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Renan Santos questiona moral dos EUA e propõe programa nuclear brasileiro para garantir soberania

Em entrevista ao programa VEJA em Foco, exibida nesta terça‑feira, o candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, criticou a pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil no combate às facções criminosas e defendeu a construção de uma capacidade nuclear nacional. As declarações foram feitas ao vivo, com a participação dos editores da revista VEJA, José Benedito da Silva e Diogo Schelp.

Soberania e a crítica americana

Renan Santos manifestou “muita, muita, muita preocupação” com a postura dos EUA, que recentemente enviaram ao Congresso americano um documento acusando o Brasil de falhar no enfrentamento ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). O presidente Donald Trump, ao assinar o texto, classificou ambas as organizações como grupos terroristas internacionais e alegou que a inação brasileira teria convertido o país em um corredor de cocaína para o mundo.

Para o candidato, a crítica americana perde credibilidade porque os Estados Unidos são o maior mercado consumidor de drogas ilícitas. “Não têm muita moral para falar sobre o combate ao tráfico aqui”, afirmou, apontando que a responsabilidade pelo fluxo de entorpecentes é compartilhada pelos países consumidores.

Proposta de combate ao crime organizado

Renan rejeitou a ideia de que a solução passe apenas por operações pontuais das forças de segurança. Em vez disso, ele apresentou um plano integrado que inclui controle rígido das fronteiras, bloqueio da movimentação financeira das facções, vigilância nos portos e acordos de cooperação com nações parceiras.

O candidato destacou ainda a necessidade de uma atuação coordenada entre diferentes esferas do governo: federal, estadual, Polícia Federal, Forças Armadas e agências de inteligência. Essa sinergia, segundo ele, seria essencial para desarticular organizações como o PCC e o Comando Vermelho de forma duradoura.

  • Controle de fronteiras: monitoramento tecnológico avançado e reforço de postos de fronteira.
  • Bloqueio financeiro: rastreamento de contas suspeitas e cooperação com bancos internacionais.
  • Segurança portuária: inspeções rigorosas e uso de inteligência artificial para identificar carga ilícita.
  • Cooperação internacional: acordos bilaterais e multilaterais para troca de informações.

Visão nuclear como estratégia de longo prazo

Quando questionado sobre sua anterior defesa de uma bomba atômica brasileira, Renan esclareceu que o desenvolvimento nuclear deveria ser parte de um projeto mais amplo de soberania nacional. Ele argumentou que, antes de investir em tecnologia nuclear, o Brasil precisa restaurar sua capacidade de investimento estatal e revitalizar a indústria de defesa.

O candidato propôs um horizonte de dez a vinte anos para a construção dessa capacidade, envolvendo pesquisa tecnológica, recursos estratégicos, produção industrial e diplomacia internacional. Segundo Renan, a presença de um programa nuclear seria um elemento central para transformar o Brasil em uma potência capaz de participar do que chamou de “nova Guerra Fria”.

Ele ainda relacionou a proposta nuclear à definição de blocos de alianças estratégicas. O Brasil, segundo o candidato, deveria ampliar sua projeção na América Latina, na África e nos países de língua portuguesa, usando a capacidade nuclear como moeda de troca diplomática.

Renan ressaltou que países com grandes territórios, população, recursos naturais e economias relevantes costumam possuir armas nucleares. O Brasil, embora seja uma exceção nesse grupo, poderia mudar esse cenário ao investir em tecnologia nuclear e, assim, garantir sua posição no “grande jogo” internacional.

Desafios e críticas internas

Embora a proposta seja ambiciosa, Renan reconheceu que enfrentar a oposição política e a preocupação da sociedade civil será um grande obstáculo. Ele enfatizou a necessidade de transparência, controle civil e respeito aos tratados internacionais de não proliferação.

O candidato também apontou que a iniciativa nuclear não pode ser vista como um substituto ao combate ao crime organizado, mas como um complemento estratégico que reforça a autonomia do país em decisões de segurança e defesa.

Em síntese, Renan Santos apresentou um discurso que combina crítica à interferência externa, proposta de combate integrado ao crime organizado e visão de longo prazo para um programa nuclear, tudo sob a bandeira da soberania brasileira.

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