Na manhã da terça‑feira, 15 de setembro, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, votou contra a proposta de julgamento conjunto dos processos que investigam o ministro Alexandre de Moraes e o procurador‑geral André Mendonça. A decisão foi tomada na sessão plenária da Corte, em Brasília, e manteve os casos separados, seguindo o trâmite previsto no regimento interno.
Decisão de Fachin e o contexto da crise
Fachin recebeu uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes, que defendia a união dos relatórios da Polícia Federal referentes à relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes com as apurações sobre a conduta de André Mendonça. O presidente rejeitou o pedido, argumentando que a separação dos processos preserva a independência das investigações e evita a sobrecarga de um único julgamento.
Ao mesmo tempo, o magistrado também se posicionou contra a redistribuição do relatório que havia sido encaminhado ao seu gabinete, sustentando que a mudança de relator exigiria um sorteio formal, conforme estabelece o Regimento Interno. Essa postura reforçou a ideia de que o STF deve seguir procedimentos regimentais rigorosos, sobretudo em situações de alta sensibilidade política.
Os demais ministros ainda não se manifestaram de forma definitiva sobre a questão levantada por Gilmar Mendes, que foi sugerida inicialmente pelo ministro Flávio Dino. A expectativa é de que as posições sejam registradas nos próximos dias, ampliando o debate interno sobre a condução dos processos.
Detalhes dos documentos revelados
O ponto de partida da crise foi a decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo de relatórios da Polícia Federal que investigavam o Banco Master. Entre os documentos, destacaram‑se 52 mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, bem como registros de encontros presenciais entre os dois.
Além das conversas, foi identificado um contrato no valor de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes. Essa informação gerou um intenso debate sobre possíveis conflitos de interesse e a necessidade de transparência nas relações entre autoridades públicas e o setor financeiro.
Outro aspecto crítico foi o acesso às provas extraídas do celular de Vorcaro. Enquanto Moraes, o advogado Cristiano Zanin e Gilmar Mendes solicitaram o acesso integral ao material, Mendonça argumentou que a manutenção de sigilo seria necessária apenas para proteger investigações em andamento e dados de terceiros.
- 52 mensagens entre Vorcaro e Moraes
- Encontros presenciais registrados
- Contrato de R$ 130 milhões com o escritório de Viviane Barci
- Provas digitais extraídas do celular de Vorcaro
A Polícia Federal confirmou, na segunda‑feira, 14 de setembro, que entregou cópias digitais do acervo a três gabinetes, atendendo à determinação de Zanin. A Procuradoria‑Geral da República (PGR) também se manifestou favorável à ampliação do acesso aos documentos, reforçando a necessidade de plena transparência.
Reações dos ministros e impactos no processo
O confronto entre Alexandre de Moraes e André Mendonça ganhou contornos pessoais quando o ministro acusou o colega de realizar uma “liberação seletiva” dos autos, alegando que documentos relevantes foram omitidos. Mendonça rebateu a acusação, afirmando que a restrição de acesso foi limitada apenas ao que era imprescindível para preservar a integridade das investigações.
Gilmar Mendes, ao propor a união dos processos, argumentou que a complexidade dos fatos justificava um julgamento conjunto, permitindo uma visão mais integrada das supostas irregularidades. Contudo, Fachin considerou que a separação dos casos facilitaria a análise detalhada de cada conjunto probatório, evitando confusões jurídicas.
Além dos ministros citados, o advogado Cristiano Zanin, que representa interesses ligados ao caso Master, também pediu acesso total ao material digital, reforçando a pressão por uma investigação abrangente e sem restrições indevidas.
Próximos passos e calendário de julgamentos
Com a decisão de Fachin, o caso que envolve as mensagens entre Vorcaro e Moraes será analisado pelo plenário nesta mesma terça‑feira, 15 de setembro. A pauta inclui a deliberação sobre a admissibilidade das provas digitais e a eventual designação de novo relator, caso seja necessário.
Já as acusações formuladas por Moraes contra Mendonça foram agendadas para o dia 23 de setembro, permitindo que ambas as partes preparem seus argumentos com tempo adequado. Essa data marca um ponto crucial para o desdobramento da crise institucional, pois definirá se as alegações de omissão e liberação seletiva serão confirmadas ou refutadas.
O calendário do STF ainda não indica outras sessões relacionadas ao caso Master, mas a expectativa é de que novos desdobramentos ocorram nos próximos meses, especialmente se surgirem novos documentos ou se houver decisões da PGR sobre a extensão do sigilo.
Enquanto isso, a sociedade civil e os veículos de imprensa continuam acompanhando de perto os movimentos da Corte, que refletem não apenas questões jurídicas, mas também implicações políticas de grande relevância para o país.
Em síntese, a postura de Fachin demonstra um esforço para preservar a ordem processual e evitar a sobrecarga de um julgamento conjunto, ao mesmo tempo em que garante que cada caso receba a devida atenção. O desfecho desses processos terá impacto direto na percepção de independência do Judiciário e na confiança da população nas instituições democráticas.








