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Análise das pesquisas da Quaest revela nuances no duelo Lula x Flávio nas eleições presidenciais

Em 26 estados brasileiros, as pesquisas de opinião realizadas pela Quaest nesta semana apontam um quadro de empates no agregado nacional, mas revelam divergências marcantes entre as intenções de voto para Luiz Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato à direita, Flávio Dino. Os dados foram coletados entre os dias 20 e 24 de setembro de 2026, com a inclusão do Datafolha no Piauí, e mostram como o mapa eleitoral está se configurando para o primeiro turno da disputa presidencial.

Cenário geral das pesquisas

A análise do levantamento indica que o Brasil está dividido em três grandes blocos eleitorais. Lula lidera em dez estados, concentrando‑se no Nordeste completo e no Amapá, enquanto Flávio está à frente em oito unidades da região Sudeste, Sul e Centro‑Oeste. Nove estados permanecem dentro da margem de erro, entre eles São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o que evidencia a importância dos eleitores indecisos.

A correlação entre as intenções de voto atuais e os resultados do primeiro turno de 2022 permanece extremamente alta. Para Lula, o coeficiente é de 0,98, indicando que seu eleitorado está praticamente replicando a votação de quatro anos atrás. Do lado da direita, a correlação de 0,95 entre Flávio e o desempenho de Jair Bolsonaro em 2022 demonstra que a base conservadora manteve sua fidelidade, apesar da mudança de nome.

  • Estados onde Lula lidera: Maranhão (+7), Bahia (+6), Paraíba (+4), Sergipe (+4) e Amapá (+6).
  • Estados onde Flávio supera Bolsonaro: Rondônia (+6), Mato Grosso (+5), Pará (+4) e até a Bahia (+5).
  • Estados com empates críticos: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro.

Desempenho por regiões

No Nordeste, o candidato à esquerda reforça sua vantagem, ampliando margens em Maranhão, Bahia, Paraíba e Sergipe. Fora da região, as variações são mínimas, oscilando entre -3 pontos (Goiás e Tocantins) e +3 pontos (Distrito Federal), exceto o Amapá, que registra um aumento de +6 pontos.

Flávio, por sua vez, registra ganhos nos estados do Norte e Centro‑Oeste, como Rondônia (+6), Mato Grosso (+5) e Pará (+4). Contudo, perde terreno nos locais onde a direita tem alternativas regionais fortes, como o Distrito Federal (-8), Goiás (-6) e nos estados do Sul como Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo (-3).

Os eleitores independentes, que representam de 24% a 36% do eleitorado estadual, são decisivos. Eles atingem seu pico no Rio de Janeiro (36%) e no Amazonas (35%), além de Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás (33%).

Eleitores indecisos e fatores de influência

A aprovação do governo federal aparece como um dos principais explicativos para o mapa. Enquanto há saldo positivo de aprovação no Nordeste, no Amazonas (+7) e no Pará (+4), o Centro‑Sul registra avaliações negativas. Minas Gerais e Tocantins apresentam empates, tornando-os estados‑chave.

O medo também organiza o voto: quase 60% dos eleitores do Nordeste temem a volta da família Bolsonaro, enquanto no Norte e Sul até 64% temem um segundo mandato de Lula. Esse medo duplo chega a 8% em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás, áreas onde a disputa é mais acirrada.

Mesmo nos estados onde Lula está empatado ou atrás, ele ainda é percebido como favorito. Em São Paulo, 50% dos entrevistados acreditam que ele vencerá, contra 35% que apontam Flávio. No Rio de Janeiro, a diferença é de 49% a 37%, e no Paraná, 44% a 40%.

A volatilidade dos eleitores varia entre 11% e 23% entre os que já declararam voto, indicando que ainda há espaço para mudanças de última hora. Os estados mais voláteis são Paraná (23%), Amapá (21%), São Paulo e Santa Catarina (20%), Minas Gerais e Distrito Federal (19%).

Segundo o critério mais rigoroso – líder acima da soma dos demais e fora da margem de erro – sete estados já têm um provável vencedor no primeiro turno: Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Outros quatorze estados ainda permanecem dentro da margem de erro.

Entretanto, a aprovação estadual não se converte automaticamente em voto. Em todos os estados, o candidato do governo tem menos votos do que a aprovação do próprio governo. O caso mais extremo é o Paraná, onde cerca de 80% aprovam o governador, mas o candidato ao governo recebe apenas 20% das intenções de voto.

A indecisão ainda é alta nas pesquisas para governador, variando de 18% no Amapá a 65% no Mato Grosso. Em treze estados, mais da metade dos eleitores ainda não citam nenhum nome para o cargo, reforçando a importância da campanha nas próximas semanas.

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