A pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta segunda‑feira (19) mostrou que apenas 31% dos americanos aprovam a gestão do presidente Donald Trump, enquanto 66% se declaram desaprovadores. O resultado foi registrado a menos de duas semanas das eleições de meio de mandato, previstas para 3 de novembro de 2026, em todo o território dos Estados Unidos. Esse cenário coloca o mandatário em uma posição historicamente baixa dentro da série de avaliações de sua administração.
Contexto político das midterms de 2026
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, são realizadas na primeira terça‑feira de novembro e servem para definir a composição da Câmara dos Representantes e do Senado. Em 2026, mais de 150 milhões de eleitores deverão comparecer às urnas, buscando escolher 435 representantes e 34 senadores. O resultado dessas eleições tem potencial de mudar drasticamente o equilíbrio de poder no Congresso, afetando diretamente a capacidade do presidente de avançar sua agenda legislativa.
Atualmente, o Partido Republicano, liderado por Trump, mantém a maioria em ambas as casas, mas as pesquisas apontam uma tendência de recuperação dos democratas. Caso os democratas conquistem o controle das duas câmaras, o presidente enfrentará um bloqueio institucional ainda mais intenso, o que pode comprometer projetos como a reforma tributária e a política de imigração.
Desempenho nas pesquisas de aprovação
Além da pesquisa Reuters/Ipsos, outros agregadores confirmam a queda acentuada nos índices de aprovação. O estatístico Nate Silver, da FiveThirtyEight, registrou 60,6% de desaprovação e 36,3% de aprovação em seu painel de sondagens. Esses números representam alguns dos piores resultados da história das pesquisas de Trump, superando inclusive a marca de 31% de aprovação atingida na quarta‑feira (21) – a menor de toda a série.
Outras pesquisas publicadas nos últimos dias reforçam o cenário negativo:
- The New York Times/Siena (19/10)
- Echelon Insights (19/10)
- Verasight/Strength in Numbers (19/10)
- Fox News/Beacon Research/Shaw & Co. Research (12/10)
Em todas elas, a desaprovação supera a aprovação, indicando um consenso amplo entre os institutos de pesquisa de que a popularidade de Trump está em declínio.
Principais fatores de desaprovação
Os eleitores apontam, de forma recorrente, duas áreas como as mais problemáticas na gestão de Trump: a economia e o custo de vida. A inflação, impulsionada por políticas como o aumento de tarifas sobre importações e a escalada de conflitos internacionais, tem corroído o poder de compra das famílias americanas.
Um exemplo citado nas pesquisas é a guerra contra o Irã, que elevou o preço dos combustíveis e pressionou ainda mais a inflação. Quando questionados sobre a condução da economia, 68% dos respondentes avaliaram negativamente a atuação do presidente, segundo o agregador de Nate Silver.
Na questão da imigração, tradicional bandeira de Trump, a desaprovação também predomina, embora em menor grau: 56,2% dos entrevistados desaprovam as políticas migratórias, enquanto 41,1% aprovam. Essa avaliação ainda é desfavorável, mas indica que a questão migratória não é tão decisiva quanto a econômica.
Outros fatores que contribuíram para a queda de popularidade incluem:
- Escalada de tensões diplomáticas com países do Oriente Médio.
- Percepção de autoritarismo nas decisões executivas.
- Críticas ao manejo da crise de energia e ao aumento de tarifas.
Esses elementos, combinados, criam um clima de insatisfação que se reflete nos números de desaprovação recorde.
Implicações para o Congresso e estratégia de Trump
As midterms são cruciais para a agenda de Trump porque o controle do Congresso determinará se suas propostas poderão ser aprovadas ou bloqueadas. Caso os democratas assumam a maioria, projetos como a reforma fiscal e a ampliação de incentivos à energia tradicional poderão ser dificultados ou revogados.
Em resposta ao panorama desfavorável, Trump tem adotado uma estratégia de campanha intensiva, percorrendo o país quase diariamente para participar de comícios. Em um dos últimos eventos, prometeu um bônus de até US$ 5 mil para cada adulto americano caso os republicanos vençam as eleições, numa tentativa de mobilizar eleitores indecisos.
Além disso, o presidente tem apoiado mudanças nos mapas eleitorais – o chamado “gerrymandering” – em estados-chave, buscando criar distritos mais favoráveis ao Partido Republicano. Essa prática tem gerado críticas de grupos de direitos civis, que argumentam que tal manipulação pode distorcer a representação democrática.
Outra medida adotada por Trump foi a intensificação de investimentos em mídia digital e em campanhas de desinformação, visando influenciar a opinião pública nas semanas que antecedem o voto. Analistas de comunicação apontam que essas táticas podem aumentar a polarização, mas têm eficácia limitada quando a desaprovação supera 60%.
Em síntese, a combinação de índices de aprovação historicamente baixos, fatores econômicos adversos e a pressão de uma eleição de meio de mandato altamente competitiva coloca Trump em uma situação delicada. O futuro político do presidente dependerá não apenas dos resultados das urnas, mas também da capacidade de reverter a percepção negativa entre os eleitores indecisos.
Os próximos dias serão decisivos para observar se a estratégia de campanha intensiva conseguirá mudar a maré de desaprovação ou se o presidente continuará a enfrentar um cenário de rejeição sem precedentes na história recente dos Estados Unidos.








