Na manhã da quinta‑feira (17), em Rio de Janeiro, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, respondeu às acusações feitas pelo governo dos Estados Unidos sobre a suposta falha do Brasil no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). O ministro destacou dados oficiais e ressaltou a evolução das políticas de segurança. Ele afirmou que as críticas de Donald Trump não têm fundamento nos números apresentados pelas autoridades brasileiras.
Contexto das críticas de Trump
O presidente americano, em declaração oficial divulgada pelo Departamento de Estado na quarta‑feira (16), incluiu o PCC e o CV na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos. A medida gerou uma onda de comentários internacionais. A partir desse documento, a administração Trump afirmou que o Brasil teria falhado ao enfrentar essas facções, colocando o país em posição de vulnerabilidade perante o crime organizado.
Segundo a nota americana, a suposta ineficácia do Brasil seria evidente pelos índices de homicídios e pela capacidade de recrutamento das gangues. O relatório ainda sugeriu que a falta de cooperação entre as agências de segurança teria contribuído para o agravamento da situação. Essas alegações foram rapidamente contestadas pelos representantes do governo brasileiro.
Resposta do ministro e avanços legislativos
Wellington César Lima e Silva rebateu as acusações ao apresentar estatísticas recentes de operações policiais. Ele explicou que, nos últimos dois anos, o número de operações contra o PCC e o CV aumentou em mais de 30 %. Além disso, o ministro apontou que a taxa de condenações cresceu, indicando maior efetividade das investigações.
O ministro enfatizou que o Brasil vive o “momento mais maduro” de sua resposta institucional às facções criminosas. Ele citou a aprovação da Lei Antifacção, que cria novos instrumentos para bloqueio de bens e congelamento de contas vinculadas a organizações criminosas. Essa lei, promulgada em 2023, permite que autoridades atuem de forma mais célere e coordenada.
Entre os principais pontos da nova legislação, estão:
- Ampliação dos poderes de investigação da Polícia Federal;
- Criação de mecanismos de cooperação entre estados e municípios;
- Facilidade para o bloqueio de ativos financeiros ligados a crimes de tráfico e extorsão.
Wellington também deixou claro que o Brasil não foi incluído na lista de 23 países que o Congresso dos EUA recebeu para sanções formais. A menção ao país foi feita apenas de forma secundária, sem o enquadramento jurídico que caracteriza uma lista de nações sancionadas.
Operações recentes e cooperação interinstitucional
Durante a coletiva, o ministro destacou a operação nacional contra a comercialização irregular de celulares, realizada dentro do programa Celular Seguro. A ação atingiu cerca de 200 estabelecimentos em 15 estados, envolvendo a apreensão de milhares de aparelhos e a prisão de indivíduos ligados a redes de roubo e revenda.
Além dessa iniciativa, foram executados aproximadamente 100 mandados de busca e prisão em diferentes regiões do país. O bloqueio de ativos financeiros somou milhões de reais, dificultando a manutenção das atividades das facções. Essas medidas refletem a estratégia de ataque simultâneo a diferentes frentes do crime organizado.
A operação contou com a participação de diversas instituições, incluindo:
- Polícia Federal;
- Polícia Rodoviária Federal;
- Polícia Penal Federal;
- Polícias estaduais;
- Guardas municipais;
- Receita Federal;
- Ministério Público;
- Poder Judiciário.
A integração entre esses órgãos tem sido reforçada por protocolos de troca de informações e treinamentos conjuntos. O ministro ressaltou que a cooperação é essencial para desarticular as estruturas de comando das gangues, que costumam operar em múltiplas frentes simultâneas.
Perspectivas e desafios futuros
Wellington César Lima e Silva concluiu a entrevista apontando que o combate ao crime organizado ainda enfrenta obstáculos. Entre os principais desafios, estão a necessidade de ampliar a presença do Estado em áreas periféricas e a modernização dos sistemas de inteligência. O ministro enfatizou que investimentos em tecnologia, como análise de dados e monitoramento eletrônico, são fundamentais para antecipar movimentos das facções.
Ele também destacou a importância de políticas sociais que reduzam a vulnerabilidade de jovens a recrutamento por grupos criminosos. Programas de educação, inserção no mercado de trabalho e apoio às famílias são citados como pilares de uma estratégia de prevenção a longo prazo.
Por fim, o ministro reforçou que o Brasil continuará a aprimorar seu marco regulatório e a fortalecer a cooperação internacional. Apesar das críticas externas, o governo mantém confiança nos resultados obtidos até agora e acredita que a trajetória de combate ao PCC e ao CV segue firme e progressiva.








