Na manhã desta quarta‑feira, 30 de outubro de 2024, o senador Rogério Marinho (PL‑RN) oficializou sua intenção de disputar a presidência do Senado, eleição marcada para 1º de fevereiro de 2027. O anúncio ocorreu em Brasília, durante um evento com a presença de lideranças do PL e do Novo.
Contexto político e a candidatura de Rogério Marinho
Marinho chegou ao Senado em 2019 e, ao longo dos últimos anos, consolidou uma bancada forte, atualmente a maior da Casa. Apesar da vantagem numérica, o senador reconhece que precisará de apoio externo para alcançar os 41 votos exigidos.
A decisão de concorrer surge em um momento de reconfiguração política nacional. A derrota de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais e sua subsequente mudança para os Estados Unidos deixaram o PL em uma posição de vulnerabilidade, exigindo novas alianças.
O candidato destacou que sua proposta de liderança busca “renovar a prática legislativa” e “fortalecer o papel de fiscalização do Senado sobre o Executivo”, argumentos que pretende usar para atrair parlamentares indecisos.
- Partidos que já manifestaram apoio: PL, Novo, Podemos.
- Partidos ainda em negociação: PSD, Republicanos, Cidadania.
- Possíveis aliados de oposição: PP, DEM, Solidariedade.
Além da disputa com Davi Alcolumbre (União‑AP), Marinho também tem que considerar a candidatura de Tereza Cristina (PP‑MS), que ainda não descartou a corrida e tem buscado apoio entre parlamentares que se mostram críticos tanto de Alcolumbre quanto de Marinho.
Desafios e estratégias de campanha
Um dos maiores obstáculos para Marinho é a necessidade de convencer membros da direita tradicional a romper com a aliança já consolidada entre Alcolumbre e partidos governistas. O senador tem enfatizado a importância de tornar públicas as intenções de voto, reduzindo o risco de surpresas na votação secreta.
Para isso, a equipe de campanha está investindo em encontros regionais, visitas a comissões e sessões de diálogo com lideranças de bancada. A estratégia inclui a criação de um comitê de apoio composto por senadores de diferentes siglas, visando demonstrar a capacidade de articulação transversal.
Outra tática adotada é a divulgação de um plano de ação que inclui:
- Reforma do regimento interno para maior transparência nas sessões.
- Ampliação da participação da sociedade civil nas audiências públicas.
- Fortalecimento da comissão de fiscalização de contas públicas.
Marinho também tem buscado apoio de figuras influentes fora do Congresso, como empresários do setor agropecuário e representantes de organizações não‑governamentais, para ampliar sua base de legitimidade.
Entretanto, a presença de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos tem gerado críticas internas ao PL, com alguns membros questionando a capacidade do partido de manter coesão sem a liderança de Bolsonaro no país.
Cenário eleitoral e perspectivas para 2027
A eleição para a presidência do Senado está prevista para 1º de fevereiro de 2027, data que marca o início de um novo ciclo legislativo. Alcolumbre, que busca a reeleição, tem o apoio de União Brasil, PP e de parte da bancada governista, o que lhe garante uma base sólida.
Por outro lado, a candidatura de Tereza Cristina pode fragmentar o bloco da direita, especialmente se ela conseguir atrair parlamentares que estejam insatisfeitos com a postura de Alcolumbre ou que considerem Marinho muito alinhado ao PL.
Analistas políticos apontam que a disputa será intensamente negociada nos bastidores, com acordos de voto que podem envolver concessões de cargos em comissões e apoio a projetos de lei específicos.
Em termos de projeções, se Marinho conseguir consolidar o apoio de ao menos 15 senadores fora de sua bancada, terá condições de desafiar Alcolumbre com força. Caso contrário, a tendência é que o atual presidente seja reeleito.
O cenário também é influenciado pela estabilidade do governo federal. A permanência de Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto favorece a articulação de Alcolumbre, que tem mantido uma relação de cooperação com o Executivo.
Por fim, a campanha de Marinho deverá enfatizar a necessidade de renovação e de maior fiscalização, temas que têm ressoado entre eleitores e parlamentares cansados de impasses legislativos.








