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Aliados de Hugo Motta mobilizam apoio para garantir sua permanência na presidência da Câmara enquanto o Centrão busca autopreservação

Na manhã desta terça‑feira (13), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos‑PB), iniciou uma série de articulações para assegurar sua reeleição, com negociações que já se desenrolam nos bastidores de Brasília. A disputa pela sucessão no comando da Casa está marcada para fevereiro de 2025, mas os preparativos começaram muito antes, envolvendo lideranças de partidos centrais e da direita.

O cenário político e a estratégia de autopreservação do Centrão

Nos últimos anos, o Centrão consolidou‑se como o bloco que impede um alinhamento automático entre o Legislativo e o Executivo, permitindo que emendas parlamentares prosperem e que o Congresso exerça maior autonomia. Essa autonomia, porém, está sendo reavaliada diante do avanço da bancada da direita, que tem conquistado cadeiras adicionais em cada eleição.

Os dirigentes do Centrão temem que a expansão do bolsonarismo possa transformar o Congresso em um braço direto do Executivo, reduzindo a capacidade de barganha que historicamente tem garantido benefícios regionais e setoriais. Por isso, eles adotam uma postura de “autopreservação”, buscando manter o equilíbrio de poder dentro da Casa.

Uma das premissas desse cálculo é que, ao apoiar a manutenção de Hugo Motta, o Centrão garante um espaço de negociação que pode ser utilizado para distribuir cargos, relatorias e recursos de forma mais equitativa entre os partidos que compõem a aliança. Essa lógica se baseia em um histórico de acordos que evitam a concentração de poder em um único grupo político.

Alianças em formação: quem está ao lado de Motta?

Desde a reunião de líderes na Câmara, Motta tem recebido apoio público de figuras estratégicas. O líder do PSD, Antonio Brito (BA), cuja bancada conta com mais de 40 deputados, foi o primeiro a declarar apoio, sinalizando que o PSD será contemplado em futuras negociações de cargos e recursos.

Além do PSD, Motta tem fortalecido laços com lideranças de outros partidos tradicionais, como o PP (representado por Dr. Luizinho, RJ) e o MDB (Isnaldo Bulhões, AL). Esses líderes costumam atuar como pontes entre diferentes blocos, facilitando a construção de acordos que beneficiem múltiplas bancadas.

Nos bastidores, há ainda a expectativa de que partidos de esquerda – PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV e Rede – possam ser incorporados a uma coalizão de apoio, já que juntos somam 124 deputados federais. Embora ideologicamente distantes, esses partidos podem encontrar interesse comum em garantir uma presidência da Câmara que não favoreça exclusivamente a agenda da direita.

  • PSD – mais de 40 deputados
  • PP – liderado por Dr. Luizinho
  • MDB – representado por Isnaldo Bulhões
  • Podemos – apoio pontual em troca de relatorias
  • Partidos de esquerda (PT, PSB, PSOL, PCdoB, PDT, PV, Rede) – potencial apoio para equilibrar forças

Essas alianças são negociadas à luz de contrapartidas específicas, como a indicação de nomes para vagas no Tribunal de Contas da União (TCU), a distribuição de relatorias de projetos de lei e a definição de cargos nas comissões permanentes da Câmara.

Os desafios do PL e a dinâmica da direita

O Partido Liberal (PL) tem desempenhado um papel ambíguo nesse cenário. Por um lado, o PL já conquistou 121 cadeiras, a maior bancada desde a Constituição de 1988, o que lhe confere considerável peso nas votações. Por outro, o partido ainda não demonstrou disposição clara em apoiar a candidatura de Motta, preferindo manter opções abertas para futuras negociações.

Flávio Bolsonaro, senador do PL‑RJ, já afirmou publicamente que o Congresso está “muito mais à direita do que ele é hoje”, indicando que o PL pretende consolidar sua influência tanto na Câmara quanto no Senado. Essa postura gera resistência entre os aliados de Motta, que temem que o PL busque impor sua própria agenda, reduzindo a margem de negociação.

Um ponto crítico mencionado pelos interlocutores de Motta é a prioridade da direita em conquistar o comando do Senado. O coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL‑RN), tem declarado que seu objetivo principal é chegar ao posto de presidente do Senado, o que pode desviar recursos políticos e estratégicos da disputa pela presidência da Câmara.

Entretanto, a história recente mostra que a alternância de partidos na Casa tende a equilibrar o poder, evitando a concentração excessiva em um único bloco. Essa prática, conhecida como “praxe legislativa”, tem sido usada para garantir que diferentes correntes políticas tenham representação nos cargos de liderança.

Possíveis cenários para a eleição de fevereiro

Analistas políticos apontam três possíveis desdobramentos para a eleição de fevereiro de 2025. O primeiro cenário prevê a vitória de Motta, sustentada por um amplo acordo que inclui PSD, PP, MDB, Podemos e parte da esquerda, além de concessões estratégicas ao Centrão.

No segundo cenário, o PL consegue reunir apoio suficiente para lançar um candidato próprio, o que poderia dividir o centro‑direita e abrir espaço para que um candidato de bancada menor – como um representante do PT ou do PSB – obtenha a presidência, caso consiga articular uma aliança inesperada.

O terceiro cenário envolve um impasse, onde nenhum candidato atinge a maioria nas duas primeiras votações, obrigando a Câmara a buscar um consenso que pode resultar em um presidente tecnocrático ou em um acordo de rotação de cargos entre as principais bancadas.

Independentemente do desfecho, a estratégia de Motta parece focada em duas frentes: garantir apoio imediato de partidos com número expressivo de deputados e, simultaneamente, negociar concessões que fortaleçam a posição do Centrão dentro da Mesa Diretora. Essa dupla abordagem visa criar um “código de honra” informal que assegure a manutenção de acordos de longo prazo.

Ao final, a reeleição de Davi Alcolumbre (União‑AP) no Senado também será impactada, já que a disputa pela presidência da Câmara costuma influenciar as alianças no Senado. Uma vitória de Motta poderia facilitar a continuidade de Alcolumbre, enquanto um revés para Motta poderia abrir caminho para novos candidatos ao comando do Senado.

Em síntese, a batalha política que se desenha nos corredores do Congresso tem tudo para ser marcada por intensas negociações, trocas de favores e, possivelmente, por uma nova configuração de poder que reflita a complexa relação entre o Centrão, a direita e a esquerda no Brasil contemporâneo.

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