Nas eleições presidenciais de 2022, registrou‑se o maior índice de abstenção da história recente, com cerca de 33,5 milhões de eleitores ausentes, o que corresponde a um em cada cinco brasileiros aptos a votar. O fenômeno foi observado no segundo turno, realizado em 30 de outubro, em todo o território nacional.
Perfis dos eleitores ausentes
O cientista político Jairo Nicolau, pesquisador da FGV‑RJ, descreve três perfis predominantes entre quem não compareceu às urnas. O primeiro grupo inclui eleitores desiludidos, que acreditam que nenhum candidato representa suas expectativas. O segundo consiste em eleitores que enfrentam dificuldades logísticas, como falta de transporte ou horários incompatíveis. O terceiro são os jovens que ainda não se sentiram motivados a participar do processo democrático.
Esses perfis apresentam diferenças marcantes em relação ao engajamento político, mas compartilham uma característica comum: a sensação de que seu voto não fará diferença. Essa percepção, segundo Nicolau, pode ser revertida com estratégias de comunicação direcionadas.
Motivações para mudar de ideia
Para convencer o eleitor ausente a votar no segundo turno, é preciso identificar gatilhos que despertam o interesse. Entre os principais, destacam‑se:
- Apelo a questões econômicas urgentes, como inflação e desemprego;
- Promessa de políticas sociais que beneficiem grupos vulneráveis;
- Campanhas de mobilização nas redes sociais, com linguagem jovem e direta.
Além disso, eventos inesperados podem alterar a percepção do eleitor. A divulgação de escândalos, mudanças de postura de candidatos ou até mesmo crises climáticas podem gerar um novo senso de urgência, motivando a ida às urnas.
Impacto no segundo turno
Com dois candidatos disputando o segundo turno – Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – o contingente de 33,5 milhões de eleitores ausentes representa um bloco decisivo. Se mesmo metade desse número decidir comparecer, o resultado poderia ser invertido em estados-chave como Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará.
Os analistas apontam que a mobilização de eleitores indecisos pode ser decisiva. Estratégias de micro‑targeting, que utilizam dados de comportamento online, permitem criar mensagens personalizadas para cada segmento de eleitores ausentes.
O papel dos meios de comunicação
O podcast “O Assunto”, apresentado por Natuza Nery, tem desempenhado um papel importante ao trazer à tona a discussão sobre a abstenção. No episódio #1824, o programa recebeu Jairo Nicolau para analisar os dados e projetar cenários possíveis para o segundo turno.
Além do podcast, outras plataformas de mídia têm investigado o fenômeno. Reportagens investigativas, infográficos e debates ao vivo ajudam a esclarecer ao público as consequências da baixa participação eleitoral.
Em resumo, a abstenção não é apenas um número; ela reflete desafios estruturais e culturais que precisam ser enfrentados para fortalecer a democracia brasileira.








