Domingo, 20 de setembro de 2026, a Alternativa para a Alemanha (AfD) saiu em primeiro lugar nas eleições estaduais de Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pela ARD. O resultado reforça a ascensão do partido de extrema direita enquanto o chanceler conservador Friedrich Merz enfrenta uma crise de legitimidade e busca manter sua coalizão no poder.
Desempenho eleitoral da AfD e dos demais partidos
A AfD alcançou aproximadamente 37% dos votos no estado, superando o Partido Social‑Democrata (SPD), que ficou com 35,5%, e deixando os conservadores de Merz em apenas 5,5%. Esses números colocam o partido de direita em posição de destaque, mas ainda não garantem a formação de governo, já que as principais forças políticas descartam qualquer aliança com a extrema direita.
Em Berlim, capital federal, a situação foi diferente: o Die Linke, partido de esquerda, registrou 24,5% dos votos, os conservadores de Merz ficaram com 20% e a AfD chegou a 16%, mostrando que o apoio ao nacional‑populismo ainda tem limites regionais.
- AfD: 37% (Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental)
- SPD: 35,5% (Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental)
- CDU/CSU (Merz): 5,5% (Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental)
- Die Linke: 24,5% (Berlim)
- AfD: 16% (Berlim)
Contexto político nacional e os desafios de Merz
Friedrich Merz, chanceler da Alemanha desde 2024, tem enfrentado uma série de obstáculos: índices de aprovação em queda, reformas econômicas impopulares e a perda de apoio de eleitores tradicionais. A derrota recente da AfD na Saxônia‑Anhalt, porém, não impediu que o partido mantivesse seu ímpeto em outras regiões, criando um cenário de instabilidade para o governo federal.
Na última semana, Merz recebeu o apoio de oito governadores estaduais conservadores, numa tentativa de consolidar sua base e conter o avanço da extrema direita. Contudo, a fragilidade de sua maioria no Bundestag coloca em risco a aprovação de projetos-chave, como a reforma tributária e as medidas de energia verde.
Para responder à pressão, Merz convocou uma reunião de emergência do partido para o domingo, onde serão debatidos os próximos passos estratégicos, incluindo possíveis alianças com partidos centristas e ajustes nas políticas econômicas.
Repercussões da vitória da AfD nas regiões
A vitória da AfD em Mecklemburgo‑Pomerânia Ocidental tem implicações além do âmbito estadual. Analistas apontam que o sucesso pode servir de modelo para outras regiões onde o descontentamento com a elite política tradicional é crescente. A retórica anti‑imigração, a crítica ao euro e a defesa de políticas de segurança mais rígidas são os pilares que atraem eleitores desencantados.
Entretanto, a exclusão da AfD das negociações de coalizão pode gerar um parlamento mais fragmentado, com maior dificuldade para aprovar leis. A oposição de partidos como o SPD, os Verdes e o FDP tende a bloquear iniciativas que considerem extremistas, aumentando a polarização no debate público.
Em resposta, a liderança da AfD tem enfatizado a necessidade de “representar a voz dos cidadãos que se sentem esquecidos”, prometendo políticas de proteção das fronteiras, redução de impostos e investimentos em infraestrutura regional.
Perspectivas para o futuro político da Alemanha
Os próximos meses serão decisivos para determinar se a AfD conseguirá transformar seu sucesso eleitoral em influência governamental. A falta de disposição dos partidos tradicionais em negociar com a extrema direita pode levar a um cenário de governo minoritário ou à necessidade de acordos pontuais em temas específicos.
Para Merz, o desafio está em reconquistar a confiança dos eleitores centristas e apresentar um programa que una crescimento econômico com justiça social, sem ceder aos discursos populistas da AfD. O futuro da coalizão conservadora depende, em grande parte, da capacidade de articular alianças estáveis dentro de um Bundestag cada vez mais fragmentado.
Enquanto isso, a sociedade civil continua a se mobilizar, organizando protestos e debates sobre a direção que o país deve seguir. Organizações de direitos humanos e grupos de jovens têm alertado sobre os riscos de normalizar discursos de ódio e exclusão, pedindo maior vigilância nas campanhas eleitorais.
Em resumo, a derrota de Merz nas urnas estaduais reflete um momento de incerteza para a política alemã, onde a ascensão da extrema direita coloca em xeque a tradição de consensos multipartidários que tem caracterizado o país nas últimas décadas.
Os eleitores, por sua vez, permanecem atentos às próximas decisões do chanceler e dos partidos, aguardando respostas claras sobre questões como energia, migração e futuro da União Europeia.








