Em março de 2026, a Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça, do Ministério da Justiça, um relatório de inteligência financeira que envolvia uma autoridade com foro. A Procuradoria‑Geral da República (PGR) voltou a cobrar, neste domingo (13), se houve qualquer medida concreta por parte do ministro.
Contexto da solicitação da PF
A PF pediu, há seis meses, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a liberação de documentos que detalham movimentações suspeitas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. O pedido foi feito para complementar investigações que já haviam derrubado sigilos de outras frentes do chamado caso Master.
O objetivo era obter um relatório de inteligência financeira (RIF) que pudesse esclarecer a origem e o destino de recursos que, segundo a polícia, poderiam estar ligados a lavagem de dinheiro e a outros crimes econômicos.
Apesar da importância do documento, a PGR ainda não tem clareza sobre se o ministro Mendonça tomou alguma iniciativa para atender ao pedido da PF. Por isso, a instituição enviou um requerimento ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, pedindo informações sobre o andamento.
O papel do relatório de inteligência financeira
O RIF é um instrumento técnico elaborado pelo Coaf após receber alertas de bancos, seguradoras e demais instituições obrigadas a comunicar operações atípicas. Ele reúne dados como valores movimentados, partes envolvidas e indícios de ilícitos.
Para facilitar a compreensão, segue a estrutura típica de um RIF:
- Identificação das partes: nomes de pessoas físicas e jurídicas relacionadas à operação.
- Descrição das movimentações: valores, datas, contas e canais utilizados.
- Análise de risco: avaliação de padrões suspeitos e comparação com perfis de lavagem de dinheiro.
- Conclusões preliminares: indicação de possíveis crimes e recomendações de investigação.
No caso do banco Master, a quebra de sigilo permitiu a divulgação de um relatório que apontou transferências de grande monta entre contas controladas por Vorcaro e empresas vinculadas a políticos e empresários.
Essas informações são fundamentais para que o Judiciário possa decidir sobre a necessidade de aprofundar as investigações, inclusive levantando o sigilo de inquéritos ainda em curso.
Desdobramentos e implicações políticas
A retirada do sigilo dos documentos foi autorizada pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, após pedido do ministro Alexandre de Moraes. A decisão chegou pouco antes do julgamento, marcado para terça‑feira (15), que deve analisar a possível relação entre o ministro e o banqueiro.
Com a manifestação da PGR favorável à quebra de sigilo, o ministro Fachin encaminhou o pedido de levantamento ao ministro Mendonça, que ainda não se pronunciou oficialmente. Essa ausência de resposta gera dúvidas sobre a celeridade das investigações e pode influenciar a percepção pública sobre a atuação do Executivo no combate à corrupção.
Além do impacto imediato no caso Master, o episódio reacende o debate sobre a transparência dos processos judiciais envolvendo autoridades com foro privilegiado. Defensores da reforma judicial defendem que a escolha de governadores, por exemplo, deveria ser feita por eleição direta, argumentando que a falta de clareza favorece práticas de impunidade.
Enquanto isso, a PF continua a coletar evidências e a solicitar novos relatórios ao Coaf, ampliando o escopo da investigação para outras instituições financeiras suspeitas de colaborar com esquemas de lavagem de dinheiro.
O desfecho desse caso ainda depende de decisões que ainda serão tomadas nos tribunais superiores, mas a pressão da PGR e da sociedade civil indica que o caminho para a responsabilização pode ser mais rápido do que o esperado.








