Uma pesquisa realizada pela Quaest entre 10 e 13 de setembro mostrou que 68% dos eleitores defendem o aumento das exigências para a nomeação de novos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O levantamento, divulgado em 14 de setembro, traz ainda que 53% dos entrevistados apoiam a criação de um mandato fixo para os magistrados da Corte. Os dados foram coletados em meio à crise institucional que tem marcado a atuação do STF nas últimas semanas.
Contexto da pesquisa e principais resultados
A Quaest entrevistou 2.004 eleitores em todo o país, com margem de erro de dois pontos percentuais. Os respondentes foram questionados sobre seis propostas de reforma para o STF, podendo responder “favorável” ou “contrário” a cada uma delas.
Entre as propostas, a mais aceita foi a de estabelecer um mandato com tempo fixo para os ministros, com 53% de aprovação. Apenas 30% se mostraram contrários, 4% se declararam neutros e 13% não souberam opinar.
Outra medida que recebeu forte apoio foi a de aumentar as exigências para a escolha de novos nomes, com 68% dos entrevistados favoráveis. Esse número indica um desejo crescente da população por maior transparência e critérios mais rigorosos nas indicações.
- 53% a favor de mandato fixo;
- 68% a favor de exigências maiores;
- 50% apoiam que Congresso e Judiciário possam indicar magistrados;
- 56% não confiam no STF.
Propostas específicas e suas implicações
Além do mandato fixo, a pesquisa abordou a possibilidade de o Congresso Nacional e o Poder Judiciário participarem da indicação de novos ministros, algo que atualmente cabe exclusivamente ao presidente da República. Metade dos entrevistados (50%) concordou com essa mudança, indicando um desejo de diluir o poder de nomeação presidencial.
Os especialistas apontam que a criação de um código de ética para os ministros também pode ser um caminho para restaurar a credibilidade da Corte. Embora a pesquisa não tenha perguntado diretamente sobre o código, 53% dos participantes já defendem a adoção de normas éticas mais claras.
Quanto à idade, os requisitos atuais são: idade mínima de 35 anos para a nomeação e aposentadoria compulsória aos 75 anos. Não existe, porém, um limite de tempo de mandato, o que tem gerado debates sobre a necessidade de um prazo determinado, como 12 anos, sugerido por juristas.
Percepção da população sobre o STF
O estudo também revelou uma queda na confiança institucional. Atualmente, 56% dos entrevistados dizem “não confiar” no STF, enquanto apenas 9% afirmam confiar muito. Esse índice representa um aumento de dez pontos percentuais em relação à pesquisa de agosto.
Os números de desconfiança se aproximam dos registrados em abril (53%) e maio (55%) de 2026, indicando que a crise interna entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça tem repercussões significativas na opinião pública.
Os analistas políticos interpretam que a falta de consenso interno pode estar alimentando a percepção de instabilidade e parcialidade, o que reforça a demanda por reformas estruturais.
O que pode mudar no futuro próximo?
Para que as propostas de mandato fixo e maior rigor nas nomeações avancem, será necessário debate no Congresso Nacional. A discussão poderá incluir a criação de um código de conduta, a definição de um prazo de mandato (possivelmente 12 anos) e a ampliação da participação de outros poderes nas indicações.
Se aprovadas, essas mudanças podem trazer maior previsibilidade ao processo de nomeação, reduzir a influência política direta do presidente e melhorar a percepção de independência do STF.
Entretanto, a aprovação dependerá do alinhamento entre os partidos políticos, da pressão da sociedade civil e da capacidade dos próprios ministros de construir consensos internos que restabeleçam a credibilidade da Corte.
Enquanto isso, a pesquisa Quaest serve como termômetro da opinião pública, mostrando que a maioria dos brasileiros deseja um STF mais transparente, ético e sujeito a regras claras de atuação.








