Renan Santos, candidato do Missão à Presidência da República, criticou o Supremo Tribunal Federal ao afirmar que o Brasil vive um “não Estado de direito” durante a sabatina da revista VEJA, realizada nesta quarta‑feira, ao vivo no programa VEJA em Foco.
Crítica ao STF e a crise institucional
O candidato denunciou que o sistema de freios e contrapesos previsto na Constituição não está funcionando de forma adequada, gerando um desequilíbrio entre os Poderes. Ele apontou que a atuação do STF tem ultrapassado os limites constitucionais, transformando a Corte em um ator político de peso excessivo.
Segundo Renan, a situação atual representa uma “ficção” de Estado de direito, onde as decisões judiciais são tomadas sem o devido respeito ao princípio da legalidade. Ele destacou que a falta de respeito mútuo entre Executivo, Legislativo e Judiciário compromete a governabilidade.
Ao mencionar o ministro Alexandre de Moraes, o candidato defendeu o afastamento do magistrado e sugeriu que o Senado deveria participar ativamente desse processo, reforçando a necessidade de um controle mais efetivo sobre a magistratura.
Propostas de mudança e postura frente ao Judiciário
Renan Santos propôs que o futuro presidente use sua força política para “restituir” o equilíbrio institucional, reforçando a independência de cada Poder. Ele acredita que o Executivo deve ter mais autonomia para conduzir políticas públicas sem interferências indevidas.
O candidato deixou claro que, caso eleito, não cumprirá decisões judiciais que considerar ilegais. Ele afirmou que recorrerá à Advocacia‑Geral da União para avaliar a constitucionalidade das decisões antes de acatá‑las.
Renan argumentou que, em situações onde o cumprimento de uma ordem judicial equivalha a prática de um ato ilegal, ele se reservará o direito de não obedecer, sempre amparado por pareceres jurídicos da AGU.
Para ilustrar sua proposta de reforma institucional, o candidato enumerou os principais pontos de ação:
- Revisão dos mecanismos de controle de constitucionalidade.
- Fortalecimento do papel do Congresso na indicação e afastamento de ministros.
- Criação de um comitê interinstitucional para monitorar abusos de poder.
Ele também enfatizou que a segurança jurídica no Brasil está em risco, mas que a solução passa por um novo pacto entre os Poderes, não por autoritarismo.
Reações e implicações políticas
Ao ser questionado sobre o risco de gerar insegurança jurídica, Renan respondeu que, na sua avaliação, “não existe segurança jurídica no Brasil”. Ele argumentou que a percepção de insegurança já está presente na sociedade.
O candidato ainda afirmou que milhões de brasileiros vivem sob o domínio do crime organizado, e que a crise institucional facilita a atuação desses grupos, comprometendo ainda mais o processo eleitoral.
Renan rejeitou a acusação de que sua proposta de um Executivo mais forte equivalha a uma ditadura. Ele se autodefine como “democrata institucionalista”, comprometido com as regras eleitorais e com o fortalecimento das atribuições de cada Poder.
Ele ressaltou que sua candidatura está inserida dentro das normas do sistema partidário, e que seu objetivo é restaurar o equilíbrio entre os Poderes, garantindo que o freio e contrapeso volte a ser efetivo.
Analistas políticos observaram que a postura de Renan pode atrair eleitores descontentes com a atual situação judicial, mas também pode gerar resistência de setores que temem um enfraquecimento da independência do Judiciário.
Nas redes sociais, a declaração gerou debates acalorados, com usuários divididos entre o apoio à proposta de reforma e a preocupação com possíveis abusos de poder.
Especialistas em direito constitucional apontaram que a ideia de não cumprir decisões judiciais, mesmo que respaldada por pareceres da AGU, pode criar precedentes perigosos para o Estado de Direito.
Entretanto, Renan sustentou que a medida seria excepcional, aplicada apenas em casos de evidente ilegalidade, e que o controle democrático seria mantido por meio do Congresso e da própria sociedade civil.
O candidato também enfatizou que a reforma institucional deve incluir mecanismos de transparência, permitindo que a população acompanhe o processo de decisão entre os Poderes.
Por fim, Renan Santos concluiu que a restauração do equilíbrio institucional é fundamental para que o Brasil retome um caminho de desenvolvimento sustentável e de respeito às normas jurídicas.








