Na noite de domingo, 13 de setembro de 2025, Jason Miller, ex-assessor de Donald Trump, divulgou nas redes sociais uma montagem gerada por inteligência artificial que retrata o ministro Alexandre de Moraes usando tornozeleira eletrônica. A imagem foi acompanhada de trechos de reportagem do Financial Times e rapidamente se espalhou entre usuários e veículos de imprensa. O episódio reacendeu o debate sobre a crise institucional que já se instalou no Supremo Tribunal Federal.
A publicação de Jason Miller e o contexto político
Jason Miller, conhecido por sua atuação ao lado de Trump durante o primeiro mandato do presidente dos Estados Unidos, tem histórico de intervenções polêmicas nas redes sociais. Em 2024, ele já havia criticado publicamente decisões de autoridades brasileiras, incluindo o próprio ministro Moraes, em uma série de posts que geraram controvérsia. Em agosto de 2025, Miller chegou a comparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a uma “banana amassada”, provocando indignação nas redes.
Na última segunda-feira, Miller compartilhou uma captura de tela de uma reportagem do Financial Times que apontava o Banco Master como epicentro de um escândalo de corrupção envolvendo o STF. O texto dizia que o caso transformou Moraes em um dos principais focos da investigação, ao revelar supostos vínculos entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Foi nesse contexto que o norte‑americano inseriu a imagem de IA.
A montagem mostra Moraes sentado em uma escadaria que simula a fachada do Supremo, com uma tornozeleira eletrônica presa ao tornozelo. A produção digital foi feita por um algoritmo de geração de imagens que combina retratos reais com elementos fictícios. Miller acompanhou a foto com a legenda “A justiça sob vigilância”, sugerindo que o ministro estaria sendo monitorado como suspeito.
Além da imagem, Miller reproduziu trechos da matéria do Financial Times, reforçando a narrativa de que o Banco Master teria provocado uma crise sem precedentes no STF. O ex‑assessor ainda incluiu um convite para que seus seguidores compartilhassem a publicação, o que ampliou o alcance da notícia em minutos.
A crise no STF envolvendo o Banco Master
O Banco Master, instituição financeira com ativos de cerca de US$ 10 bilhões, entrou no centro da controvérsia após a divulgação de um relatório da Polícia Federal. O documento, tornado público pelo ministro André Mendonça ao retirar o sigilo, revelou mensagens trocadas entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes, sugerindo possíveis conflitos de interesse.
As investigações apontaram que Vorcaro teria mantido relações comerciais com familiares de ministros da Corte, além de participar de negócios que poderiam influenciar decisões judiciais. Esse cenário despertou suspeitas de que o Supremo poderia estar sendo usado como ferramenta de proteção para interesses financeiros.
Em resposta ao vazamento, o ministro Mendonça foi acusado por Moraes de abuso de autoridade, gerando um embate interno que se estendeu ao plenário. Enquanto Mendonça defendia a transparência das investigações, Moraes argumentava que a exposição de conversas privadas violava garantias constitucionais.
A tensão se intensificou quando o diretor‑geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, foi afastado por decisão de Mendonça, apenas para ser reintegrado posteriormente por determinação do ministro Flávio Dino, da Justiça Federal. Essa sequência de decisões conflitantes evidenciou a fragmentação dentro do Judiciário.
Repercussões no plenário e as decisões de Fachin
Diante da escalada de conflitos, o presidente do STF, ministro Luiz Roberto Barroso, delegou a responsabilidade de conduzir a crise ao ministro Alexandre de Moraes, que na época era relator do inquérito das fake news. Entretanto, a pressão política levou o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, a intervir diretamente.
Fachin, então presidente do STF, assumiu a centralização das decisões relacionadas ao caso. Ele suspendeu medidas contraditórias, manteve Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Além disso, determinou que quaisquer procedimentos envolvendo investigações contra ministros da Corte fossem previamente submetidos à Presidência do tribunal.
Para dar sequência ao processo, Fachin agendou uma sessão plenária para a terça‑feira, 15 de setembro, com o objetivo de analisar o relatório da Polícia Federal que detalha a relação entre Moraes e Vorcaro. A mesma sessão também deve avaliar o pedido da Procuradoria‑Geral da República para anular o relatório, caso haja irregularidades.
Outra sessão foi marcada para o dia 23 de setembro, dedicada à conduta do ministro André Mendonça. Essa data foi escolhida para permitir que as partes apresentem argumentos e que o plenário decida sobre possíveis sanções ou medidas corretivas.
Impactos nas redes sociais e no debate público
A publicação de Miller desencadeou uma avalanche de reações nas plataformas digitais. Usuários dividiram opiniões entre quem considerou a montagem uma forma de protesto simbólico e quem a denunciou como difamação e ataque à honra de um magistrado.
Alguns perfis políticos aproveitaram o momento para reforçar críticas ao STF, enquanto outros defenderam a necessidade de preservar a dignidade institucional. A seguir, os principais tipos de reação observados nas redes:
- Defensores da transparência: argumentam que a imagem evidencia a percepção pública de que ministros precisam ser monitorados por possíveis irregularidades.
- Entidades de imprensa: publicaram análises sobre a ética da IA na produção de conteúdo político e alertaram sobre o risco de desinformação.
- Organizações de direitos humanos: condenaram a tentativa de criminalizar a imagem, ressaltando que a liberdade de expressão deve ser preservada, mas sem incitar violência.
- Partidos políticos: alguns partidos de oposição utilizaram a montagem como argumento de que o STF está “corrompido”, enquanto aliados do governo pediram cautela e respeito ao Judiciário.
Além das reações online, a imprensa tradicional também dedicou espaço para analisar o caso. Programas de TV e portais de notícia publicaram entrevistas com especialistas em direito constitucional, que destacaram a importância de separar críticas legítimas de ataques pessoais.
O episódio também reacendeu o debate sobre o uso de inteligência artificial para criar imagens de figuras públicas. Juristas alertam que a tecnologia pode ser manipulada para gerar falsas narrativas, prejudicando a confiança nas instituições democráticas.
Em resumo, a montagem de IA publicada por Jason Miller não apenas reforçou a crise já existente no STF, mas também trouxe à tona questões sobre responsabilidade digital, liberdade de expressão e os limites da crítica política em tempos de alta polarização.








