Em São Paulo, durante a 5ª edição da J. Safra Investment Conference, Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, acusou Flávio Bolsonaro de representar um risco de “mexicanização” do país ao potencialmente espalhar a cultura das milícias. A fala ocorreu nesta semana, em meio à reta final da campanha presidencial de 2022, quando Lula e Flávio lideram as pesquisas isoladamente.
Contexto da campanha e a estratégia do PT
Nas últimas semanas antes do primeiro turno, o Partido dos Trabalhadores tem intensificado o uso de peças publicitárias nas redes sociais. Essas mensagens associam o candidato do PL a grupos criminosos, sobretudo as milícias do Rio de Janeiro, buscando desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro.
O objetivo da estratégia é criar um vínculo entre o candidato e a violência organizada, reforçando a narrativa de que seu governo poderia legitimar práticas ilícitas. Essa tática tem sido recorrente nas campanhas eleitorais brasileiras, mas ganhou nova força neste pleito devido à polarização crescente.
As acusações de Mercadante
Durante sua intervenção, Mercadante afirmou que a possível vitória de Flávio Bolsonaro poderia “nacionalizar a cultura da milícia”. Segundo ele, a infiltração de organizações criminosas no Rio de Janeiro seria apenas o ponto de partida para uma expansão nacional.
O presidente do BNDES citou o passado de Flávio, lembrando que, quando ainda era deputado estadual, o filho de Jair Bolsonaro empregou sua mãe e a então esposa do ex‑capitão do BOPE Adriano da Nóbrega em seu gabinete. Adriano, conhecido como o “homem‑forte” do Escritório do Crime, foi morto em troca de tiros com a polícia da Bahia em 2020.
Mercadante ainda questionou: “Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime, que apoiou ali seis governadores que foram afastados. Vamos trazer essa cultura para os corações do país?”. A frase ecoou entre os participantes da conferência, gerando reações imediatas nas redes sociais.
O discurso de Flávio Bolsonaro sobre segurança
Flávio Bolsonaro tem adotado um discurso de linha dura na segurança pública, inspirado no modelo de Donald Trump nos Estados Unidos. Ele classifica o PCC, o Comando Vermelho e as milícias como “narcoterroristas” e promete combater essas organizações com medidas rigorosas.
Ao mesmo tempo, o candidato critica Lula por supostamente “passar a mão na cabeça” dos integrantes dessas facções, acusando o presidente de ceder às pressões da Casa Branca. Essa retórica busca reforçar a imagem de Flávio como o “defensor da ordem”.
Entretanto, a associação feita por Mercadante e pelo PT sugere que o histórico familiar de Flávio, ligado a figuras controversas, poderia comprometer a integridade das instituições caso ele fosse eleito.
Repercussões e análises políticas
Especialistas em ciência política apontam que a campanha de deslegitimação por meio de acusações de crime organizado pode influenciar eleitores indecisos. A “mexicanização” citada por Mercadante alude ao medo de que o Brasil siga um caminho de impunidade e corrupção semelhante ao que alguns observadores associam ao México.
Analistas de comunicação ressaltam que o uso de termos como “cultura da milícia” e “mexicanização” cria uma narrativa de perigo iminente, que pode ser eficaz em um cenário de alta insegurança pública. O risco, porém, é que tais mensagens reforcem a polarização e dificultem o debate sobre políticas concretas.
Nas redes sociais, a reação foi imediata. Usuários dividiram-se entre aqueles que apoiam a crítica de Mercadante e os que consideram a acusação uma manobra política. Vários perfis de apoio a Flávio Bolsonaro denunciaram a fala como “difamação” e “politicamente motivada”.
- Partido dos Trabalhadores: intensifica a campanha de deslegitimação.
- Flávio Bolsonaro: mantém discurso de segurança inspirado nos EUA.
- Aloizio Mercadante: alerta para risco de expansão das milícias.
- Eleitores indecisos: podem ser influenciados pelas narrativas de perigo.
- Redes sociais: palco de confrontos entre apoiadores e críticos.
O debate sobre a segurança pública no Brasil permanece central na disputa eleitoral. Enquanto o PT foca em denunciar supostos vínculos de Flávio Bolsonaro com o crime organizado, o candidato do PL aposta em uma postura firme contra o tráfico e as facções.
Com o primeiro turno se aproximando, a intensidade das campanhas de comunicação deve aumentar, e as acusações de Mercadante podem servir como ponto de partida para novos ataques políticos. O resultado das eleições, entretanto, dependerá de como o eleitorado interpretará essas narrativas em meio a outras questões econômicas e sociais.








