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Caixa e bancários retomam mesa de negociação em meio à greve sem prazo definido

A Caixa Econômica Federal convocou uma nova mesa de negociação para a tarde da quarta‑feira, 16 de setembro, na capital da Paraíba, em resposta à greve que paralisa a instituição desde a última quinta‑feira. O encontro foi agendado após pressão da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf‑CUT), que enviou ofício solicitando a retomada das conversas. O objetivo principal é discutir a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) dos empregados da Caixa.

Contexto da paralisação

A greve iniciou-se no dia 10 de setembro, quando mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta de renovação apresentada pela Caixa. Desde então, os trabalhadores têm mantido a paralisação em todo o estado da Paraíba, afetando agências, serviços de crédito e atendimento ao público. A ação permanece sem prazo definido, refletindo a dificuldade de se chegar a um consenso entre as partes.

Segundo a Contraf‑CUT, a rejeição ao texto anterior decorreu principalmente de mudanças propostas no modelo de custeio do plano de saúde Saúde Caixa. Os bancários temem que as alterações elevem os custos pagos por empregados, aposentados e dependentes, comprometendo a sustentabilidade do benefício. Essa preocupação tem sido o ponto de maior atrito nas negociações.

Principais demandas dos trabalhadores

Além da questão do plano de saúde, a categoria apresenta um conjunto de reivindicações que consideram essenciais para a melhoria das condições de trabalho. As exigências foram formalizadas em reunião do Comando Nacional dos Bancários e incluem reajuste salarial acima da inflação, ampliação de vagas, melhor ambiente de trabalho e valorização da carreira.

  • Reajuste salarial: aumento que supere a inflação acumulada nos últimos 12 meses.
  • Saúde Caixa: manutenção do modelo de custeio atual ou aumento da participação da instituição nos custos.
  • Contratações: abertura de novas vagas para reduzir a sobrecarga dos servidores.
  • Condições de trabalho: melhorias nas jornadas, equipamentos e segurança nas agências.
  • Valorização da carreira: planos de desenvolvimento profissional e progressão salarial transparente.

A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, destacou que a nova reunião reflete a mobilização constante dos trabalhadores e o papel ativo das entidades sindicais. Ela ressaltou que a força da greve está na unidade das bases e no apoio jurídico oferecido pelas regionais do sindicato, que permanecem abertas a partir das 7h para orientar os empregados.

Perspectivas e próximos passos

A Caixa, em nota oficial ao g1, afirmou que reabriu a mesa de negociação porque acredita que o diálogo é o caminho mais eficaz para alcançar um acordo equilibrado. O banco informou que, até o momento, foram realizadas 54 reuniões de negociação coletiva, nas quais foram apresentadas quatro propostas distintas, incorporando avanços e demandas apontadas pelos representantes dos empregados.

No entanto, a divergência sobre o modelo de custeio do Saúde Caixa continua sendo o principal obstáculo. Os sindicatos defendem que a instituição aumente sua participação no financiamento do plano, evitando que os custos sejam repassados aos trabalhadores, aposentados e dependentes.

O Comando Nacional dos Bancários realizou, na terça‑feira, 15 de setembro, uma reunião às 17h para avaliar o movimento nacional e definir estratégias. Após esse encontro, o sindicato deve divulgar um balanço da paralisação, que servirá de base para as próximas negociações.

Enquanto não houver um acordo considerado satisfatório, a Contraf‑CUT e os sindicatos afirmam que a mobilização continuará, mantendo a pressão sobre a Caixa para que as demandas sejam atendidas. A instituição, por sua vez, reforça o compromisso de buscar uma solução que preserve os interesses dos empregados, dos clientes e da sociedade brasileira.

Em resumo, a situação permanece em aberto: a mesa de negociação está em andamento, mas as partes ainda não encontraram um ponto de convergência suficiente para encerrar a greve. O desenrolar dos próximos dias será decisivo para definir se a paralisação terá fim ou se se prolongará, impactando ainda mais o sistema bancário regional.

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