Um advogado próximo ao ex‑presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, recebeu ao menos 30 milhões de reais do Banco Master ao longo do período em que Pacheco dirigiu a Casa. A operação ocorreu entre 2019 e 2022, quando o legislativo funcionava em Brasília. As investigações apontam que o profissional negociava emendas parlamentares e atuava também em favor do banco no Supremo Tribunal Federal.
Contexto da investigação
Os procuradores da Polícia Federal iniciaram a apuração após denúncias de que recursos milionários eram canalizados por meio de advogados influentes. Segundo fontes que preferiram não se identificar, o caso ganhou força quando o Banco Master foi alvo de prisão preventiva em março deste ano, em Brasília.
Os investigadores coletaram documentos que mostram transferências regulares para a conta do advogado. As movimentações foram registradas em diferentes períodos, sempre coincidindo com a tramitação de projetos de lei no Senado.
Além das transferências, foram encontrados e‑mails que revelam conversas sobre a redação de emendas. Em alguns trechos, o advogado solicita apoio para incluir cláusulas favoráveis ao banco em projetos de grande impacto econômico.
Relações de poder e influência
O advogado mantinha contato direto com Rodrigo Pacheco, que na época ocupava a presidência do Senado. Também havia proximidade com Davi Alcolumbre, então chefe da Casa. Essa rede de conexões facilitava a inserção de demandas do Banco Master nas discussões legislativas.
Segundo os depoimentos obtidos, o profissional atuava como intermediário entre o banco e os parlamentares. Ele apresentava propostas de emendas, ajustava textos e acompanhava o andamento das votações.
O mesmo advogado também prestava consultoria ao Banco Master em processos no Supremo Tribunal Federal. Em documentos judiciais, o nome do profissional aparece como representante legal em ações que envolvem questões bancárias e regulatórias.
- Conexão direta com Rodrigo Pacheco;
- Contato frequente com Davi Alcolumbre;
- Atuação em duas esferas: legislativa e judicial.
Implicações e próximos passos
A descoberta levanta dúvidas sobre a integridade das decisões tomadas no Senado durante o mandato de Pacheco. Se comprovada a troca de favores, pode haver necessidade de revisão de projetos que foram beneficiados por emendas negociadas.
A Procuradoria‑Geral da República ainda não se manifestou oficialmente sobre a abertura de um inquérito. Analistas apontam que a falta de interesse em ouvir o banqueiro pode ser um obstáculo para avançar nas investigações.
Especialistas em direito público alertam que o caso pode desencadear novas demandas por transparência nas relações entre parlamentares e setores privados. A sociedade civil tem exigido maior rigor na fiscalização de recursos que circulam dentro do Legislativo.
Enquanto isso, o Banco Master permanece sob custódia, aguardando decisões judiciais que podem definir o futuro da instituição. O advogado mencionado ainda não foi formalmente indiciado, mas continua sob vigilância das autoridades.
O desdobramento da apuração pode influenciar a agenda política em Brasília nos próximos meses. Caso haja condenação, o impacto se estenderá não apenas ao Banco Master, mas também ao próprio Senado, que terá que lidar com questões de credibilidade e confiança pública.








