Uma pesquisa da consultoria Quaest, divulgada nesta segunda-feira (14), mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece à frente do ex‑presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas intenções de voto para o segundo turno da eleição presidencial. O levantamento foi realizado entre os dias 10 e 13 de setembro, em todo o território nacional, e aponta um cenário de empate técnico entre os dois candidatos.
Panorama geral da pesquisa
De acordo com os números divulgados, Flávio Bolsonaro registra 42% das intenções de voto, enquanto Lula tem 40%. A diferença de dois pontos percentuais está dentro da margem de erro de dois pontos, o que indica que a corrida está extremamente equilibrada. A pesquisa foi encomendada pelo jornal O Globo e pela própria Globo, e contou com a entrevista de 2.004 eleitores com idade a partir de 16 anos.
Os resultados foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR‑03607/2026, garantindo a transparência e a validade metodológica do estudo. O nível de confiança da amostra é de 95%, o que reforça a robustez dos dados apresentados. Assim, os números apontam para uma disputa que pode ser decidida nos últimos dias de campanha.
Análise por segmentos demográficos
Ao detalhar a pesquisa por grupos específicos, a Quaest revelou que a vantagem de Flávio Bolsonaro se concentra em determinadas faixas de renda, idade e identidade de gênero. Já Lula mantém força em outros segmentos, como eleitores com maior escolaridade e em regiões do Norte e Nordeste.
- Gênero: Flávio lidera entre os eleitores do sexo masculino (44% a 38% de Lula), enquanto as mulheres mostram preferência ligeira por Lula (42% a 39%).
- Idade: Nos eleitores com até 29 anos, a disputa está praticamente empatada (41% a 40%); entre 30 e 49 anos, Flávio tem 44% contra 38% de Lula; acima de 50 anos, Lula retoma a liderança com 42% contra 40%.
- Renda: Entre quem declara renda mensal superior a cinco salários mínimos, Lula avança com 44% a 39% de Flávio; já na faixa de até dois salários mínimos, o senador lidera com 45% a 38%.
- Escolaridade: Eleitores com ensino superior completo dão 45% de voto a Lula, enquanto os com ensino fundamental ou médio tendem a apoiar Flávio (43%).
- Religião: Católicos mostram uma leve preferência por Lula (41% a 40%); evangélicos, por sua vez, dão 44% a Flávio e 38% a Lula.
Essas variações apontam para a necessidade de estratégias de campanha segmentadas, já que cada candidato tem pontos fortes e vulnerabilidades distintas nos diferentes grupos da população.
Implicações para a campanha
Com a corrida tão equilibrada, os candidatos deverão intensificar suas mensagens nos últimos dias de campanha, focando nos eleitores indecisos e nas áreas onde a vantagem ainda não está consolidada. Para Flávio Bolsonaro, a prioridade será reforçar a presença nos centros urbanos e nas classes de renda mais alta, enquanto Lula buscará consolidar o apoio nas regiões Norte e Nordeste, bem como entre eleitores com maior escolaridade.
Os analistas políticos destacam que a margem de erro de dois pontos pode ser decisiva, e que eventos de última hora – como debates, escândalos ou anúncios de políticas públicas – podem mudar a percepção dos eleitores. Além disso, a participação de eleitores jovens, que ainda não têm o hábito de votar, pode ser crucial para romper o empate.
Outro ponto relevante é a influência das redes sociais e dos meios de comunicação tradicionais. A Globo, ao encomendar a pesquisa, demonstra o interesse da grande mídia em acompanhar de perto a evolução da disputa, o que pode impactar a agenda pública e, consequentemente, a decisão dos eleitores.
Em síntese, a pesquisa da Quaest indica que a batalha política entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva está longe de ter um vencedor claro. O cenário de empate técnico deixa a disputa aberta e reforça a importância de estratégias de campanha bem direcionadas, além de um eleitorado atento e engajado nos próximos dias que antecedem o segundo turno.








