Na segunda‑feira, dia 9 de novembro, a cidade de Antália, na Turquia, abre as portas para a 31ª Conferência das Partes (COP31) da Convenção‑Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O encontro reúne governos, empresas e organizações da sociedade civil para discutir soluções climáticas globais, com foco especial na Amazônia e nas oportunidades de financiamento sustentável para a região.
Contexto da COP31 e a relevância da Amazônia
A COP31 chega em um momento crítico, com as metas de redução de emissões cada vez mais ambiciosas e a necessidade de alinhar desenvolvimento econômico e preservação ambiental. A Amazônia, que abriga cerca de 60% da biodiversidade brasileira, torna‑se palco de debates sobre como conciliar produção agrícola, infraestrutura e conservação.
Organizadores destacam que a conferência será um espaço para apresentar projetos de energia limpa, reflorestamento e transporte de baixo carbono. A presença de representantes de países latino‑americanos reforça o caráter multilateral do evento, permitindo a troca de experiências entre nações que compartilham desafios semelhantes.
O papel do Banco da Amazônia no financiamento verde
Convidado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), o Banco da Amazônia enviará uma delegação liderada pelo presidente Luiz Lessa e pelo diretor de Controle de Riscos e Relações com Investidores, Fábio Maeda. A missão da equipe é articular políticas públicas e privadas que facilitem o acesso a recursos financeiros competitivos para projetos sustentáveis.
Durante a COP31, o banco apresentará propostas de linhas de crédito verde voltadas para infraestrutura logística, como rodovias, ferrovias e portos que reduzam a emissão de gases de efeito estufa. As propostas incluem condições diferenciadas de juros, prazos mais longos e garantias vinculadas a metas de descarbonização.
- Taxas de juros reduzidas para projetos de energia renovável;
- Financiamento de até 10 anos para obras de transporte sustentável;
- Garantias atreladas ao cumprimento de metas de redução de emissões.
Além disso, o banco pretende criar um canal de diálogo permanente com investidores internacionais, facilitando a captação de recursos externos para a região amazônica. Essa estratégia busca ampliar o volume de recursos disponíveis e atrair capital privado comprometido com a agenda climática.
Resultados do Fundo Constitucional do Norte em 2026
Nos primeiros seis meses de 2026, o Fundo Constitucional do Norte (FNO) liberou 6,8 bilhões de reais em operações de crédito, dos quais 4,7 bilhões foram destinados a linhas de crédito verde. Esse número corresponde a quase 69% do total mobilizado, demonstrando a crescente demanda por financiamento sustentável na região.
Os recursos foram aplicados em projetos de energia solar, biogás, transporte ferroviário de carga e modernização de portos fluviais. Cada iniciativa recebeu acompanhamento técnico para garantir que os benefícios ambientais fossem mensuráveis e alinhados às metas da Agenda 2030.
Os resultados preliminares apontam para a geração de mais de 15 mil empregos diretos, redução de cerca de 2,3 milhões de toneladas de CO₂e e aumento da capacidade de energia renovável em 1,2 GW. Esses indicadores reforçam a eficácia das políticas de crédito verde como alavancas para o desenvolvimento econômico regional.
Perspectivas e próximos passos após a conferência
Com a conclusão da COP31, o Banco da Amazônia pretende consolidar as parcerias firmadas durante o evento e ampliar a oferta de linhas de crédito verde. Entre as prioridades está a expansão de financiamento para projetos de logística intermodal, que combinam transporte rodoviário, ferroviário e aquaviário de forma integrada.
Outra meta importante é a criação de um programa de capacitação para pequenos produtores e empreendedores locais, oferecendo orientação sobre acesso a crédito, gestão de riscos e certificação de projetos verdes. Esse programa visa democratizar o acesso a recursos e estimular a inovação nas comunidades amazônicas.
Finalmente, o banco anunciará um relatório anual de monitoramento climático, que incluirá indicadores de desempenho ambiental, social e econômico dos projetos financiados. O relatório será disponibilizado publicamente, reforçando a transparência e a prestação de contas perante a sociedade.
Em síntese, a participação do Banco da Amazônia na COP31 representa um marco na estratégia de alavancar recursos financeiros para a conservação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia. O sucesso das iniciativas de crédito verde pode servir de modelo para outras regiões tropicais que buscam equilibrar crescimento econômico e proteção ambiental.








