O renomado pianista e compositor Eduardo Dussek apresenta sua primeira exposição individual, “Do Som ao Sol no Mesmo Tom”, que abriu ao público no dia 10 de setembro e permanecerá em cartaz até 30 de setembro na MBlois Galeria de Arte, localizada em Ipanema, Rio de Janeiro. A mostra reúne fotografias e pinturas que revelam uma nova fase criativa do artista, impulsionada pelo recente diagnóstico de doença de Parkinson.
A nova fase artística de Eduardo Dussek
Depois de cinco décadas de carreira musical, Dussek sentiu a necessidade de se reinventar. Em um vídeo divulgado no Instagram, ele descreveu esse momento como “uma grande virada” que ocorreu após o isolamento imposto pela pandemia. O artista revelou que estava cansado, sem inspiração e precisando de um novo impulso criativo. A pintura surgiu como resposta natural a essa busca por renovação.
Ao longo da exposição, o público pode observar como a linguagem visual complementa a musicalidade de Dussek. Cada obra de pintura conversa com as fotografias, criando uma narrativa que vai além das notas e acordes. Para o músico, as imagens são tão essenciais quanto as melodias, pois permitem expressar emoções que a música, por vezes, não alcança.
Do diagnóstico de Parkinson à redescoberta da pintura
Em junho de 2024, o artista recebeu o diagnóstico de Parkinson após notar tremores nas mãos. Ele compartilhou que a redução do ritmo de trabalho e o controle da ansiedade foram fundamentais para lidar com os sintomas. Nesse período, a pintura voltou a fazer parte de sua vida, lembrando-lhe os ensinamentos recebidos de seu pai, o artista plástico Milan Dusék.
Abandonara a faculdade de arquitetura para seguir a música, mas nunca esqueceu as aulas de pintura que recebeu na juventude. Após a morte de seu pai, Dussek assumiu o antigo estúdio familiar e retomou a prática artística. Ele percebeu que a atividade criativa ajudava a liberar dopamina, contribuindo para o relaxamento e o bem‑estar.
Em entrevista à revista VEJA, o compositor explicou que decidiu focar na pintura porque ela lhe trazia alegria e contentamento. “Descobri que eu deveria me preocupar menos e fazer coisas que me dessem prazer”, afirmou. Essa decisão marcou o início de um processo de cura emocional e física.
Do Som ao Sol no Mesmo Tom: detalhes da mostra
A exposição está organizada em três blocos principais:
- Bloco 1 – Fotografias de momentos de palco e bastidores: imagens que capturam a energia dos shows e a intimidade dos ensaios.
- Bloco 2 – Pinturas autorais: telas que refletem a jornada interior do artista, com cores vibrantes e traços que lembram a fluidez da música.
- Bloco 3 – Diálogos entre som e cor: instalações que combinam projeções de áudio com as obras pictóricas, criando uma experiência sensorial única.
Os visitantes podem percorrer a galeria de segunda a sexta‑feira, das 14h às 18h, e participar de sessões de conversa com o artista nos dias 15 e 22 de setembro, quando Dussek compartilha suas inspirações e responde perguntas do público.
Além das obras, a mostra inclui um pequeno café onde são servidos drinks inspirados nas cores das pinturas, reforçando a ideia de que arte, música e gastronomia podem coexistir em harmonia.
Impacto e perspectivas futuras
Para Eduardo Dussek, a exposição representa mais que uma simples exposição de arte; ela simboliza uma “virada humana”. “Não me achando o máximo, mas me achando merecedor de ser amigo de vocês, estava com saudades”, disse o artista em um vídeo nas redes sociais. Essa declaração evidencia a vulnerabilidade e a conexão que ele busca estabelecer com seu público.
Especialistas em neurociência apontam que atividades criativas, como a pintura, podem retardar a progressão de doenças neurodegenerativas ao estimular diferentes áreas do cérebro. O caso de Dussek reforça a importância de integrar práticas artísticas ao tratamento de condições como o Parkinson.
Com a exposição em cartaz até o final de setembro, o artista já planeja levar a mostra para outras capitais brasileiras, incluindo São Paulo e Brasília, nos próximos meses. Ele também pretende lançar um álbum instrumental que dialogará diretamente com as imagens expostas, criando um ciclo completo de som e visão.
Em resumo, “Do Som ao Sol no Mesmo Tom” não é apenas uma vitrine de obras visuais, mas um manifesto de resiliência, criatividade e renovação. A exposição convida o público a refletir sobre a capacidade de transformar desafios pessoais em fontes de inspiração artística.








