Na quinta‑feira, 24 de julho, os advogados que representam o ex‑presidente Jair Bolsonaro abandonaram o pedido de liminar que visava suspender sua prisão no Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada após a entrega de um substabelecimento à advogada Luciana Lauria Lopes, que assumirá a condução da ação. O movimento marca uma nova fase na estratégia de defesa de Bolsonaro.
Desistência inesperada do pedido de liminar
Marcelo Bessa e Thiago Fleury, membros do escritório Ávila, apresentaram um substabelecimento sem reservas, transferindo formalmente a responsabilidade para Luciana Lauria Lopes. Poucas horas depois, enviaram um comunicado oficial informando a desistência do pedido de liminar que buscava a suspensão da prisão do ex‑mandatário.
O comunicado ressaltou que a retirada do pedido foi motivada por uma “reavaliação da estratégia da defesa”. Segundo os advogados, a medida permitiria que os colegas que já atuaram na ação penal analisassem novas linhas de atuação sem a pressão de um pedido urgente em curso.
Impacto da reavaliação estratégica
A estratégia adotada pelos defensores de Bolsonaro tem sido objeto de intenso debate entre juristas e analistas políticos. A decisão de desistir da liminar pode indicar que a equipe jurídica pretende focar em argumentos de mérito, em vez de buscar medidas cautelares que, até o momento, não foram acolhidas pelo relator Nunes Marques.
Além disso, a troca de liderança no caso pode gerar alterações nos prazos de apresentação de documentos, bem como na forma de interação com a Procuradoria‑Geral da República (PGR). A nova advogada, Luciana Lauria Lopes, já possui histórico de atuação em processos envolvendo Bolsonaro, o que pode conferir maior familiaridade ao caso.
Contexto da revisão criminal de Bolsonaro
Em maio de 2024, Bolsonaro ingressou com uma revisão criminal no STF, alegando que a condenação no caso do chamado “golpe de estado” deveria ter sido julgada pelo plenário do Tribunal, e não pela Primeira Turma. O pedido foi distribuído por sorteio ao ministro relator Nunes Marques, que foi indicado ao Supremo pelo próprio Bolsonaro.
Desde então, o processo permanece sem decisão final. O único despacho emitido por Nunes Marques foi um requerimento para que a PGR se manifestasse sobre a admissibilidade da revisão. Em junho, o procurador Paulo Gonet enviou um parecer extenso pedindo que a ação fosse nem mesmo conhecida, o que equivale a um arquivamento sumário.
- 24/07/2024 – Advogados entregam substabelecimento a Luciana Lauria Lopes.
- 24/07/2024 – Pedido de liminar é retirado oficialmente.
- Maio/2024 – Ingresso da revisão criminal no STF.
- Junho/2024 – Parecer da PGR recomenda o não conhecimento da ação.
O silêncio do relator diante dos pedidos de urgência da defesa tem sido interpretado como uma estratégia de espera, possivelmente para avaliar a força dos argumentos da PGR e o impacto político de uma eventual decisão.
Próximos passos e possíveis desdobramentos
Com a condução do caso agora nas mãos de Luciana Lauria Lopes, espera‑se que a defesa apresente um conjunto de peças processuais que foque na contestação da competência da Primeira Turma. Essa linha de argumentação pode envolver a revisão de precedentes do STF e a solicitação de um julgamento plenário.
Ao mesmo tempo, a defesa pode buscar novos interlocutores dentro do próprio Supremo, visando construir alianças que facilitem a aceitação da tese de competência plenária. A ausência de um pedido de liminar também reduz a pressão imediata sobre o relator, permitindo que o processo siga um trâmite mais regular.
Analistas de direito constitucional alertam que, mesmo que a revisão seja aceita, a anulação da condenação dependerá de uma interpretação robusta sobre a divisão de competências internas do STF. Caso a corte reconheça a competência do plenário, a decisão pode abrir precedentes para outros processos que tramitam em turmas específicas.
Por outro lado, se a revisão for rejeitada, Bolsonaro poderá recorrer a outras instâncias, como o Conselho de Recursos do STF, ou ainda buscar mecanismos extrajudiciais de pressão política. O cenário permanece incerto, mas a mudança de equipe jurídica indica que a defesa está disposta a explorar todas as vias possíveis.
Em síntese, a desistência do pedido de liberdade não representa um recuo, mas sim uma reconfiguração da estratégia de defesa. O próximo capítulo do caso dependerá da capacidade da nova advogada em articular argumentos convincentes e em lidar com a postura cautelosa do relator Nunes Marques.








