Uma nova pesquisa da AtlasIntel divulgada nesta segunda‑feira (19) indica que a diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro no segundo turno está se reduzindo significativamente. O levantamento aponta 49,8% das intenções de voto para o senador e 47,6% para o presidente, mostrando um estreitamento de 2,2 pontos percentuais em relação ao último estudo.
Cenário da disputa no segundo turno
A margem de vantagem de Lula, que antes era de 5,4 pontos, diminuiu para apenas 2,2 pontos, segundo os números apresentados. Esse recuo ocorre em um momento crítico, quando ambas as campanhas intensificam suas estratégias de mobilização e alianças regionais. A pesquisa também evidencia que Flávio Bolsonaro ainda lidera em todas as regiões do país, exceto no Nordeste, onde Lula conseguiu virar o placar.
O Nordeste desponta como o ponto forte da campanha lulaista, com um avanço de cinco pontos percentuais entre os eleitores da região. Já no Sul, o presidente ganhou cerca de dois pontos, enquanto no Sudeste a situação se manteve estável em comparação ao levantamento anterior. Essa variação regional destaca a importância de ajustes táticos nas campanhas de ambos os candidatos.
Análises de desempenho por segmento
O diretor de Análise Política da AtlasIntel, Yuri Sanches, aponta que o recuo de Lula está concentrado em grupos específicos do eleitorado. Entre as mulheres, o candidato avançou cinco pontos, enquanto entre os homens registrou uma leve queda. Essa diferença de gênero tem sido explorada por Flávio Bolsonaro, que consegue captar parte do eleitor masculino que se sente menos atraído pela mensagem lulaista.
Além da divisão por gênero, a pesquisa detalha o comportamento de eleitores que apoiaram outros candidatos no primeiro turno. Os eleitores de Renan Santos estão praticamente divididos: 33% tendem a votar em Flávio, 31,9% em Lula e 34,6% permanecem indecisos ou optam por voto branco/nulo. Já os eleitores de Cabo Daciolo (Caiado) mostram forte inclinação para Flávio, com 69,8% migrando para o candidato bolsonarista.
Os que votaram em Augusto Cury apresentam tendência oposta, com 52,1% indicando preferência por Lula. Entre os eleitores que deixaram o voto em branco ou nulo no primeiro turno, 38,7% agora consideram Flávio, 21,1% inclinam‑se a Lula e 40,2% ainda permanecem indecisos. No grupo de abstencionistas, 55,7% sinalizam apoio a Lula, enquanto 40,2% apontam para Flávio.
- Mulheres: +5 pontos para Lula
- Homens: leve queda para Lula
- Nordeste: avanço de 5 pontos para Lula
- Sul: +2 pontos para Lula
- Sudeste: estabilidade
Estratégias de campanha e eleitores indecisos
Segundo Sanches, a diferença entre as campanhas também reside no nível de engajamento. Flávio Bolsonaro tem focado na consolidação de alianças com prefeitos e governadores eleitos no primeiro turno, o que lhe confere uma sensação de tranquilidade e estabilidade estratégica. Essa abordagem tem permitido ao candidato manter uma presença constante nos bastidores políticos.
Lula, por outro lado, mudou sua estratégia de comunicação, reforçando a campanha digital e intensificando a mobilização nas ruas. O analista destaca que o desempenho no primeiro turno serviu como um alerta, impulsionando a militância a redobrar esforços e a campanha a adotar mensagens mais incisivas nas redes sociais.
A campanha digital de Lula ganhou eficácia, com maior produção de conteúdo audiovisual, uso de micro‑influenciadores e segmentação de mensagens por faixa etária e região. Essa nova postura tem ajudado a reconquistar eleitores que antes estavam afastados ou indecisos, especialmente nas áreas urbanas do Nordeste e do Sul.
Um ponto central nas análises de Sanches é a importância de convencer o eleitor que ainda não definiu sua escolha. As campanhas precisam não só apresentar argumentos favoráveis, mas também construir narrativas que neutralizem a rejeição ao adversário. Exemplos citados incluem a defesa da soberania nacional por Lula e a tentativa de associar Flávio Bolsonaro a uma suposta submissão aos Estados Unidos.
Redes sociais, debates televisivos e cortes de entrevistas são ferramentas que ambas as campanhas utilizam para reforçar suas narrativas de rejeição. Enquanto Lula procura associar sua mensagem à proteção da soberania e ao combate à desigualdade, Flávio aposta em críticas à política externa do governo e em ataques à suposta falta de segurança pública.
Em resumo, a pesquisa AtlasIntel mostra que a corrida eleitoral está mais equilibrada do que indicavam os últimos levantamentos. O estreitamento da diferença de votos, aliado ao desempenho diferenciado por gênero, região e segmento de eleitores, aponta para uma disputa acirrada nos próximos dias. O resultado final dependerá, em grande parte, da capacidade de cada campanha de mobilizar seus eleitores base e de conquistar os indecisos, especialmente aqueles que votaram em branco, nulo ou que abstiveram no primeiro turno.








