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Black Pantera e Nervosa agitam o Rock in Rio 2026 com protestos contra o racismo e a escala 6×1

Na tarde de sábado, 5 de outubro de 2026, o Palco Sunset recebeu uma performance explosiva que combinou heavy metal, rap e mensagens de resistência. A apresentação contou com a energia de Black Pantera e a força vocal de Prika Amaral, da Nervosa, que juntos denunciaram o racismo e pediram o fim da chamada escala 6×1. O público, ainda que diverso, respondeu com sinalizadores e cantos de apoio, transformando o momento em um verdadeiro ato de protesto cultural.

A explosão sonora no Palco Sunset

Black Pantera abriu seu set com a faixa “Hórus”, lançada em 2026, que traz referências ao sincretismo religioso e abre com a frase “Em nome do pai, do filho e do preto santo”. A escolha da música não foi aleatória; ela já anunciava a intenção de mesclar crítica social e identidade afro‑brasileira.

Logo em seguida, a banda disparou para “Padrão É o Caralho”, lançada em 2022, cujo refrão afirma “Jesus não era branco, não era ariano. A vida começou no continente africano”. O público respondeu com cabeçadas sincronizadas, criando uma atmosfera de união e contestação.

Ao final da primeira parte, o vocalista gritou: “Fogo nos racistas. Queimem todos eles”, enquanto fãs acendiam sinalizadores que iluminavam o céu do Rio. O grito ecoou por todo o festival, reforçando a mensagem de combate ao ódio.

O repertório incluiu ainda “Continental”, do álbum homônimo lançado em 21 de agosto, que mistura rock pesado, rap, soul e sons afro‑brasileiros. Cada verso carregava um discurso firme em defesa da América do Sul e do Sul Global, reafirmando o compromisso da banda com causas sociais.

Em meio à sequência de músicas, a banda inseriu “Tradução”, que narra a rotina exaustiva de uma mãe que trabalha fora e não tem tempo para o filho. O vocalista dedicou a canção à sua própria mãe na plateia, dizendo: “Não sei onde você está, mãe, mas essa é pelo fim da escala 6×1, rapaziada”.

Mensagens de resistência e solidariedade

Desde o álbum de estreia “Project Black Pantera” (2015), o grupo tem mantido um discurso engajado. Passaram‑se por “Agressão” (2018), “Ascensão” (2022) e “PERPÉTUO” (2024), sempre com letras que questionam desigualdades e celebram a resistência.

Em 2020, lançaram “I Can’t Breathe”, inspirada no assassinato de George Floyd, reforçando seu posicionamento contra a violência policial. Essa tradição continuou no Rock in Rio, onde cada palavra parecia carregada de história.

  • Project Black Pantera (2015)
  • Agressão (2018)
  • Ascensão (2022)
  • PERPÉTUO (2024)
  • Continental (2026)

A presença de fãs vestindo camisetas com a frase “fogo nos racistas” nas costas demonstrou que a mensagem já havia se espalhado antes mesmo do show. Muitos desses apoiadores eram negros, reforçando a ideia de que a luta contra o racismo é coletiva.

Ao lado de Black Pantera, a vocalista Prika Amaral, da Nervosa, subiu ao palco para cantar “Serotonina” (2026), originalmente gravada com a rapper Duquesa. A mudança de timbre – de um vocal grave para um feminino – simbolizou a diversidade de vozes dentro do metal.

A presença marcante das mulheres no metal

Nervosa, fundada em São Paulo em 2010, retornou ao festival pela segunda vez, depois de sua estreia em 2019. A banda, que está em turnê para o álbum “Slave Machine” (lançado em abril), trouxe energia feminina ao set, incentivando a participação de meninas e mulheres.

Prika pediu: “Quero uma roda só de meninas. Abram, abram”. O público atendeu ao chamado, formando um círculo de mulheres que cantavam em uníssono, criando um momento de empoderamento visível.

Alguns homens presentes, vestindo camisetas da banda, abriram espaço para as mulheres, demonstrando solidariedade e reforçando a mensagem de igualdade de gênero dentro do cenário do heavy metal.

Além da música, a performance serviu como um lembrete de que o Rock in Rio pode ser palco de debates sociais. Ao combinar riffs intensos, batidas de rap e letras politizadas, Black Pantera e Nervosa mostraram que o metal também pode ser ferramenta de mudança.

O festival, que já se consolidou como um dos maiores eventos musicais do mundo, ganhou mais uma página histórica ao registrar esse ato de resistência. A imagem do vocalista gritando contra o racismo, enquanto o público iluminava o céu com sinalizadores, ficará marcada nas redes sociais por semanas.

Com cerca de 20 minutos de apresentação, a participação de Black Pantera no Rock in Rio 2026 consolidou sua terceira visita ao festival. Cada retorno traz novas camadas de engajamento, reforçando a reputação da banda como porta‑voz de causas sociais.

Por fim, a união entre Black Pantera e Nervosa demonstrou que a música pode transcender fronteiras de gênero, raça e estilo. O público saiu do Palco Sunset carregando não só a energia de um bom show, mas também a convicção de que a luta contra o racismo e a injustiça continua viva.

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