutenção e ampliação de programas de transferência de renda.
- Segurança pública: proposta de maior presença policial nas comunidades.
Além disso, a equipe de Flávio planeja usar a nova composição do Congresso, eleita recentemente, como argumento de que terá condições de governar com apoio parlamentar. A mensagem será transmitida em blocos curtos de 30 a 45 segundos, para garantir a retenção da informação pelo telespectador.
A tática de Lula: reforçar o medo e a defesa do legado
O presidente Lula, por sua vez, deve diminuir o tempo dedicado à exaltação de seu histórico e concentrar a campanha em alertas sobre os riscos de uma vitória do adversário. A estratégia de “medo” inclui a divulgação de possíveis cortes em programas sociais, como o Bolsa Família, caso Flávio Bolsonaro assuma o poder.
Nos últimos dias, peças nas redes sociais mostraram cenários de redução de investimentos em saúde e educação, embora algumas tenham sido retiradas por determinação da Justiça Eleitoral. A equipe petista, reforçada por lideranças do Nordeste, como o senador Camilo Santana e o governador Rafael Fonteles, busca ampliar a presença da mensagem nas regiões onde o apoio a Lula ainda é mais frágil.
Para sustentar o discurso de risco, a campanha utiliza dados de pesquisas recentes que apontam para um possível empate técnico. Essa narrativa visa mobilizar eleitores indecisos, principalmente nas áreas urbanas, que temem retrocessos nas políticas de inclusão social.
- Alertas sobre cortes em programas sociais.
- Ênfase na continuidade das conquistas da última gestão.
- Uso de depoimentos de beneficiários para gerar empatia.
O candidato também tem investido em anúncios que destacam a importância da PEC 6×1, apresentada como ferramenta para garantir estabilidade econômica e evitar crises fiscais. A mensagem é reforçada por entrevistas em programas de grande audiência, onde Lula ressalta a necessidade de manter a trajetória de crescimento econômico iniciada em 2023.
Cenário das pesquisas e expectativas para a reta final
A primeira pesquisa Datafolha para o segundo turno mostrou Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto, enquanto Lula registrou 45%. Esses números foram considerados dentro das expectativas da equipe de Flávio, que viu um aumento de 5 pontos percentuais em relação ao primeiro turno.
O comando da campanha de Lula, no entanto, interpreta o resultado como um indicativo de que a disputa ainda está aberta. Segundo fontes internas, a estratégia agora inclui intensificar a presença nas redes sociais e nas capitais do Nordeste, onde a margem ainda pode ser revertida.
Ambas as campanhas também estão preparando respostas rápidas para eventuais decisões judiciais que possam impactar a exibição de anúncios. A Justiça Eleitoral já retirou alguns conteúdos da campanha de Lula, e a equipe de Flávio tem adotado um discurso cauteloso para evitar sanções.
Com a corrida eleitoral se aproximando do fim, os eleitores receberão um fluxo intenso de mensagens, que variam entre propostas concretas, alertas de risco e apelos emocionais. O resultado dependerá, em grande parte, da capacidade de cada candidato de conectar sua mensagem ao cotidiano dos cidadãos, ao mesmo tempo em que mobiliza suas bases de apoio.








