A nova pesquisa realizada pelo instituto Quaest foi divulgada na segunda‑feira, 21 de setembro, e trouxe um panorama atualizado da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. O levantamento ocorreu em meio à crise no Supremo Tribunal Federal, que tem ocupado a atenção dos eleitores nas últimas semanas.
Contexto político e judicial que molda a corrida eleitoral
O cenário atual está marcado por um intenso debate sobre a atuação do STF, sobretudo após a sessão em que ministros trocaram acusações sobre o caso Moraes‑Vorcaro. Essa disputa institucional chegou ao público nas últimas duas semanas, provocando reações que podem influenciar a escolha dos eleitores nas urnas.
Ao mesmo tempo, a campanha presidencial entrou em sua fase decisiva, com o primeiro turno se aproximando e a disputa de segundo turno se tornando cada vez mais apertada. A combinação desses fatores cria um ambiente volátil, onde a percepção sobre a justiça pode se transformar em um ponto de inflexão para a decisão de voto.
Metodologia da pesquisa e critérios de amostragem
O campo da pesquisa foi aberto entre os dias 17 e 20 de setembro, abrangendo 2.004 eleitores de todas as regiões do país. A amostra foi selecionada de forma aleatória, garantindo representatividade de acordo com o padrão de margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
O questionário incluiu perguntas espontâneas sobre a intenção de voto, seguidas de cenários simulados de segundo turno. Entre os candidatos testados estavam Flávio Bolsonaro, Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema, além da opção de voto em branco, nulo ou abstenção.
Além disso, os entrevistados foram questionados sobre o impacto da crise no STF em sua decisão, permitindo medir se o episódio judicial reforça a escolha atual, gera mudança de voto ou não tem influência alguma.
Resultados preliminares: a disputa se estreita
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, o candidato do senador alcançou 42% das intenções de voto, enquanto o ex‑presidente ficou com 40%. Com margem de erro de 2 pontos, o resultado indica um empate técnico, refletindo a alta competitividade entre os dois nomes.
Em outros confrontos simulados, Lula manteve vantagem contra Ronaldo Caiado (41% a 39%), Renan Santos (41% a 38%) e Romeu Zema (45% a 33%). A diferença frente a Augusto Cury foi de 38% a 36%, também dentro da margem de erro, sinalizando que pequenos movimentos podem alterar o panorama.
No primeiro turno, Lula lidera com 36% das intenções, seguido por Flávio Bolsonaro com 31%. Augusto Cury aparece com 7%, enquanto Renan Santos, Ronaldo Caiado e Zema somam 4%, 4% e 1%, respectivamente. Indecisos representam 10% do eleitorado, e 7% optam por voto em branco, nulo ou abstenção.
Implicações para a campanha e o papel do STF
Os dados sugerem que a crise no STF pode estar atuando como um catalisador de mudança, especialmente entre eleitores indecisos que ainda não definiram seu voto definitivo. A pesquisa indica que uma parcela significativa dos respondentes acredita que a decisão final pode mudar caso ocorram novos desdobramentos judiciais até a eleição.
Esse cenário abre espaço para estratégias de campanha que enfatizem a estabilidade institucional ou, ao contrário, critiquem a atuação dos ministros. Os candidatos podem adaptar suas mensagens para captar eleitores que veem o STF como um fator decisivo.
Além de medir preferências, a pesquisa também perguntou quem os entrevistados acreditam que vencerá a eleição, independentemente de sua própria escolha. Essa percepção de vitória esperada pode influenciar ainda mais o comportamento de voto, criando efeitos de bandwagon ou de mobilização de bases.
O que esperar nos próximos dias
Com a divulgação oficial dos resultados completa, espera‑se que partidos e candidatos reajam rapidamente, ajustando suas estratégias de comunicação e mobilização. A proximidade do primeiro turno aumenta a pressão para converter indecisos e reforçar a base de apoio.
Analistas apontam que a margem estreita entre Lula e Flávio Bolsonaro pode levar a campanhas mais agressivas, com foco em debates sobre segurança, economia e, sobretudo, a confiança nas instituições democráticas. O papel do STF continuará a ser monitorado como um possível ponto de virada.
Em resumo, a pesquisa Quaest oferece um retrato detalhado da dinâmica eleitoral em um momento crítico, revelando tanto a estabilidade quanto a volatilidade dos eleitores brasileiros. O que acontecer nos próximos dias pode definir se a liderança atual se mantém ou se novos rumos emergem na corrida presidencial.








