Um levantamento do Monitor do Debate Político no Meio Digital, vinculado à Universidade de São Paulo, revelou que 34.700 eleitores foram às urnas entre as 17h e as 19h do domingo, quando a votação foi estendida por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF. O estudo demonstra que esses eleitores não foram decisivos para o placar final, já que a diferença entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) superou quatro milhões de votos.
Prorrogação da votação e seu impacto
A prorrogação foi solicitada inicialmente pela coligação do PT, que apontou falhas no transporte público em diversas cidades, especialmente na Bahia, onde a Justiça Eleitoral chegou a prender o secretário de Transportes. Em seguida, o pedido foi ampliado para todo o país, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro também requereu adiamento em dezenove municípios, alegando chuvas intensas.
O STF, por meio do ministro Zanin, determinou que a votação fosse estendida até as 19h em todas as localidades, gerando controvérsia nas zonas eleitorais que já haviam lacrado as urnas. Segundo a legislação, urnas fechadas não podem ser reabertas, o que levantou dúvidas sobre a legalidade da medida e sobre a igualdade de condições entre os eleitores.
- Solicitação da coligação do PT por falhas no transporte.
- Ampliação do pedido para todo o território nacional.
- Reclamação de Flávio Bolsonaro por condições climáticas adversas.
- Decisão do STF que estendeu o horário de votação.
Análise dos números e a margem de vitória
O levantamento indica que, mesmo que todos os 34.700 eleitores que votaram na prorrogação tivessem escolhido Flávio Bolsonaro, a diferença de 4.430.191 votos a favor de Lula seria ainda maior que 128 vezes o total desses eleitores. Esse cálculo demonstra que a prorrogação não foi capaz de mudar o resultado final da disputa.
Da mesma forma, não há como atribuir a vitória de Lula ao voto desses eleitores, já que a margem de vantagem supera em muito o número de votos adicionais. A matemática deixa claro que o resultado já estava definido antes da extensão do horário.
Esses dados foram divulgados para desmistificar a narrativa de que a prorrogação teria sido decisiva, reforçando a legitimidade do processo eleitoral e a robustez do sistema de apuração.
Reações políticas e consequências jurídicas
Flávio Bolsonaro, ao reconhecer a derrota, contestou o processo, alegando que a mudança nas regras durante a votação violou princípios de isonomia. Em seu discurso, o senador afirmou que recorrerá ao jurídico para solicitar a anulação das eleições, acusando o STF de favorecer o adversário.
Embora não tenha questionado diretamente os votos da prorrogação, Bolsonaro argumentou que a decisão de reabrir urnas já lacradas comprometeu a igualdade de oportunidades para eleitores em diferentes estados. Ele descreveu a situação como “uma quebra total de isonomia”.
A coligação do PT, por sua vez, manteve que a medida foi necessária para garantir o direito ao voto de eleitores que enfrentavam dificuldades logísticas. O pedido ao STF visava evitar a exclusão de milhares de cidadãos, reforçando o princípio democrático de voto universal.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permaneceu inerte diante das solicitações, o que levou a coligação de Lula a recorrer ao STF. A decisão do ministro Zanin acabou por consolidar a prorrogação, mas também gerou debates sobre a competência e a imparcialidade das instituições judiciais.
Até o momento, não há indicações de que o pedido de anulação avançará, já que os números apresentados pelo Monitor do Debate Político no Meio Digital indicam claramente que a margem de vitória não poderia ser revertida pelos votos da prorrogação.








