A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começou nesta terça‑feira, 22 de setembro de 2026, na cidade de Nova Iorque, marcando a 81ª sessão anual do organismo. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi o primeiro líder a subir ao púlpito, seguido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Contexto da crise na ONU
Esta edição da Assembleia ocorre em meio a uma crise existencial que ameaça a própria credibilidade da instituição. Cortes orçamentários recorrentes têm limitado a capacidade de atuação da ONU em áreas críticas, como ajuda humanitária e missões de paz.
Além da questão financeira, a organização enfrenta um ataque coordenado de críticos que questionam sua relevância no cenário geopolítico atual. Entre os principais opositores está o presidente dos EUA, que tem usado sua influência para pressionar reformas estruturais consideradas por muitos como debilitadoras.
O secretário‑geral da ONU, António Guterres, aproveitou a abertura da sessão para fazer um apelo direto à comunidade internacional, pedindo que os Estados‑Membros reconheçam a importância de manter o organismo financiado e politicamente independente.
Lula abre a sessão: principais pontos do discurso
O discurso de Lula, transmitido ao vivo para milhões de telespectadores, concentrou‑se em três eixos fundamentais: a defesa do multilateralismo, a soberania nacional dos países em desenvolvimento e a necessidade de uma agenda climática ambiciosa.
Ele ressaltou que o Brasil, como maior nação da América Latina, tem um papel histórico de mediador em conflitos regionais e globais, e que essa tradição deve ser ampliada dentro da ONU.
Ao abordar a crise climática, Lula enfatizou que os países ricos precisam cumprir suas promessas de financiamento para a adaptação e mitigação nos países vulneráveis, sob pena de aprofundar desigualdades já existentes.
O presidente também fez um convite explícito à renovação dos pactos de comércio justo, argumentando que o comércio internacional deve ser um instrumento de desenvolvimento sustentável, e não apenas de lucro.
Reações internacionais e o papel dos EUA
Após o discurso de Lula, Donald Trump subiu ao palco, adotando um tom mais agressivo e centrado em interesses nacionais. Trump criticou o que chamou de “burocracia inflada” da ONU e prometeu que os EUA buscarão reformas que aumentem a eficiência do organismo.
Vários países europeus, como a Alemanha e a França, reagiram com cautela, destacando a importância de manter a cooperação multilateral, mas também reconhecendo a necessidade de mudanças estruturais.
Na Ásia, a China aproveitou a ocasião para reforçar seu compromisso com a ONU, mas ao mesmo tempo sugeriu a criação de novos mecanismos de governança que incluam mais representantes de economias emergentes.
Organizações da sociedade civil, representadas por ONGs ambientais e de direitos humanos, emitiram comunicados pedindo que os líderes mundiais não usem a crise financeira como pretexto para reduzir o alcance da ONU.
O que esperar nos próximos dias
Nos próximos dias, a agenda da Assembleia incluirá debates sobre a reforma do Conselho de Segurança, a aprovação do orçamento de 2027 e a apresentação de iniciativas de paz em conflitos ainda não resolvidos, como a crise na África Central.
Especialistas apontam que a posição dos países em desenvolvimento será decisiva para definir o rumo das reformas, já que eles representam a maioria dos votos na Assembleia Geral.
Além disso, a comunidade internacional acompanhará de perto a negociação de acordos climáticos, que deverão ser alinhados com os objetivos do Acordo de Paris e com as demandas de justiça climática.
Em suma, a 81ª Assembleia Geral da ONU promete ser um ponto de inflexão, onde a tensão entre a necessidade de reforma e a preservação dos princípios fundadores do organismo será intensamente debatida.








