Uma nova onda de eleitores que não se reconhecem nem no lulismo nem no bolsonarismo está mudando o cenário das pesquisas eleitorais. O fenômeno foi identificado nas últimas semanas de setembro de 2024, durante a divulgação de um levantamento da Quaest. O movimento tem sido apontado como decisivo para o estreitamento da disputa entre o presidente e o candidato da família Bolsonaro.
Perfil do eleitor que está mudando o jogo
Segundo Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, o grupo predominante está concentrado no Sudeste e possui renda familiar entre dois e cinco salários mínimos. Esses eleitores costumam ser críticos ao governo, mas ainda não migraram definitivamente para a oposição. Eles avaliam a gestão de forma comparativa, ponderando alternativas antes de decidir seu voto.
Além da questão econômica, fatores como a idade de Lula e a percepção de desaceleração do país têm influenciado a decisão desses votantes. A insegurança quanto ao futuro e a falta de entregas concretas, como o programa Desenrola, também são citadas como gatilhos para a mudança de postura.
Desempenho nas pesquisas e margem de erro
A pesquisa divulgada entre 10 e 13 de setembro entrevistou 2.004 eleitores, com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais. No primeiro turno, Lula registrou 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ficou com 31%.
No segundo turno, os números ficaram ainda mais apertados: Flávio apareceu com 42% e Lula com 40%, dentro da margem de erro, configurando um empate técnico. Outros candidatos também aparecem em situação de empate técnico com Lula, como Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado.
- Lula – 36% (1º turno)
- Flávio Bolsonaro – 31% (1º turno)
- Augusto Cury – 7%
- Renan Santos – 4%
- Ronaldo Caiado – 4%
- Romeu Zema – 1%
- Indecisos – 10%
- Brancos, nulos ou não votantes – 7%
Motivações por trás da mudança de comportamento
Russo destaca que o desgaste da administração petista, aliado a notícias negativas e ao fortalecimento da candidatura de Flávio, tem alimentado o ceticismo. A queda na aprovação do governo, que passou de 50% para 43% nas últimas semanas, reforça a percepção de que o presidente não está entregando o que prometeu.
A corrupção também voltou ao centro das discussões, especialmente após o inquérito sobre Lulinha e a crise no Supremo Tribunal Federal. Esse cenário tem aumentado a sensação de que o país precisa de uma alternativa que traga esperança e estabilidade.
Outro ponto relevante é a comparação direta entre as propostas de governo e as dos adversários. Quando o eleitor percebe que a diferença entre as opções é mínima, ele tende a buscar critérios como idade, saúde e capacidade de gerar crescimento econômico.
Desafios para a campanha petista
Para reconquistar esse eleitorado volátil, a campanha de Lula precisará resgatar uma mensagem de esperança e expectativa positiva, similar à que mobilizou o eleitorado em 2022. A estratégia deve incluir propostas claras para a retomada econômica e um combate efetivo à corrupção.
Além disso, a comunicação precisa ser adaptada para alcançar eleitores que não se identificam com ideologias tradicionais, mas que buscam soluções pragmáticas para os problemas cotidianos. O uso de canais digitais, mensagens curtas e dados concretos pode ser crucial para mudar a percepção desses votantes indecisos.
Em síntese, o eleitor que não se alinha nem à esquerda nem à direita está se tornando o verdadeiro pivô da disputa eleitoral. Sua avaliação criteriosa da gestão, aliada a fatores econômicos e de governança, pode determinar o resultado final das eleições.








