Dois quadros nunca antes exibidos ao público, assinados por Claude Monet, serão leiloados em outubro de 2024 na capital francesa. O evento será organizado pela Sotheby’s e faz parte da venda da coleção da família Schlumberger, conhecida por seu patrimônio artístico. A expectativa é que as obras atraiam colecionadores de todo o mundo, dada a raridade e o valor estimado.
Contexto da coleção Schlumberger
A família Schlumberger, de origem bilionária, possui uma das mais importantes coleções privadas de arte moderna da França. Ao longo de décadas, eles acumularam obras de artistas como Picasso, Matisse e, claro, Monet. A decisão de colocar 28 peças à venda representa um marco no mercado de arte, pois abre ao público obras que nunca deixaram a residência familiar.
Segundo Thomas Bompard, co‑diretor do departamento de Arte Moderna e Contemporânea da Sotheby’s França, a coleção se destaca tanto pela história quanto pela qualidade das obras. Ele ressalta que a presença de peças inéditas de Monet eleva ainda mais o interesse dos compradores. A venda está programada para o dia 22 de outubro, data que já gera grande expectativa entre especialistas.
As obras de Monet em destaque
Entre as 28 obras, quatro são assinadas por Monet, sendo duas delas nunca antes exibidas ao público. A peça central da venda é “Iris”, uma pintura monumental criada no final da vida do artista, em sua casa de Giverny. A obra retrata um campo de íris com cores vibrantes e detalhes que refletem a maturidade da técnica de Monet.
“Iris” recebeu uma estimativa de preço entre 22 e 30 milhões de euros, o que equivale a aproximadamente R$ 130 milhões a R$ 178 milhões. Essa faixa representa a maior estimativa já oferecida para uma pintura em leilão na França. O leiloeiro destacou que a obra será apresentada ao público pela primeira vez, pois nunca saiu da residência da família Schlumberger em Paris.
Além de “Iris”, a coleção inclui outras três telas de Monet, entre elas “Saule pleureur” (Salgueiro‑chorão). Essa obra tem estimativa entre 9 e 12 milhões de euros, ou seja, entre R$ 53,4 milhões e R$ 71,3 milhões. As demais duas pinturas, ainda não nomeadas publicamente, também fazem parte do leilão e possuem valores estimados na faixa de 5 a 8 milhões de euros cada.
- Iris – estimativa: 22‑30 milhões €
- Saule pleureur – estimativa: 9‑12 milhões €
- Outras duas obras de Monet – estimativa: 5‑8 milhões € cada
Essas obras são consideradas raras não apenas pelo fato de nunca terem sido exibidas, mas também por representarem fases distintas da produção de Monet. Enquanto “Iris” reflete a fase tardia, marcada por pinceladas soltas e cores intensas, “Saule pleureur” remete a um período de exploração de temas naturais e atmosferas melancólicas.
Impacto no mercado de arte
A divulgação da venda gerou um aumento imediato nas buscas por obras de Monet em plataformas de leilões internacionais. Analistas apontam que o recorde de estimativa pode influenciar futuras avaliações de obras impressionistas, estabelecendo novos parâmetros de preço.
Especialistas em investimento em arte destacam que peças inéditas de artistas consagrados tendem a valorizar significativamente após o leilão, sobretudo quando a história da obra é bem documentada. No caso de “Iris”, a combinação de raridade, tamanho monumental e a história de nunca ter sido exibida cria um cenário propício para uma valorização ainda maior.
Além do aspecto financeiro, o leilão tem relevância cultural, pois permite que o público e pesquisadores tenham acesso a obras que estavam confinadas a um ambiente privado por décadas. A apresentação pública de “Iris” será acompanhada de uma exposição temporária na sede da Sotheby’s, oferecendo uma oportunidade única de estudo e apreciação.
Outros leilões recentes de obras impressionistas também registraram valores recordes, como a venda de “Le Pont de Waterloo” de Monet, que ultrapassou 30 milhões de euros em 2022. Esses números reforçam a tendência de alta demanda por obras do mestre francês, especialmente quando há um elemento de novidade, como a primeira exibição pública.
Para os colecionadores, participar desse leilão representa não apenas a aquisição de um ativo valioso, mas também a chance de possuir uma peça histórica que jamais esteve à vista. A exclusividade e o prestígio associados a uma obra inédita de Monet podem ser decisivos na decisão de compra.
Os interessados devem se cadastrar na Sotheby’s e acompanhar o catálogo online, que será atualizado até o dia do leilão. A casa de leilões oferece opções de lances presenciais e virtuais, ampliando o alcance da venda a compradores globais.
Além das obras de Monet, a coleção Schlumberger inclui peças de outros mestres modernos, como obras de Picasso e Matisse, que também serão leiloadas no mesmo evento. Essa diversidade aumenta a atratividade do leilão para diferentes perfis de colecionadores.
Em resumo, o leilão de outubro promete ser um dos mais relevantes do calendário artístico europeu, combinando obras inéditas, estimativas recordes e uma coleção de alto nível. O sucesso do evento poderá redefinir padrões de preço para obras impressionistas no futuro próximo.








