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A pressão da magreza extrema nas redes sociais impulsiona alta de anorexia e bulimia, revela estudo

Um estudo divulgado nesta quarta‑feira (28) mostrou que os casos de anorexia e bulimia aumentaram 71% em relação a 1990, enquanto nas redes sociais a tendência de rotular corpos magros como “gordos” ganha força. A pesquisa, que analisou 204 países, evidencia uma crise silenciosa que se espalha tanto online quanto nos consultórios de nutrição.

A viralização do vídeo de Carol Alves e a reação nas redes

Carol Alves, nutricionista de 36 anos, tem exames de rotina dentro dos padrões saudáveis, veste tamanho 40 e segue rotina de exercícios. Quando publicou um vídeo questionando a ideia de que corpos que vestem 38 ou 40 seriam automaticamente considerados gordos, a reação foi imediata.

Nos primeiros minutos, comentários acusatórios surgiram, alegando que ela estaria acima do peso ou que seu percentual de gordura seria alto. Alguns internautas chegaram a classificá‑la como obesa de grau 1, confundindo característica física com diagnóstico clínico.

Carol separa os conceitos: ser gorda descreve um traço físico, enquanto obesidade é uma condição médica que requer avaliação de múltiplos fatores, como índice de massa corporal, composição corporal e comorbidades. Ela ressalta que, ao rotular alguém com peso normal como obeso, revela‑se uma distorção profunda da percepção corporal.

O vídeo também trouxe à tona outra moda: mulheres que celebram encontrar roupas infantis como se fosse conquista. Essa prática reforça a ideia de que o corpo ideal deve ser tão pequeno quanto possível, alimentando comparações nocivas.

  • Comentário de apoio: “Seu corpo está saudável, não deixe que a opinião alheia te abale.”
  • Comentário de ódio: “Aceita que está acima do peso, seu corpo não é magro.”
  • Comentário de dúvida: “Será que 40 já não é considerado gorda hoje?”

As reações não se limitaram ao espaço digital. Pacientes e amigas de Carol enviaram mensagens de preocupação, temendo que a pressão viralizada pudesse desencadear comportamentos alimentares extremos.

O crescimento dos transtornos alimentares segundo o Global Burden of Disease

O relatório do projeto Global Burden of Disease (GBD) reuniu estimativas de 1990 a 2023 e revelou números alarmantes: 3,9 milhões de pessoas viviam com anorexia e 14,2 milhões com bulimia em 2023. Mais de 40 % dos casos estavam entre 10 e 24 anos, e quase 70 % eram mulheres.

O pico de prevalência da anorexia ocorre entre 15 e 19 anos, enquanto a bulimia atinge seu ápice entre 30 e 34 anos. Mesmo ajustada ao tamanho e ao envelhecimento da população, a taxa de prevalência subiu cerca de 21 % desde 1990.

Regiões ricas como Austrália, Nova Zelândia e Europa Ocidental apresentaram os maiores índices absolutos, mas o crescimento relativo mais acentuado foi observado na Ásia Oriental, Sul‑e‑Sudeste, onde rápidas transformações econômicas e sociais alteraram padrões de beleza e consumo.

Os pesquisadores do GBD destacam que a combinação de fatores culturais, econômicos e digitais cria um ambiente propício ao desenvolvimento de transtornos alimentares. A pressão por corpos ultrafinos, alimentada por influenciadores e algoritmos, intensifica a insatisfação corporal.

  • Fatores de risco identificados: pressão social, uso intenso de redes, baixa autoestima, histórico familiar de transtornos alimentares.
  • Consequências clínicas: desnutrição, desequilíbrios eletrolíticos, depressão, ansiedade e risco de suicídio.
  • Populações mais vulneráveis: adolescentes, jovens adultas, profissionais da área da saúde e do entretenimento.

No consultório de Carol, o reflexo desse cenário é claro. Ela relata um aumento de pacientes com bulimia, compulsão alimentar e até casos de anorexia que retornam após períodos de recuperação.

Mulheres que antes eram consideradas “magras” agora buscam dietas ainda mais restritivas, acreditando que ainda podem emagrecer mais, apesar de já estarem dentro da faixa de peso saudável.

Consequências para a saúde mental e estratégias de prevenção

A insatisfação corporal, como a observada nas reações ao vídeo de Carol, é um dos principais gatilhos para o desenvolvimento de transtornos alimentares. A distorção da imagem corporal faz com que a pessoa se veja diferente do que realmente é, gerando um ciclo vicioso de autocrítica e restrição alimentar.

Especialistas apontam que a rotulagem de corpos saudáveis como “gordos” pode levar a um aumento da ansiedade e da depressão, fatores que, por sua vez, alimentam comportamentos alimentares desordenados.

Para combater essa tendência, profissionais de saúde recomendam:

  • Educação digital que ensine a identificar informações falsas e a questionar padrões de beleza irreais.
  • Promoção de corpos diversos nos meios de comunicação, valorizando diferentes tipos físicos.
  • Programas de apoio psicológico focados em autoestima e aceitação corporal.
  • Treinamento de influenciadores para que transmitam mensagens responsáveis sobre saúde e alimentação.

Além disso, políticas públicas podem contribuir ao regulamentar a publicidade de dietas extremas e ao financiar campanhas de prevenção de transtornos alimentares em escolas.

Carol Alves reforça que a melhor defesa contra a pressão digital é o conhecimento do próprio corpo. Ela incentiva suas seguidoras a consultar profissionais qualificados antes de iniciar qualquer mudança drástica na alimentação ou nos hábitos de exercício.

Em resumo, a combinação de um estudo que aponta um aumento de 71 % nos casos de anorexia e bulimia e a viralização de conteúdos que rotulam corpos saudáveis como gordos cria um cenário de risco elevado para a saúde mental das mulheres. A resposta exige ação coordenada entre pesquisadores, profissionais de saúde, plataformas digitais e a própria sociedade.

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