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ONU alerta que aparato repressivo permanece firme na Venezuela após queda de Maduro

Investigações da Organização das Nações Unidas revelaram nesta quarta‑feira (16) que, apesar da prisão do presidente deposto Nicolás Maduro em 3 de janeiro, o aparato repressivo na Venezuela continua essencialmente intacto. O relatório, apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra, destaca que as mudanças observadas ainda são insuficientes para reverter o clima de violação de direitos.

Contexto político e a saída de Maduro

O ataque militar liderado pelos Estados Unidos em 3 de janeiro marcou o início de uma nova fase no país sul‑americano. Poucos dias depois, as forças de segurança capturaram Maduro, que havia governado por quase duas décadas. A presidente interina, Delcy Rodríguez, assumiu o cargo em meio a protestos e à pressão internacional por uma transição democrática.

Mesmo com a mudança de liderança, as instituições que sustentam o controle estatal – como o Ministério do Interior, a Direção de Inteligência Militar e as Forças Armadas – permaneceram sob o mesmo comando. Essa continuidade institucional impede que reformas estruturais ocorram de forma efetiva.

Evolução nas detenções e nas liberdades civis

Os investigadores da ONU constataram uma diminuição significativa nas detenções de longa duração e nos desaparecimentos forçados nos primeiros meses após a prisão de Maduro. Centenas de presos políticos foram libertados, e algumas normas que restringiam manifestações foram suavizadas.

Entretanto, a missão enfatiza que essas melhorias são pontuais e não refletem uma mudança sistêmica. O número de processos judiciais contra opositores ainda é elevado, e a maioria das decisões continua baseada em acusações de “terrorismo” ou “tráfico de armas”, categorias amplamente utilizadas para silenciar críticas.

  • Liberação de aproximadamente 300 presos políticos entre janeiro e março;
  • Redução de 40% nas detenções preventivas de curta duração;
  • Flexibilização de requisitos para realização de protestos em espaços públicos.

Esses avanços, embora positivos, são descritos pelos observadores como “limitados” e insuficientes para garantir direitos fundamentais como a liberdade de expressão e associação.

Persistência das leis repressivas e dos serviços de segurança

O relatório destaca que inúmeras leis que criminalizam a dissidência permanecem em vigor. Entre elas, a Lei de Segurança do Estado, a Lei de Terrorismo e a Lei de Comunicação Social continuam sendo usadas para perseguir jornalistas, ativistas e cidadãos comuns.

Os serviços de inteligência, incluindo o SEBIN (Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional), mantêm as mesmas estruturas operacionais e políticas de vigilância. Segundo a chefe da missão, Sofía Macher, “os extensos serviços de segurança do país essencialmente mantêm as mesmas estruturas, políticas e práticas”.

Essa continuidade revela que a repressão não depende apenas de figuras individuais, mas de um conjunto de normas e instituições que foram consolidadas ao longo de anos de governo autoritário.

Desafios para jornalistas e sociedade civil

Jornalistas e membros da sociedade civil continuam enfrentando obstáculos diários. A censura pré‑publicação, a intimidação física e processos judiciais ainda são práticas comuns.

Organizações de direitos humanos relataram casos recentes de bloqueio de sites de notícias independentes e de prisões de repórteres que cobrem protestos ou investigam corrupção. A missão da ONU alerta que a redução de algumas formas mais severas de repressão não constitui, de forma alguma, uma transformação do sistema que as tornou possíveis.

Para avançar, os investigadores pedem reformas institucionais profundas, incluindo a revisão das leis que criminalizam a expressão política, a despolitização das forças de segurança e a garantia de processos judiciais transparentes.

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