Na manhã de terça‑feira, 8 de setembro de 2024, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu afastar Andrei Rodrigues, então diretor‑geral da Polícia Federal (PF), e o delegado Leandro Almada, diretor de Inteligência Policial. A medida foi anunciada logo após as manifestações convocadas por candidatos de oposição durante o feriado da Independência, em Brasília.
Decisão do ministro André Mendonça
A decisão de Mendonça foi encaminhada à Segunda Turma do STF, onde se formou maioria favorável ao afastamento temporário dos dois agentes da PF. Os ministros que acompanharam o relator foram Luiz Fux e Nunes Marques, enquanto Gilmar Mendes pediu vista e Dias Toffoli não se pronunciou.
O voto de maioria foi fundamentado em supostas irregularidades nas investigações conduzidas pela PF, que teriam comprometido a imparcialidade da instituição. O relator, Gilmar Mendes, destacou a necessidade de preservar a confiança da sociedade nas forças de segurança enquanto o caso é analisado.
- Ministro Luiz Fux – acompanhou o relator
- Ministro Nunes Marques – acompanhou o relator
- Ministro Gilmar Mendes – pediu vista
- Ministro Dias Toffoli – não se pronunciou
Reações dentro da Polícia Federal
Imediatamente após a publicação da decisão, onze diretores da PF colocaram seus cargos à disposição em sinal de apoio a Andrei Rodrigues. Essa demonstração de solidariedade gerou um clima de tensão dentro da corporação, que tem buscado equilibrar a lealdade institucional com a pressão política externa.
A Advocacia‑Geral da União (AGU) reagiu rapidamente, solicitando ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, que conteste a decisão monocrática de Mendonça e suspenda os afastamentos. A AGU argumentou que o procedimento adotado carecia de fundamentação jurídica suficiente e violava princípios do devido processo legal.
Além das declarações oficiais, representantes da PF organizaram reuniões internas para discutir estratégias de defesa e garantir a continuidade das investigações em curso, sem prejuízo das funções essenciais da polícia.
Análises jurídicas e políticas
No podcast “O Assunto”, a jornalista Reynaldo Turollo Jr explicou que o acirramento das tensões entre STF, PF e governo reflete uma disputa de poder que vem se intensificando nos últimos meses. Segundo ele, a decisão de Mendonça pode ser vista como parte de um embate institucional mais amplo, envolvendo também o ministro Alexandre de Moraes.
O jurista Rubens Glezer, professor de Direito Constitucional da FGV‑SP, analisou a legalidade das medidas adotadas. Ele ressaltou que a suspensão unilateral de cargos de alta hierarquia na PF exige bases legais claras, sob pena de criar precedentes perigosos para a autonomia das instituições.
Glezer ainda apontou que a crise pode gerar efeitos colaterais, como a desconfiança da população nas investigações da PF e a possibilidade de paralisações operacionais. Ele recomendou que o STF adote um procedimento transparente, com ampla participação de todas as partes envolvidas.
O caso também reacendeu o debate sobre a chamada “supremocracia”, termo usado por Glezer para descrever a concentração de poder nas mãos do STF. Segundo ele, a situação evidencia a necessidade de um equilíbrio entre o controle judicial e a autonomia dos órgãos de segurança.
Enquanto isso, o podcast “O Assunto”, produzido por Luiz Felipe Silva, Carlos Catelan, Luiz Gabriel Franco, Juliene Moretti, Stéphanie Nascimento, Marco Antônio Martins e Thomé Granemann, continua a acompanhar o desenrolar dos fatos, oferecendo aos ouvintes uma cobertura diária e aprofundada.
O programa destaca ainda que, desde sua estreia em agosto de 2019, “O Assunto” já ultrapassou 168 milhões de downloads e acumula mais de 14,2 milhões de visualizações no YouTube, consolidando-se como uma das principais fontes de informação política no Brasil.








