Entre os dias 9 e 14 de outubro, a empresa de sondagens AtlasIntel realizou uma pesquisa nacional que simula um segundo turno da eleição presidencial de 2026 entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O estudo, que foi aplicado em todo o território brasileiro, busca mapear a percepção dos eleitores sobre os dois candidatos, suas áreas de confiança e os temas que consideram prioritários.
Contexto da nova pesquisa AtlasIntel
A iniciativa surge em um momento de intensas discussões sobre a polarização política no país e a possibilidade de um embate direto entre o ex‑presidente Lula e o filho do ex‑presidente Jair Bolsonaro. Ao colocar a hipótese de um segundo turno, a AtlasIntel pretende oferecer dados que ajudem partidos, analistas e a própria sociedade a entender as dinâmicas eleitorais em curso. O levantamento cobre todas as regiões brasileiras, garantindo representatividade de estados, capitais e áreas rurais.
Além de medir a intenção de voto, a pesquisa também investiga a rejeição dos candidatos, o grau de definição do eleitorado e a avaliação de lideranças locais, como governadores e prefeitos. Esses indicadores são fundamentais para identificar possíveis mudanças de comportamento até a data da eleição oficial.
Metodologia e perguntas‑chave
O questionário adotou perguntas fechadas que permitem comparar diretamente as preferências por Lula ou Flávio Bolsonaro. Os entrevistados escolheram entre as opções: votar em Flávio Bolsonaro, votar em Lula, voto em branco, voto nulo ou ainda declarar indecisão. Em seguida, foram solicitados a indicar qual dos dois candidatos rejeitam mais para a Presidência da República.
Para avaliar a firmeza da decisão, a pesquisa perguntou se a escolha do eleitor estava totalmente definida, se havia uma inclinação que ainda poderia mudar ou se ainda não havia tomado decisão. Essa segmentação ajuda a distinguir eleitores firmes daqueles que ainda podem ser persuadidos por campanhas ou acontecimentos recentes.
Outras questões abordaram a aprovação ou desaprovação do desempenho de Lula, do governador do estado do entrevistado e do prefeito da cidade, bem como a avaliação qualitativa desses governantes, variando de ótimo a péssimo.
Temas avaliados e áreas de confiança
Um dos pontos centrais do levantamento foi a confiança atribuída a cada candidato em diferentes áreas de governo. Os entrevistados foram convidados a classificar a confiança em Lula e em Flávio Bolsonaro nos seguintes campos:
- Economia e inflação
- Saúde
- Educação
- Criminalidade e tráfico de drogas
- Combate à corrupção
- Política externa
- Impostos e equilíbrio fiscal
- Promoção da democracia
- Geração de empregos
- Redução da pobreza
- Infraestrutura
- Proteção do meio ambiente
Além disso, a pesquisa pediu que os entrevistados listassem até três dos principais problemas do Brasil. As opções incluíram:
- Saúde e educação
- Criminalidade e tráfico de drogas
- Corrupção e extremismo político
- Desigualdade social e pobreza
- Economia e inflação
- Desgaste da democracia e polarização
- Equilíbrio fiscal e carga tributária
- Desemprego e geração de renda
- Degradação ambiental e mudanças climáticas
- Violência contra a mulher
Outra camada de análise envolveu a percepção sobre a imagem de lideranças políticas, como Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro, Geraldo Alckmin, Janja, Davi Alcolumbre, Hugo Motta, Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos. Cada nome foi avaliado como positivo ou negativo.
Implicações para o cenário político
Os resultados apontam que a preocupação dos eleitores varia conforme o possível desfecho da eleição. A pesquisa perguntou qual cenário gera mais apreensão: a reeleição de Lula, a vitória de Flávio Bolsonaro, ambos igualmente ou nenhum dos dois. Essa métrica ajuda a entender quais temores podem influenciar a mobilização de eleitores nos próximos meses.
Além disso, a sondagem investigou como os eleitores se posicionam ideologicamente, oferecendo opções que vão de esquerda lulista a direita bolsonarista, passando por centro e outras nuances. Esse mapeamento ideológico permite cruzar a intenção de voto com a autodeclaração de posicionamento político.
O estudo também avaliou a percepção da situação econômica do país, do mercado de trabalho e das finanças familiares, bem como as expectativas para os próximos seis meses. Os entrevistados indicaram se esperam melhora, piora ou estabilidade nos indicadores econômicos.
Sobre consumo, a pesquisa perguntou se os eleitores pretendem aumentar, reduzir ou manter o volume de compras de bens duráveis, como eletrodomésticos e veículos, e como avaliam a evolução dos preços nos últimos seis meses. Essas informações são úteis para prever o comportamento de demanda e a sensibilidade a políticas de estímulo econômico.
Um módulo específico analisou a avaliação dos programas do governo Lula, como o arcabouço fiscal, a reforma tributária, o programa Gás do Povo, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, o programa Desenrola e iniciativas de emprego, crédito e privatizações. Os participantes classificaram cada medida como acerto ou erro, oferecendo um panorama de apoio ou crítica a políticas concretas.
Por fim, a sondagem incluiu perguntas sobre a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e seu impacto na candidatura de ambos os concorrentes. A percepção de que a instabilidade institucional pode prejudicar mais um candidato do que o outro pode influenciar a narrativa dos partidos e a estratégia de campanha.
Em síntese, a pesquisa da AtlasIntel oferece um panorama detalhado das preferências, temores e avaliações dos eleitores brasileiros diante de um possível segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro. Os dados revelam não apenas quem tem a vantagem momentânea, mas também quais temas e áreas de governo podem mudar o rumo da disputa nos próximos meses.








