Um jovem de 18 anos morreu na terça‑feira, 15 de setembro, na Pensilvânia, EUA, tornando‑se a quarta vítima de sarampo no estado em 2026. O falecimento ocorreu em Mifflin County, onde o adolescente não havia recebido a vacina tríplice viral. A causa foi encefalomielite disseminada aguda, complicação neurológica grave associada ao vírus.
Cadeia de mortes e a extensão do surto
O caso mais recente segue o de uma mulher de 40 anos, que morreu no sábado, 12 de setembro, no Condado de Jefferson, região rural do oeste da Pensilvânia. No mês anterior, dois bebês foram vítimas fatais no Condado de Lancaster, no sudeste do estado. Em todos os quatro casos, a falta de vacinação foi apontada como fator determinante.
Desde o início de 2026, as autoridades de saúde registraram quase 700 casos confirmados de sarampo distribuídos por 38 condados da Pensilvânia. Nos últimos sete dias, aproximadamente 100 novos casos foram confirmados, indicando aceleração da transmissão.
Os números mostram a rapidez com que o vírus pode se espalhar quando há bolsões de suscetibilidade. A seguir, alguns dados que ilustram a situação:
- Casos confirmados em 2026: ~700
- Condados afetados: 38
- Novos casos nos últimos 7 dias: ~100
- Vítimas fatais não vacinadas: 4
Queda da cobertura vacinal e seus impactos
O declínio na taxa de vacinação tem sido gradual, mas preocupante. Enquanto a cobertura nacional ainda supera 95% em muitas regiões, a Pensilvânia apresenta índices abaixo desse patamar há alguns anos.
Entre crianças de jardim de infância, a proporção com as duas doses da tríplice viral caiu de 95,2% no ano letivo 2019‑2020 para 92,4% no ciclo 2025‑2026. Isso representa cerca de 280 mil crianças sem a proteção completa contra o sarampo, caxumba e rubéola.
Fatores como desinformação, campanhas anti‑vacina e cortes de financiamento em programas de imunização contribuíram para essa erosão. O ex‑secretário de Saúde da administração Trump, Robert F. Kennedy Jr., questionou publicamente a segurança das vacinas, ampliando dúvidas entre a população.
Especialistas alertam que, para manter a imunidade coletiva contra o sarampo, é necessária uma cobertura de pelo menos 95%. Qualquer queda abaixo desse limite cria vulnerabilidade para surtos.
Risco de disseminação nacional e medidas de contenção
O sarampo é uma das doenças mais transmissíveis conhecidas, com um número básico de reprodução (R0) que pode chegar a 18. Isso significa que, em uma população suscetível, uma única pessoa infectada pode gerar até 18 novos casos.
Viagens interestaduais e deslocamentos cotidianos aumentam o risco de levar o vírus a outras regiões. No entanto, a extensão de novos surtos depende da taxa de vacinação do local receptor.
Em áreas onde a cobertura vacinal permanece alta e homogênea, as cadeias de transmissão tendem a ser interrompidas rapidamente. Já em comunidades com baixas taxas de imunização, até pequenas lacunas podem sustentar a propagação do vírus.
O infectologista Bernardo Maia, diretor de pronto‑socorro e UTI do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, destaca que, embora o surto ainda não seja classificado como endemicidade – que exigiria transmissão contínua por 12 meses – o cenário indica perda de controle em certas comunidades.
Para evitar que o sarampo volte a ser endêmico, as autoridades recomendam reforçar campanhas de vacinação, especialmente em regiões com cobertura abaixo de 95%, e restaurar o financiamento de programas de imunização. A vigilância epidemiológica intensificada e a comunicação clara sobre a segurança das vacinas são medidas essenciais.
Enquanto isso, os centros de saúde da Pensilvânia intensificaram a oferta de doses de reforço e de campanhas de informação nas escolas e centros comunitários. A expectativa é que, com a adesão da população, a taxa de vacinação volte a subir e o surto seja contido antes de alcançar outros estados.








