Na manhã desta quarta‑feira, 30 de setembro, as agências da Caixa Econômica Federal voltaram a operar normalmente em todo o território nacional, encerrando a paralisação que se iniciara em 10 de setembro. A decisão foi tomada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que decretou o fim da greve e estabeleceu as condições do novo acordo salarial.
Fim da greve e retomada das agências
O comunicado oficial divulgado pela Caixa na terça‑feira, 29 de setembro, enfatizou o respeito às entidades sindicalistas e a disposição da instituição em cumprir integralmente as determinações judiciais. Na sequência, o TST realizou sessão de julgamento e, por unanimidade, suspendeu a greve imediatamente.
Os trabalhadores, que haviam interrompido atendimentos em bancos, caixas eletrônicos e serviços digitais, receberam a notícia com alívio. A suspensão da greve foi acompanhada de orientações sobre a volta gradual das operações, visando evitar sobrecarga nos servidores que precisariam atender a demanda acumulada.
Além da retomada dos serviços presenciais, a Caixa também reforçou que manterá canais de comunicação abertos para esclarecer dúvidas dos clientes sobre eventuais atrasos ou ajustes nos processos internos.
Detalhes do acordo salarial
O relator do caso, ministro Maurício Godinho, apresentou o voto que definiu os parâmetros do novo ajuste. O acordo estabelece que o reajuste salarial será calculado com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acrescido de um ganho real de 0,6%.
Essa combinação resulta em um aumento total de 4,6% nos salários e benefícios dos funcionários da Caixa, válido a partir de 1º de setembro de 2024 e com vigência até 2028. O objetivo é garantir poder de compra aos trabalhadores sem comprometer a sustentabilidade financeira da instituição.
Os principais pontos do acordo foram organizados em lista para facilitar a compreensão:
- Reajuste de 4,6% sobre a remuneração base;
- Aplicação do INPC como índice de referência;
- Adicional de 0,6% de ganho real;
- Vigência do novo piso salarial de 1º de setembro/2024 a 31 de dezembro/2028;
- Manutenção de benefícios já existentes, como vale‑transporte e plano de saúde.
Além do ajuste salarial, o TST determinou que os dias de paralisação não serão descontados dos salários, mas os trabalhadores terão até 180 dias para compensar as atividades interrompidas. Essa medida busca equilibrar a necessidade de continuidade dos serviços essenciais com a garantia dos direitos dos empregados.
Impactos e próximos passos
Para os clientes da Caixa, a retomada das agências significa o restabelecimento de serviços como abertura de contas, concessão de empréstimos, pagamentos de contas e atendimento a programas sociais. A expectativa é que o fluxo de atendimentos volte ao ritmo normal nas próximas semanas, com foco especial nos agendamentos que foram adiados durante a greve.
Do ponto de vista interno, a instituição precisará organizar escalas de trabalho que contemplem a compensação de até 180 dias de serviço não prestado. Isso poderá envolver a adoção de jornadas flexíveis, plantões extras e a ampliação temporária de equipes de apoio.
Especialistas em relações trabalhistas apontam que o acordo firmado pela Caixa pode servir de referência para outras categorias do setor bancário que ainda estejam em negociação. O uso do INPC como base de cálculo, aliado a um ganho real, demonstra uma abordagem equilibrada entre a preservação do poder de compra dos trabalhadores e a contenção de custos para a empresa.
Por fim, a Caixa reafirmou seu compromisso com a transparência e com a continuidade dos programas sociais que atendem milhões de brasileiros, como o FGTS, o Programa Minha Casa Minha Vida e os auxílios emergenciais. O banco destacou que, apesar dos desafios recentes, manterá sua missão de promover inclusão financeira e apoio ao desenvolvimento econômico do país.








