Uma ameba encontrada no Parque Nacional Vulcânico Lassen, na Califórnia, EUA, revelou a capacidade de viver em temperaturas superiores a 64 °C. A descoberta foi publicada em 2024, após pesquisa financiada pela NASA e divulgada na revista Cell.
O habitat extremo do Parque Nacional Lassen
O parque abriga fumarolas, fontes termais e antigos vulcões que criam um ambiente de calor intenso. As águas dessas fontes podem ultrapassar os 70 °C, formando um cenário ideal para organismos extremófilos.
Essas condições são tão severas que a maioria das formas de vida terrestre não consegue sobreviver. No entanto, a ameba Incendiamoeba cascadensis desenvolveu mecanismos únicos para enfrentar o calor extremo.
Características biológicas da Incendiamoeba cascadensis
Trata‑se de um eucarioto, ou seja, possui núcleo definido e organelas especializadas. Esse fato a diferencia de procariontes mais simples, que não têm núcleo e costumam tolerar temperaturas ainda mais altas.
A ameba permanece viável até 64 °C, mas sua reprodução cessa a partir de 63 °C. Esse limite indica que, embora as células sobrevivam, o ciclo de divisão celular é interrompido pelo calor.
- Temperatura máxima de sobrevivência: 64 °C
- Ponto de parada da reprodução: 63 °C
- Ambiente natural: fontes termais do Parque Lassen
Implicações para a astrobiologia
Estudar organismos que vivem nos limites da vida ajuda a compreender a possibilidade de vida em outros planetas. Astrobiólogos analisam como I. cascadensis protege suas proteínas e membranas contra o calor.
Em temperaturas acima de 62 °C, as membranas eucariotas costumam se desestabilizar. A ameba, porém, mantém a integridade das membranas, desafiando a teoria anterior.
Os pesquisadores sequenciaram o genoma da ameba e identificaram genes que aumentam a expressão de proteínas chaperonas, responsáveis por impedir o dobramento inadequado das proteínas.
Desafios e perspectivas futuras
O estudo abre caminho para buscar outros eucariotos que prosperem em ambientes extremos. “Esperamos que a descoberta do I. cascadensis encoraje mais investigações sobre eucariotos termofílicos”, afirmou o autor principal, Beryl Rappaport.
Além da curiosidade científica, essas descobertas podem inspirar biotecnologias que exigem resistência ao calor, como processos industriais e desenvolvimento de novos medicamentos.
O próximo passo da equipe é analisar como os genes de resistência ao calor interagem com outras vias metabólicas, potencialmente revelando estratégias de adaptação ainda desconhecidas.








