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Augusto Cury condiciona apoio a Flávio Bolsonaro à prova de ausência de corrupção no filme Dark Horse

Na manhã desta quinta‑feira, 10 de setembro, o candidato do Avante à Presidência, Augusto Cury, afirmou que poderá apoiar o senador Flávio Bolsonaro no eventual segundo turno das eleições, desde que o parlamentar comprove que não houve corrupção no financiamento do longa‑metragem “Dark Horse”. A declaração foi feita em São Paulo, durante a agenda de campanha do psicólogo‑autor, e chegou logo após a Polícia Federal iniciar a Operação Make Up, que investiga supostos desvios de recursos de emendas parlamentares ligados à produção do filme.

Contexto da Operação Make Up

A Operação Make Up foi deflagrada na madrugada de quinta‑feira e tem como foco principal a suspeita de desvio de verbas públicas destinadas a projetos culturais. Embora Flávio Bolsonaro não seja alvo direto da operação, seu nome aparece em outra investigação que apura a captação de recursos para o filme junto ao ex‑banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Os investigadores apontam que parte dos recursos teria sido direcionada a contas privadas, levantando dúvidas sobre a lisura do financiamento. Até o momento, não há indícios de que o senador tenha participado diretamente de atos ilícitos, mas a associação com Vorcaro gera pressão política.

  • 08/09 – Polícia Federal anuncia a Operação Make Up.
  • 09/09 – Mídia divulga suspeitas de vínculo entre Flávio Bolsonaro e a captação de recursos para “Dark Horse”.
  • 10/09 – Augusto Cury declara que exigirá comprovação de inexistência de corrupção antes de apoiar o senador.

Exigências de Augusto Cury ao senador Flávio

Durante a entrevista, Cury deixou claro que seu apoio está condicionado a duas comprovações essenciais. Primeiro, o senador deve apresentar documentos que detalhem a origem e o destino de todo o dinheiro investido na produção do filme. Segundo, Cury requer que Flávio assine, em cartório, o compromisso de implementar integralmente o plano de governo proposto pelo candidato avanteiro.

“Ele tem que provar que não tem corrupção. Ele tem que provar para onde foi o dinheiro do ‘Dark Horse’. Ele tem que pegar o meu plano de governo e, num cartório, assinar que vai executá‑lo”, disse Cury, enfatizando que a decisão será comunicada aos seus seguidores nas redes sociais.

O candidato do Avante também questionou a conduta de Flávio ao solicitar parte de um suposto débito a Vorcaro, que na época estava com tornozeleira eletrônica. “Essa promiscuidade com o Banco Master tem que ser resolvida, doa a quem doer”, acrescentou.

Repercussões nas pesquisas eleitorais

Os últimos dados da pesquisa Quaest, divulgados na terça‑feira, 8 de setembro, mostraram que Augusto Cury alcançou 8% das intenções de voto, consolidando a terceira colocação no primeiro turno. Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 36%, seguido por Flávio Bolsonaro com 29%.

O posicionamento de Cury pode influenciar o cenário eleitoral, já que seu eleitorado, estimado em cerca de 10 milhões de brasileiros, pode ser decisivo em um segundo turno apertado. A recusa em apoiar Lula, expressa de forma categórica, reforça a possibilidade de um bloco de centro‑direita e centro‑esquerda se reorganizar em torno de um candidato alternativo.

Analistas apontam que a exigência de transparência pode colocar Flávio Bolsonaro sob maior escrutínio, especialmente se documentos comprobatórios não forem apresentados dentro de um prazo curto. “A pressão pública pode gerar um efeito dominó nas alianças políticas”, alerta um especialista em comportamento eleitoral.

Cenário para o segundo turno

Se nenhum candidato obtiver maioria absoluta no primeiro turno, a disputa avançará para o segundo turno, onde alianças estratégicas serão fundamentais. Augusto Cury deixou claro que não pretende apoiar Lula, descrevendo a candidatura do presidente como “um pesadelo” para seu projeto político.

Ao mesmo tempo, o candidato avanteiro manteve a porta aberta para um possível acordo com Flávio Bolsonaro, desde que o senador cumpra as exigências de transparência. Essa postura pode gerar negociações intensas nos próximos dias, com partidos menores buscando garantir espaço em possíveis coalizões de governo.

Enquanto isso, a Operação Make Up segue em curso, e novos desdobramentos podem alterar rapidamente o panorama político. A expectativa é que a Polícia Federal conclua as primeiras fases da investigação nas próximas semanas, o que pode trazer novos documentos e depoimentos ao debate público.

Em resumo, a decisão de Augusto Cury representa mais um ponto de inflexão nas eleições de 2026, ao colocar a questão da integridade financeira no centro das negociações eleitorais. O desfecho dependerá não apenas das respostas de Flávio Bolsonaro, mas também da capacidade dos demais candidatos de construir narrativas que atendam às exigências de transparência e ética exigidas pelos eleitores.

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