Uma pesquisa da AtlasIntel, divulgada nesta terça-feira, 22 de setembro, revelou como a população brasileira percebe as supostas ligações entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o caso Master. O levantamento foi realizado entre os dias 17 e 21 de setembro, com a participação de 1.852 cidadãos de diferentes regiões do país. Os resultados apontam para um cenário de desconfiança institucional e demandas por medidas severas contra os magistrados citados.
Conhecimento do escândalo e percepção de envolvimento
De acordo com os números, 82,6% dos entrevistados afirmam conhecer detalhes da fraude bilionária envolvendo o Banco Master, enquanto 17,1% reconhecem ter pouco conhecimento sobre o caso. Apenas 0,4% declararam nunca ter ouvido falar da investigação.
Quando questionados sobre a presença de ministros do STF no esquema, 85,1% acreditam que há um envolvimento direto, 4,4% negam essa possibilidade e 10,5% preferiram não responder ou não souberam opinar.
Opiniões sobre o sigilo das investigações e impactos na democracia
Um aspecto crítico destacado pelos participantes foi o nível de sigilo nas apurações. 64% consideram que o excesso de sigilo mina a confiança da sociedade nas instituições. Por outro lado, menos de um quarto (22%) acredita que o julgamento do caso pode reforçar a confiança no processo democrático.
Em relação ao potencial de reformar a credibilidade dos ministros, 30% dos entrevistados veem o desfecho como uma oportunidade de recuperação institucional, enquanto os demais permanecem céticos.
Confiança no STF e avaliação da imparcialidade
O levantamento também mediu a confiança geral no STF. 61% dos respondentes disseram não confiar no trabalho da corte e de seus ministros, ao passo que 27,8% mantêm confiança. 11,1% não souberam ou não quiseram responder.
Sobre a suposta igualdade de tratamento, 62% discordam da afirmação de que o STF trata todos os investigados da mesma forma, independentemente de poder econômico ou político. Além disso, 41% discordam que as decisões do STF costumam ser justas.
Exigências de afastamento e impeachment dos ministros
Os números revelam divergências claras quanto ao destino dos magistrados citados. Em relação ao ministro Dias Toffoli, 60,5% defendem impeachment imediato, 26,1% consideram que o afastamento deve ocorrer apenas se houver comprovação de envolvimento, e 6,5% acreditam que ele não deve ser alvo de impeachment.
Para Alexandre de Moraes, 49,8% pedem impeachment imediato, 31,9% defendem que o afastamento dependa de prova concreta, e 15,1% opinam que ele não deve ser removido.
Essas respostas foram apresentadas em formato de lista para facilitar a visualização:
- Toffoli: 60,5% impeachment imediato; 26,1% afastamento condicionado; 6,5% sem impeachment.
- Moraes: 49,8% impeachment imediato; 31,9% afastamento condicionado; 15,1% sem impeachment.
Implicações para a política e o futuro da investigação
Os resultados sugerem que a percepção pública sobre o caso Master está profundamente ligada à confiança nas instituições democráticas. A maioria dos brasileiros parece acreditar que a falta de transparência e a suposta participação de membros do STF agravam a crise de legitimidade.
Especialistas apontam que, se o julgamento não conseguir restaurar a confiança, pode haver um aumento nas pressões por reformas institucionais, como maior controle externo sobre o Judiciário e mecanismos de accountability mais rígidos.
Por fim, a pesquisa, encomendada pelo Estado de S. Paulo, tem margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, o que confere robustez estatística aos achados e indica que o sentimento da população é representativo em nível nacional.








