Em 15 de setembro de 2026, a assessoria da governadora do Distrito Federal, Celina Leão, respondeu a mensagens vazadas que sugeriam sua participação em tratativas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). O episódio ganhou destaque após o ministro do STF, André Mendonça, autorizar a quebra de sigilo de investigações da Operação Compliance Zero.
Contexto das mensagens e da operação policial
As conversas foram obtidas pela Polícia Federal em 5 de abril de 2025, quando Ibaneis Rocha ainda exercia o mandato de governador e Celina Leão era sua vice. Na época, o BRB avançava em um plano de compra do Banco Master, propriedade de Daniel Vorcaro, ex‑banqueiro preso em março de 2025.
O conteúdo das mensagens inclui um link enviado por Thiago Miranda a Vorcaro, apontando para uma reportagem do blog da jornalista Malu Gaspar, publicada no O Globo no mesmo dia. Na matéria, Celina afirmava que não havia sido consultada sobre a operação e que soube dos detalhes apenas pela imprensa.
Ao encaminhar o link, Miranda escreveu que conhecia bem Celina e que ela “agora está querendo aparecer porque ficou de fora da negociação”. Vorcaro, por sua vez, contestou a afirmação, gerando dúvidas sobre a real participação da vice‑governadora.
Reação oficial da governadora e do governo do DF
A resposta oficial, divulgada ao g1 e à TV Globo, nega categoricamente qualquer envolvimento de Celina Leão nas negociações entre as duas instituições financeiras. Segundo a nota, “não é verdade que a governadora Celina Leão tenha participado de qualquer tipo de negociação em torno da compra do Master pelo BRB”.
O comunicado também ressalta que as declarações de Vorcaro não podem ser interpretadas como prova de participação da governadora. Ele afirma que Celina sempre se posicionou contra a compra, inclusive seis meses antes da deflagração da Operação Compliance Zero.
Além disso, a nota cita que, após o anúncio do futuro negócio em março de 2025, Celina, ainda vice‑governadora, manifestou oposição à operação, como registrado na reportagem do O Globo de 5 de abril de 2025. Na ocasião, ela chegou a dizer que poderia rever a operação ao assumir o cargo de governadora.
Impactos políticos e investigações em curso
Desde o início da Operação Compliance Zero, em novembro de 2025, Celina Leão tem negado relações com Daniel Vorcaro, o Banco Master e a tentativa de compra pelo BRB. A própria matéria citada nas mensagens confirma que ela tomou conhecimento da operação apenas por meio da imprensa.
Em entrevista ao DF1, realizada poucas horas antes da divulgação das mensagens, a governadora reiterou que seu papel como vice‑governadora era restrito a representações políticas e ao cumprimento de agendas, sem envolvimento direto nas negociações bancárias.
Celina também declarou ser contrária à compra do Banco Master e apontou um “problema pessoal” com o ex‑presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que foi preso em novembro de 2025 sob acusação de promover compras fraudulentas para benefício próprio.
A Polícia Federal, em relatório que acompanha as mensagens, afirma que gestores do BRB não foram vítimas de pressões ou assédios por parte do Banco Master. O documento ainda detalha tentativas de intimidação contra a jornalista Malu Gaspar, que cobriu o caso.
- Vazamento das mensagens ocorreu em setembro de 2026.
- As conversas datam de 5 de abril de 2025.
- Operação Compliance Zero começou em novembro de 2025.
- Celina Leão nega participação e reforça oposição à compra.
- PF indica que gestores do BRB não foram coagidos pelo Master.
O caso continua sendo acompanhado de perto pelos tribunais e pela imprensa, que buscam esclarecer até que ponto as mensagens refletem a realidade dos bastidores políticos e financeiros do Distrito Federal. Enquanto isso, a governadora mantém sua postura de afastamento das negociações bancárias, enfatizando seu compromisso com a transparência e a legalidade.








